SAÍDAS EFICIENTES
Deputada Gisela propõe delegacias virtuais e aplicativo para ampliar proteção às mulheres em MT
Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a deputada federal Gisela Simona (União) elevou esta semana o debate sobre a responsabilidade do poder público na proteção à vida das mulheres, ao defender a criação de delegacias virtuais como uma resposta eficaz à lacuna estrutural que hoje expõe milhares de mulheres, vítimas de violência. Uma medida concreta e de aplicação imediata, de acordo com a parlamentar, enquanto o Estado não implanta delegacias especializadas com atendimento 24 horas em todas as regiões.
A proposta foi apresentada durante Reunião Ordinária da Câmara Setorial Temática que estuda o enfrentamento ao feminicídio no Legislativo estadual.
Para a parlamentar, a ampliação das Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher permanece como meta inegociável, mas a realidade territorial do Estado, exige alternativas pragmáticas e tecnológicas. E inspirando-se em modelos já consolidados, como a telemedicina no Sistema Único de Saúde, Gisela argumentou que o atendimento remoto 24 horas pode assegurar acolhimento inicial, registro de ocorrência, orientação jurídica e encaminhamento à rede de proteção, especialmente em municípios onde não há estrutura física permanente. “Não se trata de substituir a luta por mais delegacias presenciais, mas de garantir que nenhuma mulher fique sem atendimento enquanto essa estrutura não chega”, pontuou.
A defesa da medida ocorre em meio a dados alarmantes inseridos no relatório preliminar da Câmara Setorial. O levantamento aponta que Mato Grosso registra taxa proporcional de feminicídio superior à média nacional. Assim, enquanto o Brasil apresenta cerca de 1,6 mortes a cada 100 mil mulheres, o estado atinge aproximadamente 2,7 por 100 mil. Entre 2022 e 2025, 195 mulheres foram assassinadas por companheiros ou ex-companheiros; 161 delas não possuíam medida protetiva ativa e 18 estavam sob proteção judicial no momento do crime, evidenciando as fragilidades existentes na articulação da rede.
O levantamento elaborado a partir de dados oficiais da segurança pública, do Observatório Caliandra, do Relatório Nacional da Segurança Pública, da Rede de Proteção às Mulheres e de auditoria do Tribunal de Contas do Estado, também revela subexecução orçamentária, ausência de planejamento intersetorial e descoordenação institucional em grande parte das cidades mato-grossenses.
Hoje, Mato Grosso possui apenas oito Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher, com atendimento 24 horas restrito à capital. E a Patrulha Maria da Penha dispõe de 45 núcleos para atender 111 municípios, cenário que demonstra sobrecarga e desigualdade territorial no acesso à proteção.
Líder da bancada feminina do União Brasil na Câmara dos Deputados, Gisela Simona tem concentrado sua atuação em Brasília na consolidação de protocolos nacionais que padronizem o atendimento às vítimas, reforçando que a mulher que denuncia agressão não pode depender da maior ou menor estrutura de seu município. A referência é a própria Lei Maria da Penha, que estabelece diretrizes claras para prevenção, assistência e proteção, mas cuja efetividade ainda esbarra na implementação desigual.
Durante a reunião, a parlamentar também anunciou a destinação de quase R$ 1 milhão em emendas para salas de atendimento às mulheres vítimas de violência e viaturas da Patrulha Maria da Penha. Podendo ser construído – nos espaços que receberem os recursos -, um suporte tecnológico para viabilizar o atendimento remoto.
A deputada também reforçou a necessidade do fortalecimento das Patrulhas Maria da Penha, com maior presença feminina nas equipes. Assim, sugeriu arranjos jurídicos que permitam a convocação de mulheres aprovadas em cadastro de reserva nos seletivos da segurança pública, ampliando o efetivo nos municípios que ainda não contam com policiais capacitadas para esse tipo de abordagem.
Igualmente propondo a criação de um aplicativo estadual integrado, capaz de reunir informações sobre delegacias, defensoria, rede de saúde, assistência social e medidas protetivas, utilizando inteligência artificial para agilizar triagens, orientar vítimas e monitorar situações de risco. A digitalização da rede, segundo ela, não é inovação futurista, mas necessidade urgente diante do crescimento da violência de gênero.
Entenda o levantamento
Ainda está contido no relatório que a maioria das vítimas tem entre 20 e 49 anos e que grande parte era mãe, ampliando o impacto social dos crimes. Há também um claro recorte racial que indica predominância de mulheres pardas ou pretas entre as vítimas, embora cerca de 35% dos registros não apresentem identificação racial, o que dificulta políticas públicas direcionadas.
Municípios como Cáceres, Lucas do Rio Verde, Sinop e Sorriso aparecem entre os que registram índices proporcionais mais elevados. Mesmo Cuiabá, única cidade com delegacia 24 horas, mantém taxa acima da média estadual, demonstrando que a estrutura existente ainda não é suficiente para conter a escalada da violência.
