ASSÉDIO MORAL, HUMILHAÇÕES E IRREGULARIDADES

Exclusivo: Denúncia Aponta Abusos, Irregularidades e Suposta Coação em Paróquias da Diocese de Barra do Garças

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Uma denúncia formal encaminhada às instâncias superiores da Igreja Católica e na polícia civil e federal, expõe uma série de acusações graves envolvendo um sacerdote que atua na Diocese de Barra do Garças (MT).

O documento, com dezenas de páginas, detalha supostos episódios de abuso espiritual, assédio moral, constrangimento público, irregularidades administrativas e possível intimidação de fiéis e colaboradores.

A reportagem teve acesso ao conteúdo da denúncia, que reúne relatos, prints de mensagens, comprovantes financeiros, áudios e testemunhos de membros das comunidades paroquiais de Ponte Branca, Araguainha e Ribeirãozinho.

Segundo o material, os fatos teriam ocorrido ao longo de mais de um ano de convivência entre o sacerdote e um então seminarista que realizava estágio pastoral na região.

Relatos de Humilhação e Abuso Psicológico

De acordo com o documento, o denunciante afirma ter sido submetido a práticas sistemáticas de humilhação, isolamento e constrangimento, inclusive durante celebrações religiosas e em grupos de mensagens.

Entre os episódios relatados estão supostas restrições, tratamento degradante, imposição de tarefas sem relação pastoral, além de correções públicas consideradas vexatórias por fiéis.

O material também aponta que o seminarista teria desenvolvido problemas de saúde em decorrência do ambiente descrito como “hostil e intimidatório”, chegando a ir duas vezes a UTI.

Suspeitas de Irregularidades Financeiras

A denúncia também levanta questionamentos sobre a gestão financeira das paróquias. Segundo os relatos, valores provenientes de dízimos, doações e eventos teriam sido movimentados em contas pessoais, sem o devido controle institucional.

Há ainda menção a supostos acordos informais envolvendo repasses indiretos de recursos públicos, por meio de terceiros, para custear atividades paroquiais — prática que, se confirmada, pode configurar irregularidade administrativa.

Documentos anexados indicariam falhas na prestação de contas e ausência de transparência na destinação dos recursos.

Ambiente de Medo e Silenciamento

Outro ponto central da denúncia é a suposta criação de um ambiente de intimidação. Fiéis e colaboradores teriam evitado formalizar reclamações por receio de retaliações.

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Segundo o texto, o sacerdote teria afirmado, em diferentes ocasiões, que denúncias ao bispo não resultariam em punições, visto que ele era o coordenador de pastoral e qualquer problema na diocese, o bispo mandaria ele resolver, reforçando a percepção de proteção institucional.

Ex-integrantes das pastorais ouvidos pela reportagem, sob condição de anonimato, confirmaram que havia “medo de falar” e “receio de exposição pública”.

Episódio Envolve Suposta Solicitação de Massagem

Um dos trechos mais delicados da denúncia refere-se a um episódio envolvendo um ex-acólito da paróquia. De acordo com o documento e áudios obtidos pela nossa reportagem, o sacerdote teria sugerido o pagamento para que o jovem realizasse massagens em seus pés, quando eles estavam na casa paroquial.

O relato é acompanhado da indicação de existência de um áudio, anexado ao processo, no qual a proposta é mencionada. O material, segundo o denunciante, foi encaminhado às autoridades eclesiásticas e civis para apuração.

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que, caso confirmada, a conduta pode configurar violação grave dos princípios éticos e pastorais da Igreja, além de possível abuso de autoridade espiritual.

Interferência em Atendimentos Pastorais

O documento aponta ainda episódios em que fiéis em situação de vulnerabilidade emocional não teriam recebido acompanhamento adequado. Em um dos casos, um jovem com ideação suicida teria tido o atendimento interrompido por exigência do sacerdote.

Há também relatos de recusa em realizar ritos religiosos, decisões pastorais contestadas e falas consideradas ofensivas durante homilias.

Especialistas consultados pela reportagem afirmam que esse tipo de conduta, se comprovada, fere princípios fundamentais da prática pastoral.

