ELEIÇÕES 2026 – DISPUTA NO PSD

Irajá avança, entra no pelotão de frente e Emanuelzinho pode perder a reeleição no PSD

Irajá Lacerda entre os mais lembrados para deputado federal em Mato Grosso e à frente do atual parlamentar; cenário aumenta pressão pela principal vaga da legenda na Câmara

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A disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados começa a ganhar contornos de duelo interno no PSD de Mato Grosso. O avanço do advogado Irajá Lacerda nas pesquisas eleitorais colocou pressão sobre o deputado federal Emanuelzinho Pinheiro, que tenta conquistar mais um mandato em Brasília.

O sinal de alerta veio principalmente com o levantamento do Instituto Data Index realizado entre os dias 28 e 31 de agosto. Na pesquisa espontânea, Irajá chegou a 3,5% das intenções de voto e apareceu na terceira colocação geral, atrás apenas de Fábio Garcia, com 4,13%, e Virgínia Mendes, com 4%.

Emanuelzinho apareceu com 2,69% das intenções de voto, numericamente atrás do companheiro de partido.

A fotografia eleitoral ainda não permite cravar o resultado das urnas, especialmente porque existe um contingente elevado de eleitores indecisos. Entretanto, a presença de Irajá no pelotão de frente muda a correlação de forças dentro do PSD e transforma a disputa interna em uma das mais interessantes da corrida proporcional em Mato Grosso.

IRAJÁ AVANÇA

O crescimento de Irajá não apareceu apenas no levantamento mais recente.

Em pesquisa Percent divulgada em julho, o advogado chegou a 2,7% das intenções de voto, aparecendo também à frente de Emanuelzinho naquele momento. Em agosto, houve oscilação, mas o novo levantamento Data Index voltou a colocá-lo em posição de destaque.

O desempenho fortalece principalmente a expectativa eleitoral em torno de sua base política na região Oeste do Estado.

Irajá já demonstrou força nas urnas. Nas eleições de 2022, recebeu 54.607 votos para deputado federal, mas não conseguiu conquistar uma cadeira na Câmara.

Quatro anos depois, chega à disputa em situação diferente: mais conhecido eleitoralmente e agora aparecendo entre os primeiros colocados em pesquisas espontâneas.

EMANUELZINHO TEM CAPITAL ELEITORAL

Do outro lado está um adversário interno que não pode ser subestimado.

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Emanuelzinho possui mandato, estrutura política e experiência em eleições proporcionais. Em 2022, foi reeleito deputado federal com 74.720 votos, garantindo seu segundo mandato consecutivo.

O parlamentar também apareceu à frente de Irajá em levantamentos anteriores.

Na pesquisa Percent realizada entre 17 e 23 de agosto, por exemplo, Emanuelzinho marcou 2,2%, enquanto Irajá apareceu com 1,7%.

Dias depois, entretanto, o Data Index apresentou a inversão: Irajá com 3,5% e Emanuelzinho com 2,69%.

As oscilações demonstram que a disputa permanece aberta, mas revelam algo politicamente relevante: Emanuelzinho já não aparece sozinho como nome dominante da chapa do PSD.

UMA VAGA PODE VIRAR GUERRA INTERNA

O ponto central da disputa está na matemática eleitoral.

A eleição para deputado federal obedece ao sistema proporcional. Isso significa que não basta ao candidato obter uma votação expressiva individualmente. O desempenho conjunto da legenda é fundamental para determinar quantas cadeiras o partido conquistará.

Nos bastidores, o PSD trabalha para ampliar sua representação, mas uma eventual segunda cadeira dependerá diretamente da votação total da nominata e da distribuição das vagas e sobras eleitorais.

Se o PSD conquistar duas cadeiras, Irajá e Emanuelzinho poderão encontrar espaço para chegar juntos à Câmara.

O problema para o atual deputado surge caso o partido consiga eleger apenas um representante.

Nesse cenário, a disputa interna entre Irajá e Emanuelzinho ganha caráter decisivo, porque o candidato mais votado da legenda passa a ter enorme vantagem na corrida pela cadeira.