Ao defender que o relatório final reconheça tanto as falhas quanto o esforço de servidores que atuam na linha de frente, Gisela fez questão de apontar o trabalho realizado pela Defensoria Pública, especialmente na área rural, buscando equilibrar o diagnóstico, ao não esquecer da valorização institucional. Para ela, o enfrentamento ao feminicídio exige crítica responsável, mas também integração e reconhecimento de boas práticas.
Com audiências públicas previstas antes da consolidação do documento final, a deputada federal ainda frisou que este é o momento de construir soluções concretas. “Precisamos sair do diagnóstico e avançar para mecanismos que entreguem resultado imediato”.
A Câmara Setorial Temática de Enfrentamento ao Feminicídio da Assembleia Legislativa é presidida pela suplente de deputada estadual, Edna Sampaio e tem como vice-presidente, a defensora pública e coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública, Rosana Leite. Também integram a executiva, Karime Oliveira Dogan, representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso; Sheila Klener, suplente de deputada pelo PSDB; e Claire Vogel Dutra, promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e do Observatório Caliandra, deputada Gisela Simona, líder da bancada feminina do União Brasil, na Câmara Federal, além de servidoras dos três poderes e representantes de instituições e organizações da sociedade civil.
GERAL
Deputada Gisela alerta sobre álcool e violência no Carnaval e pede respeito ao protocolo ‘Não é Não’
À jornalistas, em Brasília, a deputada Gisela Simona – lider da bancada feminina do União Brasil na Câmara Federal -, fez um alerta contundente às mulheres e à sociedade brasileira sobre os riscos da violência de gênero, especialmente no contexto do Carnaval. Lembrando, em específico, do protocolo “Não é Não”, lei 14.786, de 2023, como ferramenta essencial de proteção e de combate ao assédio e à violência sexual. A afirmação veio após sua participação esta semana no Programa Expressão Nacional da TV Câmara, quando a parlamentar reforçou a importância do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.
“Estamos em pleno Carnaval, período em que as pessoas se soltam, se encontram, celebram de forma mais espontânea, festiva e, por vezes, transgressora em relação ao seu cotidiano. Contudo, é um tempo em que precisamos reafirmar algo de fundamental importância: o respeito absoluto aos limites e à dignidade das mulheres. O protocolo ‘Não é Não’ existe para isso, para lembrar que importunação sexual é crime”.
Pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e divulgada nesta última quarta-feira (11), comprova o posicionamento da deputada, ao apontar que quase metade das mulheres brasileiras (47%) já sofreram alguma forma de assédio sexual no carnaval e 80% delas têm medo de passarem por alguma experiência do tipo. Além disso, 86% dos entrevistados concordam que o assédio ainda existe no Carnaval. O levantamento foi realizado com 1503 pessoas com mais de 18 anos, em todo o país.
Sob este contexto, a deputada ainda alerta que como a Folia frequentemente vem acompanhada da ingestão de bebidas alcoólicas, os cuidados de prevenção precisam ser redobrados. Visto que uma parcela significativa dos casos de violência de gênero envolve consumo de álcool pelo agressor. E que dados comprovam que a bebida aparece com frequência como fator associado aos feminicídios. ‘Ou seja, o álcool é um agravante nesse contexto de violência contra as mulheres. Assim, à menor possibilidade de risco procure ajuda’.
O protocolo ‘Não é Não’ vem sendo difundido como instrumento de cultura de respeito e de prevenção em ambientes públicos, como bares, restaurantes e eventos populares, agora incluindo as festas de Carnaval. A legislação reforça que nenhuma festa, folia ou celebração pode ser espaço de tolerância ao assédio ou à violência sexual.
Em sua participação no programa Expressão Nacional, na TV Câmara, onde debateu o pacto, a deputada comentou que a ação contra o feminicídio – que uniu Palácio do Planalto, Legislativo e Judiciário -, representa um marco institucional no enfrentamento da crise estrutural da violência contra mulheres e meninas no Brasil.
“Não se trata apenas de discursos ou de boas intenções. É um compromisso sério com políticas públicas que protejam, previnam e salvem vidas. Precisamos de um esforço contínuo e robusto, com investimentos financeiros e ações integradas, se quisermos reverter os números alarmantes de violência de gênero no país”, afirmou.
Assim, para Gisela, faz-se necessário e de forma urgente, a realização de um trabalho articulado entre todas as esferas do poder público: federal, estadual e municipal, com foco na fiscalização orçamentária e na garantia de que os recursos destinados ao enfrentamento da violência contra a mulher cheguem de fato às ruas. “Durante anos, a violência contra a mulher foi tratada como problema secundário, quase invisível. A sociedade naturalizou situações que depois evoluem de formas devastadoras da violência moral e psicológica à violência letal”.
A roda de conversao reuniu mulheres com trajetórias firmes na defesa de direitos e da vida das mulheres, como a deputada Talíria Petrone, a coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público do DF, Adalgiza Aguiar, e a pesquisadora Jackeline Romio, da FES Brasil. Para Gisela Simona, a efetividade das políticas públicas só se alcança quando o debate sai do papel e torna-se ação concreta — que protege, previne e salva vidas.
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