Possível Coação de Colaboradores

A denúncia inclui áudios e mensagens que indicariam tentativa de indução de funcionários e agentes pastorais a assumirem responsabilidades por irregularidades.

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Em um dos episódios, uma agente de pastoral teria sido pressionada a gravar mensagens isentando o sacerdote.

Diocese Tinha Conhecimento da Denúncia Desde Setembro

Documentos analisados pela reportagem indicam que a Diocese de Barra do Garças tomou conhecimento formal das denúncias ainda no mês de setembro, quando o material foi protocolado e encaminhado às instâncias competentes.

Apesar da gravidade das acusações, o sacerdote não foi afastado de suas funções de forma cautelar. Pelo contrário, meses depois, ele foi nomeado e empossado em uma nova paróquia da Diocese.

Especialistas em Direito Canônico explicam que, em casos que envolvem suspeitas consistentes de abuso, assédio ou irregularidades administrativas, é recomendável a adoção de medidas preventivas, como o afastamento temporário do investigado, justamente para proteger possíveis vítimas e preservar a integridade das investigações.

A decisão de mantê-lo em atividade pastoral e promovê-lo para uma nova comunidade levanta questionamentos sobre a condução interna do caso e o compromisso institucional com a transparência.

A reportagem solicitou posicionamento da Diocese e aguarda resposta.

Processo de Apuração e Repercussão

Após o envio da denúncia, o caso passou a ser analisado por instâncias superiores da Igreja. Internamente, houve reuniões e relatórios, culminando no desligamento do seminarista do processo formativo — decisão que ele afirma ter sido resultado de retaliação do próprio padre.

O sacerdote citado não respondeu aos pedidos de entrevista até o fechamento desta reportagem.

Comunidade Divide Opiniões

Nas cidades afetadas, o caso provocou repercussão. Parte dos fiéis defende a apuração rigorosa, enquanto outros manifestam apoio ao sacerdote.

“Queremos a verdade. A Igreja precisa ser um espaço seguro”, afirmou uma agente pastoral.

Transparência e Responsabilização

Especialistas em governança eclesial destacam que episódios como esse reforçam a necessidade de mecanismos externos de controle, canais independentes de denúncia e proteção às vítimas.

A reportagem seguirá acompanhando o caso e continuará ouvindo as partes envolvidas.

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GERAL

Deputada Gisela propõe delegacias virtuais e aplicativo para ampliar proteção às mulheres em MT

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Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a deputada federal Gisela Simona (União) elevou esta semana o debate sobre a responsabilidade do poder público na proteção à vida das mulheres, ao defender a criação de delegacias virtuais como uma resposta eficaz à lacuna estrutural que hoje expõe milhares de mulheres, vítimas de violência. Uma medida concreta e de aplicação imediata, de acordo com a parlamentar, enquanto o Estado não implanta delegacias especializadas com atendimento 24 horas em todas as regiões.

A proposta foi apresentada durante Reunião Ordinária da Câmara Setorial Temática que estuda o enfrentamento ao feminicídio no Legislativo estadual.

Para a parlamentar, a ampliação das Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher permanece como meta inegociável, mas a realidade territorial do Estado, exige alternativas pragmáticas e tecnológicas. E inspirando-se em modelos já consolidados, como a telemedicina no Sistema Único de Saúde, Gisela argumentou que o atendimento remoto 24 horas pode assegurar acolhimento inicial, registro de ocorrência, orientação jurídica e encaminhamento à rede de proteção, especialmente em municípios onde não há estrutura física permanente. “Não se trata de substituir a luta por mais delegacias presenciais, mas de garantir que nenhuma mulher fique sem atendimento enquanto essa estrutura não chega”, pontuou.

A defesa da medida ocorre em meio a dados alarmantes inseridos no relatório preliminar da Câmara Setorial. O levantamento aponta que Mato Grosso registra taxa proporcional de feminicídio superior à média nacional. Assim, enquanto o Brasil apresenta cerca de 1,6 mortes a cada 100 mil mulheres, o estado atinge aproximadamente 2,7 por 100 mil. Entre 2022 e 2025, 195 mulheres foram assassinadas por companheiros ou ex-companheiros; 161 delas não possuíam medida protetiva ativa e 18 estavam sob proteção judicial no momento do crime, evidenciando as fragilidades existentes na articulação da rede.

