INVESTIGAÇÃO FINANCEIRA
Relatório aponta que Banco Master transferiu R$ 5,7 bilhões em créditos considerados atípicos antes da liquidação
Documento apresentado à Justiça detalha operações com fundos ligados ao próprio grupo econômico, instituições financeiras e empresários, ampliando o alcance das investigações sobre a atuação da instituição.
Um relatório apresentado à Justiça pelo liquidante do Banco Master revelou que a instituição financeira transferiu R$ 5,7 bilhões em créditos classificados como atípicos pelo Banco Central (BC) meses antes de entrar em liquidação. As operações agora são alvo de investigações que buscam identificar o destino dos ativos e ampliar a recuperação de recursos para o pagamento de credores.
Segundo a documentação, os créditos foram negociados entre junho e agosto de 2025 com fundos de investimento e instituições financeiras, entre elas o Banco de Brasília (BRB), antes do chamado “termo legal”, período que antecede a liquidação e durante o qual determinadas operações poderiam ser anuladas. Como as cessões ocorreram antes desse marco, eventual reversão dependerá de decisão judicial.
O relatório aponta que os R$ 5,7 bilhões fazem parte de um conjunto de 16 operações que já haviam sido classificadas como incomuns pelo Banco Central durante fiscalização realizada em 2024. Entre os beneficiários aparecem fundos ligados ao próprio grupo econômico do Banco Master, como D Mais, Bravo e Máxima 2.
As investigações sustentam que parte dos empréstimos apresentava características incompatíveis com operações tradicionais de crédito, uma vez que os clientes recebiam financiamento de elevado valor condicionado à aplicação dos recursos em fundos administrados pelo próprio conglomerado financeiro.
A Polícia Federal descreve parte da movimentação como uma estratégia de “pulverização e reempacotamento de ativos”, mecanismo que teria sido utilizado para fragmentar operações e dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.
Entre os negócios analisados, aproximadamente R$ 2,9 bilhões passaram pelo fundo Máxima 2. Outros R$ 1,6 bilhão foram destinados a fundos administrados pela Reag Investimentos. O relatório afirma que essas cessões sequer teriam sido quitadas pelos fundos envolvidos.
Já o BRB aparece com aproximadamente R$ 1 bilhão em créditos negociados. Em nota, o banco informou que os ativos foram incorporados durante a gestão anterior e que a atual administração está adotando providências para regularizar a situação conforme as normas regulatórias.
Ao todo, o relatório identifica 112 operações de cessão de crédito, que somam R$ 10,2 bilhões. Entre os maiores tomadores está a Lormont Participações, controlada pelo empresário Nelson Tanure, com 18 contratos que totalizam R$ 1,18 bilhão. Tanure nega ser sócio oculto do Banco Master e afirma que todas as operações de suas empresas foram regularmente quitadas, além de desconhecer qualquer cessão posterior dos créditos.
A documentação também aponta que parte das carteiras foi direcionada a fundos ligados ao próprio Banco Master, à Reag Investimentos e a outras instituições financeiras, como BRB e Banco Voiter. Segundo os investigadores, em alguns casos créditos considerados problemáticos foram vendidos para reforçar o caixa da instituição, enquanto ativos de melhor qualidade teriam sido substituídos por operações de menor valor pertencentes a empresas relacionadas ao grupo.
Entre as operações citadas está um financiamento de R$ 336 milhões concedido a executivos da Biomm, empresa fundada pelo ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. O crédito foi posteriormente transferido ao Banco Voiter, adquirido pelo Banco Master em 2024. Mares Guia afirmou que utilizou os recursos para ampliar sua participação acionária na companhia e ressaltou que a dívida vence apenas em 2029, tendo sido contratada antes das investigações envolvendo a instituição financeira.
