TECNOLOGIA

MCTI leva série de ações a Pernambuco para reduzir desigualdades regionais em ciência e inovação

Empresas do Nordeste terão R$ 150 milhões em subvenção econômica para pesquisa, desenvolvimento e inovação por meio do Programa Mais Inovação. Para a região, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) também preparou uma série de acordos de cooperação com instituições locais para ampliar o acesso a instrumentos de financiamento público. Nesta sexta-feira (13), a ministra Luciana Santos esteve na capital de Pernambuco (PE), Recife, para assinar convênios com a empresa de fomento da pasta, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene); a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam); a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco); e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). 

“Estamos aqui assumindo uma postura ativa, construindo, de forma coletiva, soluções e apresentando aos homens e mulheres do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste, a empresários, empreendedores e pesquisadores, muitos caminhos para contribuir com nosso crescimento sustentável, tecnológico e inclusivo”, afirmou. 

Na ocasião, também foi lançada a 7ª edição do programa Mulheres Inovadoras, que incentiva o empreendedorismo feminino em startups de base tecnológica. Serão selecionadas 50 incubadoras lideradas por mulheres, sendo dez de cada região do País. As participantes terão acesso a mentorias especializadas e participarão de sessões de apresentação de projetos (pitch) avaliadas por bancas formadas exclusivamente por mulheres. 

Leia Também:  Ministro em exercício do MCTI visita a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e ressalta a importância de popularizar a ciência

Nesta edição, o programa contará com R$ 3,6 milhões em prêmios, valor superior ao da edição anterior, que distribuiu R$ 3,08 milhões. As inscrições estarão abertas até 3 de maio, por meio do site da Finep. 

Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Finep), Luiz Antônio Elias, o trabalho em conjunto é fundamental para atingir resultados positivos na região. “Recife é conhecida como o Vale do Silício do Nordeste, formando talentos que alimentam empresas e fortalecem a economia digital do País. Esse ambiente nasce quando há vontade política, capacidade de inovar, visão estratégica e cooperação entre universidades, setor produtivo e o setor público”, apontou.   

Os anúncios foram feitos durante a participação da ministra no Finep pelo Brasil, na sede da Fiepe. Durante o evento, foram apresentados 13 novos editais da Finep, que somam R$ 3,3 bilhões em oportunidades de financiamento para empresas e instituições científicas e tecnológicas de todo o país. Entre eles está a segunda rodada do Programa Mais Inovação, que destinará R$ 150 milhões em subvenção econômica para empresas do Nordeste. 

Leia Também:  Unidade de pesquisa do MCTI lança agenda estratégica para preservação do Pantanal

Investimentos do MCTI em Pernambuco 

De 2023 a 2025, o MCTI investiu R$ 1,1 bilhão em Pernambuco, valor significativamente superior aos R$ 320 milhões registrados de 2019 a 2022 — um aumento de mais de R$ 785 milhões em investimentos em ciência, tecnologia e inovação no estado.  

Para a titular do MCTI, os investimentos feitos pelo Governo do Brasil levam impactos importantes para a população. “Às vezes, falamos de números muito grandes e fica difícil visualizar o impacto real dos projetos. Mas são recursos que estão apoiando soluções para os desafios de nosso tempo, que estão iluminando talentos e contribuindo para melhorar a qualidade de vida das pessoas”, analisou. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

TECNOLOGIA

Do laboratório à linha de frente: Sandra Coccuzzo transforma pesquisa em resposta concreta à sociedade

A biomedicina poderia ter levado Sandra Coccuzzo por muitos caminhos. Mas foi no Laboratório de Fisiopatologia do Instituto Butantan que a pesquisadora, ainda estagiária, encontrou o seu lugar. Hoje, doutora em farmacologia e diretora do Centro de Desenvolvimento Científico (CDC), integra o instituto há mais de 30 anos. Nesse percurso, investigou o potencial terapêutico do veneno de serpentes, esteve na linha de frente da pandemia de covid-19 e participou da formação de diversos cientistas. 

O impacto do trabalho ultrapassou os limites do laboratório, especialmente durante a pandemia, quando a ciência passou a ocupar o centro do debate público. Pesquisas antes restritas ao ambiente acadêmico passaram a ser acompanhadas pela população, com expectativa concreta de aplicação em tratamento e cuidado. 

Antes disso, o caminho até a pesquisa foi guiado pela curiosidade. Ainda na graduação, Sandra buscava compreender os mecanismos por trás das doenças. “A biomedicina tem uma característica de te instigar a perguntar, de querer entender o porquê das coisas. E foi isso que me capturou”, afirma. O primeiro contato com o Butantan também veio por meio de outra mulher, que a encaminhou a uma pesquisadora da instituição. O gesto acabou definindo o rumo da sua carreira — e se repetiria ao longo da trajetória. 