O levantamento elaborado a partir de dados oficiais da segurança pública, do Observatório Caliandra, do Relatório Nacional da Segurança Pública, da Rede de Proteção às Mulheres e de auditoria do Tribunal de Contas do Estado, também revela subexecução orçamentária, ausência de planejamento intersetorial e descoordenação institucional em grande parte das cidades mato-grossenses.

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Hoje, Mato Grosso possui apenas oito Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher, com atendimento 24 horas restrito à capital. E a Patrulha Maria da Penha dispõe de 45 núcleos para atender 111 municípios, cenário que demonstra sobrecarga e desigualdade territorial no acesso à proteção.

Líder da bancada feminina do União Brasil na Câmara dos Deputados, Gisela Simona tem concentrado sua atuação em Brasília na consolidação de protocolos nacionais que padronizem o atendimento às vítimas, reforçando que a mulher que denuncia agressão não pode depender da maior ou menor estrutura de seu município. A referência é a própria Lei Maria da Penha, que estabelece diretrizes claras para prevenção, assistência e proteção, mas cuja efetividade ainda esbarra na implementação desigual.

Durante a reunião, a parlamentar também anunciou a destinação de quase R$ 1 milhão em emendas para salas de atendimento às mulheres vítimas de violência e viaturas da Patrulha Maria da Penha. Podendo ser construído – nos espaços que receberem os recursos -, um suporte tecnológico para viabilizar o atendimento remoto.

A deputada também reforçou a necessidade do fortalecimento das Patrulhas Maria da Penha, com maior presença feminina nas equipes. Assim, sugeriu arranjos jurídicos que permitam a convocação de mulheres aprovadas em cadastro de reserva nos seletivos da segurança pública, ampliando o efetivo nos municípios que ainda não contam com policiais capacitadas para esse tipo de abordagem.

Igualmente propondo a criação de um aplicativo estadual integrado, capaz de reunir informações sobre delegacias, defensoria, rede de saúde, assistência social e medidas protetivas, utilizando inteligência artificial para agilizar triagens, orientar vítimas e monitorar situações de risco. A digitalização da rede, segundo ela, não é inovação futurista, mas necessidade urgente diante do crescimento da violência de gênero.

Entenda o levantamento

Ainda está contido no relatório que a maioria das vítimas tem entre 20 e 49 anos e que grande parte era mãe, ampliando o impacto social dos crimes. Há também um claro recorte racial que indica predominância de mulheres pardas ou pretas entre as vítimas, embora cerca de 35% dos registros não apresentem identificação racial, o que dificulta políticas públicas direcionadas.

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Municípios como Cáceres, Lucas do Rio Verde, Sinop e Sorriso aparecem entre os que registram índices proporcionais mais elevados. Mesmo Cuiabá, única cidade com delegacia 24 horas, mantém taxa acima da média estadual, demonstrando que a estrutura existente ainda não é suficiente para conter a escalada da violência.

Ao defender que o relatório final reconheça tanto as falhas quanto o esforço de servidores que atuam na linha de frente, Gisela fez questão de apontar o trabalho realizado pela Defensoria Pública, especialmente na área rural, buscando equilibrar o diagnóstico, ao não esquecer da valorização institucional. Para ela, o enfrentamento ao feminicídio exige crítica responsável, mas também integração e reconhecimento de boas práticas.

Com audiências públicas previstas antes da consolidação do documento final, a deputada federal ainda frisou que este é o momento de construir soluções concretas. “Precisamos sair do diagnóstico e avançar para mecanismos que entreguem resultado imediato”.

A Câmara Setorial Temática de Enfrentamento ao Feminicídio da Assembleia Legislativa é presidida pela suplente de deputada estadual, Edna Sampaio e tem como vice-presidente, a defensora pública e coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública, Rosana Leite. Também integram a executiva, Karime Oliveira Dogan, representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso; Sheila Klener, suplente de deputada pelo PSDB; e Claire Vogel Dutra, promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e do Observatório Caliandra, deputada Gisela Simona, líder da bancada feminina do União Brasil, na Câmara Federal, além de servidoras dos três poderes e representantes de instituições e organizações da sociedade civil.

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