RACHA NA COLIGAÇÃO
Botelho sai em defesa de Janaina, detona Medeiros e manda aliado do PL colocar “melancia na cabeça” veja entrevista
Deputado afirma que candidata do MDB incomoda adversários por crescer na disputa ao Senado, critica declarações de Odílio Balbinotti sobre feminicídio e prevê resposta das mulheres nas urnas
O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) elevou o tom contra o deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) ao sair em defesa de Janaina Riva (MDB) e expôs, mais uma vez, as divergências existentes dentro da própria coligação.
Apesar de MDB e PL estarem no mesmo arco político, Botelho não economizou nas críticas a Medeiros e também ao primeiro suplente dele, Odílio Balbinotti (PL). Na avaliação do deputado estadual, os ataques contra Janaina estariam relacionados ao crescimento da candidata na disputa por uma vaga no Senado.
Botelho afirmou que Janaina vem ganhando espaço junto ao eleitorado e sustentou que Medeiros estaria incomodado com o protagonismo da emedebista.
“Janaina é a melhor candidata e vai ser a senadora mais votada. É o que eu estou dizendo. Ele não pode ver a sombra de uma mulher que é maior que ele. Qual o problema dela ser maior? Ele pode estar junto. Só que ele não quer, ele acha que tem que estar acima”, declarou Botelho.
“MELANCIA NA CABEÇA”
A reação mais contundente ocorreu quando Botelho ironizou uma peça de propaganda de Medeiros na qual o candidato utiliza uma melancia para atacar politicamente Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo.
Botelho devolveu a provocação e sugeriu que Medeiros colocasse a fruta na própria cabeça.
“Ele que tem que falar onde ele quer colocar essa melancia. Aliás, eu acho que deveria colocar na cabeça dele e sair andando, né?”, disparou o deputado durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (2).
A declaração acrescenta mais um capítulo às disputas internas de uma coligação que reúne grupos com posições políticas distintas. Mesmo estando formalmente no mesmo campo eleitoral, lideranças de MDB e PL vêm protagonizando enfrentamentos públicos durante a campanha.
BATALHA PELO SENADO
Botelho também relacionou os ataques ao cenário da disputa pelo Senado. Para ele, o avanço de Janaina teria aumentado a preocupação de seus adversários.
O deputado afirmou que a candidata está “caindo no gosto popular” e destacou especialmente sua identificação com o eleitorado feminino.
“Estamos bem porque nossa candidata está caindo no gosto popular. É a candidata do povo e das mulheres. Estou muito contente com isso”, afirmou.
Na avaliação de Botelho, Medeiros deveria aceitar dividir protagonismo político com Janaina, em vez de transformar a disputa interna em confronto.
BALBINOTTI TAMBÉM ENTRA NA MIRA
As críticas não ficaram restritas a Medeiros. Botelho também reagiu às declarações atribuídas a Odílio Balbinotti, primeiro suplente do candidato do PL.
Segundo o conteúdo apresentado, Balbinotti teria afirmado que o feminicídio seria um “termo criado pela esquerda”. Botelho rebateu a declaração e afirmou acreditar que o posicionamento poderá provocar reação do eleitorado, especialmente das mulheres.
“Deixa ele com essa ideia dele de que feminicídio é uma palavra pejorativa, que não deve existir, deixa ele com esses pensamentos aí. Vamos ver, a população vai dar o troco para eles na hora certa”, declarou.
Botelho projetou que as declarações terão reflexos nas urnas e colocou o eleitorado feminino no centro do embate político envolvendo as candidaturas ao Senado.
BOTELHO CRITICA DESLEALDADE PARTIDÁRIA
Ao final, o deputado ampliou as críticas e lamentou o que classificou como falta de fidelidade ideológica dentro das legendas.
“É lamentável isso, porque o ideal seria que nós tivéssemos partidos fortes, que defendessem algumas ideias e que fosse para aquele partido apenas quem tivesse as mesmas ideias. Mas infelizmente não é assim, e ninguém está ligando mesmo para o partido, estão olhando para as pessoas”, afirmou.
As declarações de Botelho escancaram as dificuldades de convivência entre forças políticas reunidas eleitoralmente na mesma coligação, mas que travam suas próprias batalhas na disputa pelo Senado.
Com a campanha entrando em sua fase decisiva, a “guerra da melancia”, que inicialmente expôs divergências dentro do PL, agora atravessa as fronteiras partidárias e coloca MDB e PL novamente em rota de colisão.
Veja entrevista
POLÍTICA MT
CPI da Saúde suspende oitivas durante período eleitoral
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) suspendeu, nesta quarta-feira (2), as reuniões com convocações e oitivas durante o período eleitoral. A decisão foi comunicada após a leitura de parecer da Procuradoria-Geral da Casa Leis, que considerou juridicamente possível a suspensão dos trabalhos. O documento foi ratificado pela Mesa Diretora.
Com a medida, não foram realizados os depoimentos previstos para esta tarde. Seriam ouvidos o ex-secretário de Estado de Saúde Gilberto Figueiredo e o atual ocupante da pasta, Juliano Melo. A reunião foi encerrada após a leitura do parecer.
Conforme o calendário definido nesta quarta-feira, os trabalhos com reuniões abertas e convocações serão retomados em 7 de outubro, primeira quarta-feira após o primeiro turno da eleição. Durante a suspensão, a CPI poderá continuar atividades internas relacionadas à produção do relatório e receber documentos e informações que contribuam para a investigação.
Segundo o procurador da Assembleia, Francisco Brito, a suspensão foi solicitada pela maioria absoluta dos integrantes da CPI para preservar a lisura do processo eleitoral e evitar eventuais interferências dos trabalhos da comissão no pleito. Ele avaliou que a suspensão não compromete o andamento da apuração diante do volume de documentos já reunidos.
“Já há muito documento produzido, o relatório do Tribunal de Contas do Estado, o inquérito da Polícia Federal, a perícia da Polícia Federal e também os próprios pareceres da Procuradoria-Geral do Estado”, afirmou.
O procurador ainda esclareceu que os trabalhos devem ser concluídos até o término da atual legislatura, que ocorre em 31 de janeiro de 2027.
A CPI investiga possíveis irregularidades em licitações e contratos da Secretaria de Estado de Saúde realizados entre 2019 e 2023, relacionados às investigações que resultaram na Operação Espelho. Na reunião da semana passada, a comissão ouviu a ex-secretária adjunta de Gestão Hospitalar Carolina Campos e o ex-diretor do Hospital Regional de Cáceres, Onair Azevedo Nogueira.
Fonte: ALMT – MT
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