REPERCUSSÃO NAS REDES
Moraes concentra críticas nas redes, mas desgaste recua após sessão do STF
Levantamento em mais de 100 mil grupos públicos e plataformas digitais aponta redistribuição das críticas entre ministros; julgamento ligado ao caso Banco Master foi suspenso após pedido de vista de Flávio Dino

A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada nesta terça-feira (15) provocou forte repercussão nas redes sociais. Alexandre de Moraes continua sendo o ministro mais citado negativamente nas discussões monitoradas, mas o volume de críticas direcionadas a ele diminuiu após os debates no plenário.
Os dados são de um levantamento da Palver, empresa especializada em inteligência de narrativas, que analisou conversas em mais de 100 mil grupos públicos de aplicativos de mensagens, além de manifestações no X, Instagram, TikTok e outras plataformas.
Entre os usuários que direcionaram críticas a algum integrante da Corte, Moraes apareceu em uma faixa de 60% a 72%, dependendo da rede analisada. Apesar de permanecer como o principal alvo, os números mostram redução das manifestações negativas após a sessão.
Na comparação entre os períodos anterior e posterior ao julgamento, o indicador de críticas a Moraes caiu 15% nos aplicativos de mensagens, 9% no X, 11% no Instagram e 19% no TikTok. Paralelamente, manifestações em sua defesa aumentaram em proporção semelhante, segundo o levantamento.
Críticas se espalham pela Corte
O movimento observado após a sessão não representou o desaparecimento das críticas, mas uma distribuição maior delas entre outros integrantes do Supremo e a própria instituição.
O STF, considerado institucionalmente, apareceu como alvo de críticas de 40% a 55% dos usuários, dependendo da plataforma. André Mendonça foi o segundo ministro mais criticado, aparecendo em uma faixa de 31% a 42%.
Gilmar Mendes apresentou aumento nas manifestações negativas depois da sessão, com alta de 30% no Instagram, 20% no TikTok e 12% nos aplicativos de mensagens. Já Edson Fachin, presidente da Corte, registrou redução nas manifestações em sua defesa. Flávio Dino foi o único ministro que, segundo a análise, apresentou melhora nos dois indicadores acompanhados.
Sessão termina sem definição
A repercussão ocorreu após uma sessão marcada por divergências entre os ministros em torno de duas petições relacionadas ao caso Banco Master.
O Supremo discutia uma questão de ordem para decidir se deveriam tramitar conjuntamente duas petições: uma referente a relatório da Polícia Federal relacionado a Moraes e outra baseada em relatório de inteligência da PF que sugere possíveis irregularidades na condução do caso Master por André Mendonça. O mérito das petições não chegou a ser analisado.
Antes da interrupção, o placar provisório estava em 4 votos a 3 pela manutenção dos casos separados. Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela análise separada. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam a tramitação conjunta. Dino havia manifestado posição favorável à análise conjunta, mas pediu que seu voto não fosse contabilizado após solicitar vista.
O pedido de vista suspendeu a discussão. Segundo o STF, até aquele momento o plenário analisava apenas a questão processual sobre a reunião das duas petições, sem entrar no mérito das acusações ou apurações envolvendo os ministros.
Reflexo eleitoral aparece limitado no levantamento
Apesar da intensa repercussão política, os dados analisados pela Palver indicam que as discussões sobre a crise no Supremo tiveram conexão limitada com declarações sobre a disputa presidencial.
Dependendo da plataforma, entre 1% e 6% das conversas monitoradas sobre o episódio mencionaram voto ou eleição presidencial. Entre as publicações que fizeram essa associação, a maior parcela reforçava escolhas eleitorais já existentes. O grupo que dizia estar reconsiderando o voto representou entre 8% e 19% desse subconjunto de conversas eleitorais.
Os números retratam apenas as conversas públicas monitoradas pela empresa nas plataformas analisadas e, portanto, não equivalem a uma pesquisa de intenção de voto nem representam necessariamente a opinião do conjunto da população brasileira.
STF
Lindbergh protocola no STF pedido para bloquear R$ 72 milhões em bens de Flávio Bolsonaro
Deputado pede bloqueio do patrimônio do senador e relaciona medida às apurações envolvendo recursos da RioPrevidência e o financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro; Flávio nega irregularidades
O vice-líder do governo na Câmara, deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), protocolou nesta quarta-feira (16) no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para bloquear até R$ 72 milhões em bens do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O valor apontado pelo parlamentar está relacionado aos recursos destinados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A RioPrevidência, responsável pela administração dos recursos previdenciários dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, realizou mais de R$ 3,6 bilhões em aplicações ligadas ao Banco Master.
Segundo Lindbergh, parte do dinheiro teria sido encaminhada ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas e relacionado a pessoas próximas ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
O parlamentar sustenta que os recursos destinados ao filme podem ter relação com os investimentos realizados pela RioPrevidência. No entanto, conforme as informações disponíveis, não foram apresentadas provas que estabeleçam essa associação.
Pedido busca preservar patrimônio
De acordo com o pedido apresentado ao Supremo, o bloqueio teria como objetivo preservar o patrimônio de Flávio Bolsonaro para uma eventual indenização aos servidores aposentados do Rio de Janeiro.
Lindbergh também citou imóveis pertencentes ao senador e afirmou que as investigações deverão esclarecer se existe ligação entre os recursos da RioPrevidência, Daniel Vorcaro e o dinheiro enviado aos Estados Unidos.
As alegações apresentadas pelo deputado ainda dependem de apuração e análise das autoridades competentes.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades
Flávio Bolsonaro confirmou anteriormente ter procurado Daniel Vorcaro para captar recursos destinados ao financiamento do filme, mas nega qualquer irregularidade na operação.
O senador afirma que os valores correspondem a um investimento privado em uma produção também privada. Ele sustenta ainda que não recebeu vantagens indevidas nem ofereceu contrapartidas ao ex-banqueiro.
O pedido apresentado por Lindbergh agora deverá ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal.
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