Crotoxina 

No Laboratório de Fisiopatologia, passou a investigar o potencial de substâncias presentes no veneno da cascavel, em especial a crotoxina. O que poderia ser visto como elemento nocivo revelou-se, sob determinadas condições, uma fonte promissora para o desenvolvimento de novas terapias. “Existe uma frase na farmacologia: entre o veneno e o remédio está a dose”, explica. 

Os estudos demonstraram que, em concentrações controladas, a toxina pode modular o sistema imunológico, com potencial terapêutico, inclusive em processos inflamatórios e tumorais. Com o avanço das pesquisas, o foco passou a incluir a compreensão detalhada de sua estrutura molecular, possibilitando a reprodução dessas moléculas em laboratório. 

Leia Também:  CNPq celebra 75 anos impulsionando ciência, inovação e soberania nacional

Esse processo permite transformar um elemento natural em base para medicamentos sem depender da extração contínua de venenos. “A natureza funciona como um protótipo. A gente aprende com ela e consegue reproduzir essas moléculas de forma sintética”, afirma. 

A dimensão do trabalho se ampliou quando os resultados passaram a circular fora do ambiente acadêmico. “Eu comecei a receber cartas de mães com crianças em tratamento. Pessoas que viam na pesquisa uma esperança. Isso não tem preço.” 

O enfrentamento à covid-19 

Esse movimento se intensificou durante a pandemia. “As pessoas passaram a entender o que é ciência, a se interessar. Hoje existe uma expectativa real sobre o que a pesquisa pode trazer para a vida delas”, afirma. 

À frente de estruturas estratégicas do Butantan, Sandra participou da organização de respostas diretas à crise sanitária, incluindo iniciativas voltadas ao diagnóstico molecular e à vigilância do vírus. 

A pesquisa passou a operar em tempo real, com impacto direto sobre decisões em saúde pública. Foi nesse contexto em que ela contraiu covid-19, mantendo-se em isolamento enquanto acompanhava as atividades do instituto, em um momento em que a ciência se consolidava como ferramenta central no enfrentamento da crise. 

Mulher e cientista 

Ao longo dessa trajetória, a presença feminina na ciência aparece como parte do caminho que Sandra precisou sustentar. No Brasil, a participação de mulheres em publicações científicas passou de 38%, em 2002, para 49%, em 2022, segundo relatório da Agência Bori e da Elsevier. Ainda assim, a desigualdade persiste nos espaços de liderança: em 2023, elas ocupavam 45,6% dos grupos de pesquisa, com menor presença em áreas científicas e tecnológicas. 

Sandra reconhece esse peso no próprio percurso. “Tem, sim. Eu tenho uma família extremamente contributiva. Meu marido sempre me deu muito apoio. Mas, nitidamente, você está dobrando sua responsabilidade”, afirma. 

Leia Também:  Inscrições para Seminário Pró-Amazônia e Instrumentos de Incentivo à Inovação no Acre estão abertas

Ao assumir a direção científica, passou a acumular gestão, produção científica, formação de pesquisadores e captação de recursos. “Eu não posso deixar de ser cientista. Eu não posso deixar de formar pessoas. Eu não posso deixar de recrutar recursos”, resume. 

A maternidade atravessou esse processo. Para sustentar todas as frentes, precisou reorganizar a rotina. “Eu tive que sucumbir o meu tempo de casa para não deixar os pratinhos caírem”, diz. 

A trajetória, no entanto, não foi solitária. Sandra destaca a importância de uma rede de apoio formada por outras mulheres, desde referências no início da carreira até o apoio da mãe, Valéria, e de pesquisadoras e familiares. Mesmo com reconhecimento, as diferenças de tratamento ainda aparecem. “Existem posições que você toma que, se eu fosse homem, seriam acatadas e ovacionadas. Por eu ser mulher, elas são ouvidas e primeiro racionalizadas.” 

Instituída em 2004 por decreto do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) é realizada anualmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com universidades, instituições de pesquisa, agências de fomento, escolas, museus, governos locais, empresas e entidades da sociedade civil. Em 2026, ao adotar como tema as Mulheres e Meninas na Ciência, a iniciativa reforça a centralidade de trajetórias como as de Sandra — pesquisadora cujos trabalhos demonstram, na prática, como a produção científica liderada por mulheres amplia o impacto social da ciência, conecta conhecimento às necessidades da população e contribui para a construção de um sistema científico mais diverso e representativo.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

política mt

mato grosso

policial

PICANTES

MAIS LIDAS DA SEMANA