Outro nome mencionado no relatório é o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney. O documento cita um financiamento imobiliário de R$ 5,5 milhões posteriormente cedido à Urbaniza Empreendimentos. Sidney afirma que quitou integralmente a dívida em 2021 junto à Cannes Consultoria, negando qualquer vínculo comercial, societário ou financeiro com a empresa mencionada e afirmando desconhecer eventual cessão do crédito.
O relatório também registra suspeitas de que determinadas cessões possam ter sido utilizadas apenas para justificar movimentações financeiras internas entre empresas relacionadas ao Banco Master. Após a divulgação das operações, diversas pessoas físicas e jurídicas citadas passaram a apresentar esclarecimentos à Justiça sobre as respectivas transações.
Diante da repercussão do caso, a defesa solicitou que o processo passe a tramitar sob sigilo, argumentando que a medida é necessária para preservar as investigações em andamento e evitar novos impactos sobre terceiros mencionados na documentação.
POLÍTICA MT
Pivetta terá maioria de 19 deputados na Assembleia Legislativa a partir de 2027
Base governista deve garantir maioria absoluta ao Executivo, enquanto oposição será reduzida a três parlamentares
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) deve iniciar o novo mandato, em 6 de janeiro de 2027, com uma ampla base de apoio na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Segundo projeção, o Palácio Paiaguás contará com pelo menos 19 dos 24 deputados estaduais, garantindo maioria absoluta para a aprovação de projetos de interesse do Executivo.
O Republicanos, partido de Pivetta, elegeu quatro parlamentares: Dr. Eugênio, Diego Guimarães, Nininho e Valmir Moretto. O União Brasil, partido da vice-governadora Gisela Simona, mantém Dilmar Dal Bosco, atual líder do Governo, e Sebastião Rezende na Assembleia.
A maior bancada da Casa, o Podemos, também deve permanecer alinhada ao Paiaguás. O presidente da Assembleia, Max Russi, que deverá disputar a reeleição para a presidência da Mesa Diretora, terá entre os eleitos do partido Beto Dois a Um, Fábio Tardin, Ulysses Moraes, Alessandra Ferreira e Adelcino Lopo.
Com um aliado na presidência do Legislativo, Pivetta também deverá ter maior facilidade para colocar em votação projetos considerados prioritários pelo Executivo.
MDB e PSDB também devem apoiar o Governo
Além dos parlamentares já alinhados, os três deputados eleitos pelo MDB Dr. João, Thiago Silva e Léo Bortolin são apontados como integrantes da base governista.
O PSDB, com Carlos Avallone e Chico Guarnieri, também deve continuar apoiando a gestão de Pivetta na próxima legislatura.
O PL, que elegeu quatro deputados, deve adotar uma postura mais independente em relação ao Governo.
Entre os demais parlamentares, a expectativa é de que Samantha Iris e Alcino Barcelos tenham maior proximidade com o Palácio Paiaguás. Já Gilberto Cattani e Faissal Calil devem manter uma postura de independência semelhante à adotada durante o governo Mauro Mendes.
Oposição será reduzida
O bloco de oposição deverá sofrer uma redução a partir de 2027. O grupo será formado principalmente pelos deputados do PT Lúdio Cabral e Valdir Barranco, além de Wilson Santos (PSD), que deve manter uma postura crítica em relação à administração estadual.
A redução ocorre com a saída da deputada Janaína Riva (MDB). Ela disputou uma vaga ao Senado Federal nas eleições deste ano, mas não conseguiu se eleger e ficará sem mandato a partir de 2027.
Com a nova composição, a esquerda mantém suas duas cadeiras, enquanto o PSD permanece com representação independente por meio de Wilson Santos. O bloco oposicionista, porém, perde um dos nomes de maior projeção.
Assim, a nova composição da Assembleia deverá proporcionar a Pivetta uma maioria confortável de 19 parlamentares, enquanto apenas três nomes aparecem como oposição mais definida, cenário que tende a facilitar a tramitação de propostas do Executivo durante o próximo mandato.

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