MORADIA EM DEBATE
Moradores contestam projeto habitacional em área entre bairros de Lucas do Rio Verde
Mobilização questiona implantação de empreendimento de interesse social nos bairros Bandeirantes e Parque das Emas; Prefeitura prevê mais de 850 apartamentos na região

A implantação de um empreendimento habitacional de interesse social provocou reação entre moradores dos bairros Bandeirantes e Parque das Emas, em Lucas do Rio Verde. Conversas compartilhadas em grupos de WhatsApp e uma mobilização convocada para esta sexta-feira (25) mostram questionamentos sobre a localização escolhida para o projeto.
Parte dos moradores afirma que a área destinada ao empreendimento era originalmente prevista como espaço verde e manifesta preocupação com possíveis impactos na estrutura dos bairros e no valor dos imóveis. Em algumas das mensagens divulgadas, também aparecem comentários relacionando a chegada dos futuros moradores a barulho, consumo de bebidas alcoólicas e outros comportamentos atribuídos a bairros populares.
Em uma das conversas compartilhadas, uma pessoa afirma que moradores do Bandeirantes conhecem outras regiões mais populares da cidade e cita “disputa de som mais alto” e “zoeira de boteco, cachaça” como situações que poderiam passar a ocorrer no bairro. As declarações provocaram críticas de outros moradores e usuários das redes sociais, que apontaram preconceito social no teor das manifestações.
Além das discussões sobre o perfil dos futuros moradores, parte do grupo questiona especificamente a destinação da área. Uma moradora relatou que tomou conhecimento do projeto após a publicação de uma lei autorizando a utilização de um espaço que, segundo ela, integrava originalmente o loteamento como área verde.
Ela também afirmou que procurou a 2ª Promotoria, vereadores e a Prefeitura para solicitar esclarecimentos. Segundo o relato, a preocupação envolve a redução dos espaços de convivência disponíveis para crianças e famílias da região.
Uma reunião foi convocada para as 19 horas desta sexta-feira (25), no Pavilhão da Igreja do Bandeirantes, com convite direcionado a moradores dos bairros Bandeirantes e Parque das Emas e a autoridades. A divulgação do encontro sustenta que o local precisa ser preservado e também menciona possível desvalorização dos imóveis.
A discussão ganhou repercussão nas redes sociais e passou a reunir opiniões divergentes. Enquanto alguns moradores defendem que as características urbanísticas e o padrão imobiliário da região justificam questionamentos sobre o empreendimento, outros criticam a tentativa de relacionar habitação popular à perda de qualidade de vida.
Em uma das manifestações contrárias à mobilização, uma internauta destacou as dificuldades enfrentadas por famílias que ainda vivem de aluguel e defendeu a importância do acesso à casa própria. Outro comentário criticou a ideia de que moradores atuais deveriam decidir quem pode ou não residir na região.
De acordo com as informações divulgadas pela Prefeitura de Lucas do Rio Verde, foi aberto chamamento público para selecionar empresas interessadas na construção de aproximadamente 850 a 880 apartamentos de interesse social nos bairros Bandeirantes e Parque das Emas. Para o Bandeirantes, a previsão apresentada é de 338 a 352 unidades.
A administração municipal informou ainda que o empreendimento deverá contar com espaços de lazer, segurança e convivência, além de integração com área verde próxima ao futuro Parque Oeste. As orientações sobre inscrições e critérios para os futuros beneficiários serão divulgadas posteriormente pelos canais oficiais.
ECONOMIA
Operação contra lavagem de dinheiro chega a MT e cumpre mandado em Várzea Grande
Ação investiga estrutura financeira usada na aquisição de distribuidora de combustíveis; Receita Federal aponta circulação de recursos por fundos, holdings e empresas

Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (24) por órgãos de fiscalização e segurança chegou a Mato Grosso com o cumprimento de mandado de busca e apreensão em endereço ligado à investigação em Várzea Grande. A ofensiva é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e apura indícios de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e dissimulação da origem de recursos utilizados na aquisição de uma distribuidora de combustíveis.
Segundo a Receita Federal, a ação — denominada Operação Crédito Oculto — cumpre mandados relacionados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas. As diligências ocorrem em sete estados: São Paulo, Mato Grosso, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
As investigações apontam para a utilização de uma estrutura financeira formada por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada. Conforme os investigadores, o objetivo seria criar sucessivas camadas para dificultar a identificação da origem dos recursos e dos beneficiários econômicos envolvidos na aquisição da distribuidora.
Parte da apuração se concentra na circulação de dinheiro por diferentes empresas e contas. A Receita afirma que R$ 100 milhões teriam sido enviados pela organização investigada a uma usina sucroalcooleira para financiar a aquisição. Os valores teriam passado, em poucos minutos, por contas de empresas ligadas ao grupo antes de chegar à usina.
Posteriormente, segundo a investigação, os recursos foram inseridos em um fundo de investimento e utilizados em uma estrutura envolvendo operações bancárias e empresas que os investigadores apontam como de fachada. Fundos imobiliários também teriam sido utilizados para concentrar imóveis e dificultar a identificação dos proprietários efetivos dos bens.
A investigação também apura a atuação de operadores do mercado financeiro. De acordo com a Receita, uma das empresas financeiras analisadas movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para os investigadores, o volume, associado aos demais elementos reunidos, reforça os indícios de uso de estruturas financeiras para ocultação patrimonial e lavagem de capitais.
A operação conta com participação da Receita Federal, Gaeco, Secretaria da Fazenda de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e polícias Civil e Militar, além do apoio dos Gaecos dos estados onde são realizadas as diligências.
As apurações continuam, e as suspeitas descritas fazem parte da investigação em andamento, não representando condenação dos citados.
-
MATO GROSSO5 dias atrásEx-funcionária da câmara de Sinop relata assédio, ameaças e gravações não consentidas envolvendo vereador Marcos Vinícius
-
TCE MT3 dias atrásCrise no TCE-MT se agrava após confronto entre conselheiros e Sérgio Ricardo
-
MATO GROSSO4 dias atrásConselheiros do TCE-MT publicam nota de solidariedade a Waldir Júlio Teis após exoneração da Escola Superior de Contas
-
MATO GROSSO4 dias atrásJustiça determina retorno de seis servidores afastados por suspeita de fraude em concurso em MT
-
POLICIAL5 dias atrásHomem escapa de agressão e polícia prende quatro suspeitos de possível “tribunal do crime” em Cáceres
-
MATO GROSSO3 dias atrásPGR cobra novamente manifestação de MT sobre bens oferecidos por Silval para quitar delação
-
POLICIAL3 dias atrásGrávida é condenada após apresentar cinco atestados médicos falsos em Cuiabá
-
MATO GROSSO4 dias atrás
Wellington propõe avanço da bioenergia com foco em empregos e industrialização de MT
