CÂMARA FEDERAL

Deputada defende presença do consumidor em decisões de agências que regulam serviços federais

A deputada federal Gisela Simona (União Brasil) afirmou em recente entrevista à Rádio Cuiabana FM, que uma de suas principais frentes de atuação na Câmara dos Deputados tem sido garantir a representação efetiva dos consumidores nos conselhos e diretorias das agências reguladoras federais.

Uma iniciativa que busca corrigir um desequilíbrio histórico que, segundo ela, favorece o setor regulado em detrimento dos direitos do cidadão.

Reconhecida nacionalmente como ‘Gisela do Procon’, em razão de sua longa trajetória à frente da defesa do consumidor em Mato Grosso, primeiro como superintendente e depois como dirigente do órgão, a parlamentar pretende deixar como um dos principais legados de seu mandato a aprovação de uma medida que assegure a presença do consumidor nos espaços decisórios das agências reguladoras.

A proposta alcança órgãos estratégicos como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsáveis por regular serviços essenciais que impactam diretamente a vida cotidiana da população brasileira.

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À imprensa, Gisela tem reiterado a urgência da iniciativa. “Algo que eu tenho defendido com muita ênfase dentro da Câmara dos Deputados é a necessidade de garantir a representação do consumidor em todos os órgãos reguladores do nosso país”, afirma.

A crítica central da deputada é que sem a participação direta da sociedade, as decisões desses colegiados tendem a refletir prioritariamente os interesses da indústria e do mercado. Para ela, o consumidor permanece, na prática, como o elo mais frágil da cadeia regulatória.

“O resultado desse desequilíbrio está escancarado no dia a dia da população. Basta observar o alto volume de reclamações não resolvidas e a crescente judicialização de conflitos registrados nos Procons de todo o Brasil”, pontua a parlamentar.

Nesse contexto, a inclusão de representantes dos consumidores nos conselhos gestores das agências reguladoras federais é vista por Gisela Simona como um instrumento essencial para qualificar o processo decisório, ampliando o controle social e garantindo maior equilíbrio entre os interesses econômicos e os direitos do cidadão.

O tema ganha ainda mais relevância diante do atual cenário de privatização e concessão de serviços públicos, no qual a fiscalização, a transparência e a defesa do usuário final precisam ser fortalecidas.

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Caso aprovada, a proposta tende a se consolidar como um marco na legislação de defesa do consumidor, redefinindo a relação entre Estado, mercado e sociedade. Mais do que isso, permitirá que a voz de quem utiliza os serviços públicos e regulados seja ouvida antes que os conflitos cheguem ao Judiciário, contribuindo para soluções mais eficientes, democráticas e alinhadas ao interesse público.

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GERAL

Deputada Gisela propõe delegacias virtuais e aplicativo para ampliar proteção às mulheres em MT

Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a deputada federal Gisela Simona (União) elevou esta semana o debate sobre a responsabilidade do poder público na proteção à vida das mulheres, ao defender a criação de delegacias virtuais como uma resposta eficaz à lacuna estrutural que hoje expõe milhares de mulheres, vítimas de violência. Uma medida concreta e de aplicação imediata, de acordo com a parlamentar, enquanto o Estado não implanta delegacias especializadas com atendimento 24 horas em todas as regiões.

A proposta foi apresentada durante Reunião Ordinária da Câmara Setorial Temática que estuda o enfrentamento ao feminicídio no Legislativo estadual.

Para a parlamentar, a ampliação das Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher permanece como meta inegociável, mas a realidade territorial do Estado, exige alternativas pragmáticas e tecnológicas. E inspirando-se em modelos já consolidados, como a telemedicina no Sistema Único de Saúde, Gisela argumentou que o atendimento remoto 24 horas pode assegurar acolhimento inicial, registro de ocorrência, orientação jurídica e encaminhamento à rede de proteção, especialmente em municípios onde não há estrutura física permanente. “Não se trata de substituir a luta por mais delegacias presenciais, mas de garantir que nenhuma mulher fique sem atendimento enquanto essa estrutura não chega”, pontuou.

A defesa da medida ocorre em meio a dados alarmantes inseridos no relatório preliminar da Câmara Setorial. O levantamento aponta que Mato Grosso registra taxa proporcional de feminicídio superior à média nacional. Assim, enquanto o Brasil apresenta cerca de 1,6 mortes a cada 100 mil mulheres, o estado atinge aproximadamente 2,7 por 100 mil. Entre 2022 e 2025, 195 mulheres foram assassinadas por companheiros ou ex-companheiros; 161 delas não possuíam medida protetiva ativa e 18 estavam sob proteção judicial no momento do crime, evidenciando as fragilidades existentes na articulação da rede.