E é exatamente por isso que os últimos números chamaram atenção.

PSD APOSTA NOS DOIS

A própria estruturação financeira das campanhas demonstra que o partido considera os dois nomes estratégicos.

Informações divulgadas pela imprensa estadual apontaram que PSD destinou R$ 1,5 milhão para Emanuelzinho e outros R$ 1,5 milhão para Irajá, colocando os dois entre as principais apostas da legenda para deputado federal.

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A estratégia faz sentido: quanto mais votos os candidatos somarem, maiores serão as possibilidades de o PSD atingir o desempenho necessário para conquistar cadeiras.

Mas essa mesma lógica cria uma disputa particular dentro da chapa.

Irajá precisa transformar o crescimento mostrado nas pesquisas em votos. Emanuelzinho, por sua vez, precisa utilizar a estrutura e o capital político acumulados em dois mandatos para impedir que o adversário interno ultrapasse sua votação.

RETA FINAL PODE DEFINIR O DESTINO DOS DOIS

O cenário ainda está longe de estar definido.

O próprio Data Index mostrou que 40,39% dos entrevistados ainda não souberam ou não responderam em quem pretendem votar para deputado federal, demonstrando que existe um enorme contingente de votos em aberto.

O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 28 e 31 de agosto, possui margem de erro de aproximadamente dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada sob o número MT-07360/2026.

Com tamanho percentual de indecisos, mudanças significativas ainda podem ocorrer até as urnas.

Mesmo assim, o crescimento de Irajá Lacerda adicionou um novo componente à eleição proporcional de Mato Grosso e acendeu o sinal de alerta no grupo de Emanuelzinho.

O deputado que chegou à eleição buscando o terceiro mandato agora precisa olhar também para dentro da própria legenda.

Se Irajá mantiver a trajetória de crescimento e terminar como o candidato mais votado do PSD, uma eventual conquista de apenas uma cadeira pela legenda poderá produzir uma das grandes surpresas das eleições de 2026: Irajá eleito para a Câmara Federal e Emanuelzinho fora de Brasília.

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POLÍTICA MT

STF barra uso de R$ 6,5 milhões bloqueados para pagar ex-funcionários de empresa investigada

Ministro Cristiano Zanin rejeitou pedido da Justiça do Trabalho de Mato Grosso e manteve valores indisponíveis no âmbito de investigação sobre esquema de venda de decisões judiciais

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O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido da Justiça do Trabalho de Mato Grosso para liberar R$ 6,5 milhões bloqueados da empresa Florais Transportes Ltda. O recurso havia sido solicitado para o pagamento de dívidas trabalhistas com ex-funcionários.

A empresa pertence ao lobista Anderson Oliveira Gonçalves, apontado pelas investigações como um dos principais envolvidos no esquema de compra e venda de decisões judiciais que teria atuado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Com a decisão, os valores permanecem bloqueados na esfera criminal. A medida tem como objetivo preservar os recursos para eventual ressarcimento de danos e garantir o confisco de bens relacionados às investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Zanin acolheu os argumentos apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu a prevalência das medidas cautelares determinadas na investigação criminal sobre eventuais obrigações executivas de terceiros.

Segundo a fundamentação apresentada na decisão, o sequestro de bens e valores realizado durante uma investigação criminal possui natureza cautelar e finalidade específica de assegurar a persecução penal e a proteção da ordem pública.

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Na avaliação do ministro, permitir a utilização dos recursos bloqueados para o pagamento de dívidas trabalhistas poderia comprometer a eficácia das medidas determinadas no processo criminal antes que seja definida a situação jurídica dos bens.

A Florais Transportes aparece nas investigações como alvo de bloqueios patrimoniais por supostamente ter sido utilizada para ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro relacionada ao esquema investigado. As suspeitas ainda são objeto de apuração pelas autoridades.

A decisão, portanto, mantém os R$ 6,5 milhões indisponíveis até que haja definição no âmbito da investigação criminal sobre a destinação dos valores.

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