AGRONEGÓCIO
FIDCs impulsionam o agronegócio e garantem previsibilidade financeira
No primeiro semestre de 2025, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) alcançaram R$ 687 bilhões em patrimônio líquido, o que representou um crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano passado.
Especialistas apontam que esse avanço reflete a crescente demanda por soluções financeiras mais ágeis e previsíveis, especialmente em setores como o agronegócio, que representa quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Juros elevados, volatilidade climática e aumento no custo de insumos têm pressionado os produtores rurais, tornando os FIDCs uma alternativa interessante para viabilizar investimentos e manter a produção em expansão.
Na prática, os FIDCs permitem que os produtores rurais e empresas do setor agrícola transformem seus recebíveis — valores a receber de vendas futuras, como da produção de grãos, carnes ou sucos — em capital imediato. Isso significa que, em vez de esperar meses para receber o pagamento de uma safra ou de contratos comerciais, o agricultor ou cooperativa pode antecipar esses recursos, garantindo caixa para custear insumos, mão de obra e investimentos em tecnologia e maquinário.
A estrutura desses fundos, que pode envolver múltiplos cedentes e múltiplos sacados, oferece flexibilidade e segurança jurídica, permitindo que diferentes tipos de crédito sejam aceitos como lastro. O produtor rural sente o efeito direto no planejamento da safra. Ele passa a ter previsibilidade financeira, consegue negociar melhor com fornecedores e enfrentar períodos de maior incerteza com menos risco.
Além disso, os FIDCs contribuem para reduzir a dependência de linhas de crédito públicas e programas governamentais, oferecendo uma forma de financiamento mais adaptada às particularidades do campo. Com recursos estruturados, os produtores podem investir em práticas mais sustentáveis, melhorar a produtividade e até diversificar culturas, sem comprometer o fluxo de caixa da propriedade.
O crescimento desses fundos também sinaliza ao mercado que há espaço para inovação no financiamento agrícola. Ao integrar recursos privados e mecanismos de securitização de recebíveis, os FIDCs permitem que o agronegócio brasileiro continue se expandindo, mesmo em um cenário econômico desafiador, fortalecendo a competitividade internacional do setor e garantindo estabilidade financeira para produtores de diferentes portes.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Crédito rural para a agricultura empresarial soma R$ 65,7 bilhões nos dois primeiros meses da safra 2026/2027
Nos dois primeiros meses da safra 2026/2027, de julho a agosto de 2026, os produtores rurais enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e os Demais Produtores Rurais contrataram R$ 65,7 bilhões em operações de crédito rural.
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central do Brasil.
As Cédulas de Produto Rural (CPRs), títulos que permitem ao produtor obter recursos mediante o compromisso de entrega futura de produtos agropecuários, responderam por R$ 32,4 bilhões do total contratado no bimestre, o equivalente a 49,2% das operações. O volume ficou acima do registrado nas operações de custeio convencional, que somaram R$ 23 bilhões, ou 34,9% do total.
Do total destinado ao custeio da produção, os demais produtores empresariais responderam por R$ 12 bilhões, equivalentes a 52,2% do custeio contratado. Os produtores enquadrados no Pronamp contrataram R$ 11 bilhões, correspondentes a 47,8%.
Para a comercialização da produção agropecuária, foram contratados R$ 4 bilhões em crédito no período. Já as operações destinadas à industrialização somaram R$ 2,9 bilhões. Em ambos os casos, os recursos ficaram concentrados entre médios e grandes produtores.
As operações de investimento, destinadas à aquisição de máquinas e equipamentos, irrigação e modernização de estruturas produtivas, somaram R$ 3,5 bilhões no bimestre. Entre os programas específicos, o Pronamp Investimento registrou R$ 428 milhões em contratações, enquanto o RenovAgro somou R$ 413 milhões.
SEGMENTAÇÃO POR PORTE DO PRODUTOR
Na análise por segmento, os demais produtores rurais, fora do Pronamp, responderam por R$ 22 bilhões, equivalentes a 33,5% do total concedido no período. O Pronamp registrou R$ 11,4 bilhões em concessões, o equivalente a 17,3% do total.
Ao todo, a agricultura empresarial registrou 70.657 contratos de crédito rural no bimestre. Desse total, 23.478 foram operações de CPRs, que representaram parcela significativa das contratações realizadas nos dois primeiros meses da safra.
Entre as regiões do país, o Sul concentrou o maior número de contratos, com 22.631 operações, e registrou R$ 11,7 bilhões em crédito. Na sequência aparecem o Sudeste, com R$ 9,6 bilhões, e o Centro-Oeste, com R$ 7,2 bilhões. O Nordeste e o Norte registraram, respectivamente, R$ 3,2 bilhões e R$ 1,7 bilhão em concessões no bimestre.
O levantamento também mostra diferenças no valor médio das operações entre as regiões. O Nordeste apresentou o maior valor médio por contrato, de R$ 1,05 milhão, seguido pelo Centro-Oeste, com R$ 1,03 milhão. O Sul, apesar de registrar o maior número de contratos e o maior volume de crédito entre as regiões, apresentou o menor valor médio, de R$ 516,5 mil.
FONTES DE RECURSOS
Entre as fontes de recursos utilizadas no financiamento do crédito rural, os Recursos Obrigatórios (parcela dos depósitos à vista que as instituições financeiras devem destinar ao crédito rural) foram a principal fonte controlada no período, com R$ 9,9 bilhões, equivalentes a 41% do total de fontes controladas.
A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) na modalidade controlada somou R$ 6,7 bilhões, correspondentes a 28% das fontes controladas.
Entre as fontes não controladas, formadas por recursos captados livremente pelas instituições financeiras no mercado, a LCA Livre foi a principal, com R$ 7,6 bilhões destinados ao crédito rural.
RECURSOS EQUALIZÁVEIS
A programação orçamentária de recursos equalizáveis para a safra 2026/2027 totaliza R$ 97,6 bilhões, conforme a Portaria MF nº 2.170, de 22 de julho de 2026. Esses recursos são destinados a linhas de crédito com taxas de juros controladas pelo Governo Federal, com a equalização da diferença em relação às taxas de mercado.
Nos dois primeiros meses da safra, foram concedidos R$ 10,9 bilhões em recursos equalizáveis.
Entre os programas de investimento com recursos equalizáveis, o RenovAgro registrou o maior volume de contratações no período, com R$ 412,9 milhões, seguido pelo Pronamp, com R$ 380,3 milhões, e pelo Moderfrota, com R$ 250,2 milhões.
Nas operações equalizáveis de investimento, Banco do Brasil e BNDES concentraram, juntos, cerca de 77% das concessões do período, com participações de 39,8% e 36,8%, respectivamente.
Nas linhas equalizáveis de custeio e comercialização, o Banco do Brasil respondeu por 45,6% das concessões, seguido pelo Sicredi, com 16,7%, e pela Cresol, com 12,9%.
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