O levantamento elaborado a partir de dados oficiais da segurança pública, do Observatório Caliandra, do Relatório Nacional da Segurança Pública, da Rede de Proteção às Mulheres e de auditoria do Tribunal de Contas do Estado, também revela subexecução orçamentária, ausência de planejamento intersetorial e descoordenação institucional em grande parte das cidades mato-grossenses.

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Hoje, Mato Grosso possui apenas oito Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher, com atendimento 24 horas restrito à capital. E a Patrulha Maria da Penha dispõe de 45 núcleos para atender 111 municípios, cenário que demonstra sobrecarga e desigualdade territorial no acesso à proteção.

Líder da bancada feminina do União Brasil na Câmara dos Deputados, Gisela Simona tem concentrado sua atuação em Brasília na consolidação de protocolos nacionais que padronizem o atendimento às vítimas, reforçando que a mulher que denuncia agressão não pode depender da maior ou menor estrutura de seu município. A referência é a própria Lei Maria da Penha, que estabelece diretrizes claras para prevenção, assistência e proteção, mas cuja efetividade ainda esbarra na implementação desigual.

Durante a reunião, a parlamentar também anunciou a destinação de quase R$ 1 milhão em emendas para salas de atendimento às mulheres vítimas de violência e viaturas da Patrulha Maria da Penha. Podendo ser construído – nos espaços que receberem os recursos -, um suporte tecnológico para viabilizar o atendimento remoto.

A deputada também reforçou a necessidade do fortalecimento das Patrulhas Maria da Penha, com maior presença feminina nas equipes. Assim, sugeriu arranjos jurídicos que permitam a convocação de mulheres aprovadas em cadastro de reserva nos seletivos da segurança pública, ampliando o efetivo nos municípios que ainda não contam com policiais capacitadas para esse tipo de abordagem.

Igualmente propondo a criação de um aplicativo estadual integrado, capaz de reunir informações sobre delegacias, defensoria, rede de saúde, assistência social e medidas protetivas, utilizando inteligência artificial para agilizar triagens, orientar vítimas e monitorar situações de risco. A digitalização da rede, segundo ela, não é inovação futurista, mas necessidade urgente diante do crescimento da violência de gênero.

Entenda o levantamento

Ainda está contido no relatório que a maioria das vítimas tem entre 20 e 49 anos e que grande parte era mãe, ampliando o impacto social dos crimes. Há também um claro recorte racial que indica predominância de mulheres pardas ou pretas entre as vítimas, embora cerca de 35% dos registros não apresentem identificação racial, o que dificulta políticas públicas direcionadas.

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Municípios como Cáceres, Lucas do Rio Verde, Sinop e Sorriso aparecem entre os que registram índices proporcionais mais elevados. Mesmo Cuiabá, única cidade com delegacia 24 horas, mantém taxa acima da média estadual, demonstrando que a estrutura existente ainda não é suficiente para conter a escalada da violência.

Ao defender que o relatório final reconheça tanto as falhas quanto o esforço de servidores que atuam na linha de frente, Gisela fez questão de apontar o trabalho realizado pela Defensoria Pública, especialmente na área rural, buscando equilibrar o diagnóstico, ao não esquecer da valorização institucional. Para ela, o enfrentamento ao feminicídio exige crítica responsável, mas também integração e reconhecimento de boas práticas.

Com audiências públicas previstas antes da consolidação do documento final, a deputada federal ainda frisou que este é o momento de construir soluções concretas. “Precisamos sair do diagnóstico e avançar para mecanismos que entreguem resultado imediato”.

A Câmara Setorial Temática de Enfrentamento ao Feminicídio da Assembleia Legislativa é presidida pela suplente de deputada estadual, Edna Sampaio e tem como vice-presidente, a defensora pública e coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública, Rosana Leite. Também integram a executiva, Karime Oliveira Dogan, representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso; Sheila Klener, suplente de deputada pelo PSDB; e Claire Vogel Dutra, promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e do Observatório Caliandra, deputada Gisela Simona, líder da bancada feminina do União Brasil, na Câmara Federal, além de servidoras dos três poderes e representantes de instituições e organizações da sociedade civil.

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