ELEIÇÕES 2026 | REPRESENTATIVIDADE
Candidata a vice de Pivetta percorreu municípios de Mato Grosso e defendeu ampliação da rede de proteção e maior presença feminina em cargos de liderança
Candidata percorreu diferentes regiões de Mato Grosso e apresentou propostas relacionadas à proteção feminina e à participação das mulheres na administração pública
A candidata a vice-governadora Gisela Simona (União), que integra a chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos), chega à reta final das eleições de Mato Grosso com uma agenda de campanha marcada por pautas relacionadas às mulheres, especialmente no enfrentamento à violência e à ampliação da participação feminina nos espaços de decisão.
Anunciada como candidata a vice em agosto, Gisela passou a incorporar à campanha propostas relacionadas à presença feminina na administração pública e à ampliação das estruturas de proteção às mulheres. Caso seja eleita, será a segunda mulher a ocupar a vice-governadoria de Mato Grosso, depois de Iraci França, que exerceu o cargo entre 2003 e 2007.
Entre os principais compromissos apresentados está a ampliação da rede de proteção às mulheres, com atendimento especializado, capacitação de servidores e protocolos destinados a reduzir diferenças no atendimento às vítimas entre os municípios. Também estão entre as propostas mencionadas o fortalecimento da Patrulha Maria da Penha, delegacias virtuais, ampliação da Casa da Mulher Brasileira, canais de denúncia e atendimento humanizado.
Um dos eventos que marcou essa agenda ocorreu em 31 de agosto, no Cenarium Rural, em Cuiabá. A reunião “10Elas” reuniu mais de 2 mil mulheres de municípios como Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antônio de Leverger, Alto Garças, Barão de Melgaço e Campo Verde.
Durante o encontro, Pivetta assumiu a meta de alcançar 50% de mulheres em cargos de chefia e liderança na administração estadual em um eventual novo mandato. A proposta também aparece no plano de governo da chapa.
A agenda também foi levada ao interior. Em Rondonópolis, Gisela participou de um encontro com cerca de 2 mil mulheres, ao lado da primeira-dama Alessandra Ferreira, além de lideranças políticas e comunitárias. Em Primavera do Leste, esteve na abertura das ações do Outubro Rosa, ao lado da vice-prefeita Iva Viana, da primeira-dama Selma Martignago Machnie e de outras mulheres.
As ações do Outubro Rosa foram voltadas à conscientização sobre prevenção, autocuidado e diagnóstico precoce do câncer de mama. Segundo a publicação, a mobilização também homenageou Iva Viana, que passou por tratamento contra o câncer e participou do tradicional toque do sino da vitória.
Na reta final da campanha, a candidata também reforçou a defesa de estruturas permanentes de atendimento às mulheres nos municípios. A proposta inclui organismos específicos para políticas voltadas ao público feminino e mecanismos para que o acesso à proteção não dependa do município onde a vítima reside.
A agenda apresentada por Gisela também inclui a ampliação da participação feminina nos espaços de poder. A proposta de 50% de mulheres em cargos de chefia e liderança integra o conjunto de compromissos apresentados pela chapa para um eventual próximo governo.
Com a campanha chegando à votação de domingo (4), a candidatura mantém como um dos eixos de sua atuação a discussão sobre políticas públicas para mulheres, combinando propostas de representatividade na administração estadual com medidas de enfrentamento à violência e ampliação da rede de atendimento.
POLÍTICA MT
Processo sobre suposta venda de sentenças em MT entra na fase de alegações finais após 16 anos
Defesa de um dos réus teve acesso integral ao conteúdo de HD com provas encaminhadas pelo STJ; Ministério Público deverá apresentar memoriais antes da sentença
O processo decorrente da Operação Asafe, deflagrada pela Polícia Federal em 2010 para investigar um suposto esquema de venda de decisões judiciais em Mato Grosso, avançou para a fase de alegações finais, etapa que antecede a sentença.
Em decisão publicada na última terça-feira (29), o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, informou que a defesa do advogado Rodrigo Vieira Komochena teve acesso ao conteúdo integral de um HD encaminhado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O material reúne provas obtidas durante as investigações da operação.
A disponibilização dos arquivos encerrou uma controvérsia relacionada ao acesso da defesa ao material. Com a retirada da mídia contendo a cópia do HD, o magistrado determinou a abertura de prazo para que o Ministério Público apresente os memoriais finais por escrito.
“No curso dessa fase processual, remanesceu controvérsia quanto ao acesso da defesa de Rodrigo Vieira Komochena à integralidade do conteúdo do HD encaminhado pelo Superior Tribunal de Justiça. Cumprida a determinação, a defesa retirou a mídia contendo a cópia integral do conteúdo do HD. Em prosseguimento, abra-se vista ao Ministério Público para apresentação de memoriais finais escritos, no prazo legal”, determinou o juiz.
A Operação Asafe foi deflagrada pela Polícia Federal em 18 de maio de 2010. As investigações apuraram suspeitas envolvendo a negociação de decisões judiciais e alcançaram integrantes do Judiciário de Mato Grosso.
A apuração teve origem em uma investigação anterior sobre tráfico internacional de drogas. Segundo o material do processo, escutas telefônicas obtidas naquela investigação levaram a Polícia Federal a identificar indícios de participação de magistrados em um suposto esquema de influência sobre decisões judiciais.
A operação atingiu três desembargadores e um juiz do Judiciário mato-grossense, além de um jurista ligado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). As apurações haviam começado cerca de três anos antes da deflagração, depois que investigadores da Polícia Federal em Goiás identificaram indícios de atuação de um grupo junto a magistrados de Mato Grosso.
Entre os envolvidos no caso estava o então desembargador Evandro Stábile, que foi condenado, em 2015, a seis anos de prisão em regime fechado. Em abril de 2020, o então presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, determinou a perda do cargo de Stábile, que já havia sido aposentado compulsoriamente.
Com o avanço do processo para a apresentação das alegações finais, o caso entra agora em uma de suas últimas etapas antes da decisão judicial de primeira instância. A ação tramita 16 anos após a deflagração da operação.
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