DO GOVERNO LULA AO PL

Pai de suplente de Medeiros foi escolhido ministro de Lula; conheça o passado político da família Balbinotti

Odílio Balbinotti, pai do atual primeiro suplente de José Medeiros ao Senado, passou por diferentes partidos, integrou o PMDB aliado de Lula e chegou a ser escolhido para comandar o Ministério da Agricultura em 2007; quase duas décadas depois, filho ocupa espaço no PL e no campo bolsonarista em Mato Grosso

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A presença do empresário Odílio Balbinotti Filho como primeiro suplente de José Medeiros (PL) na disputa pelo Senado em Mato Grosso coloca novamente sob os holofotes uma das famílias tradicionais do agronegócio brasileiro e também uma trajetória política que atravessou diferentes partidos e governos ao longo das últimas décadas.

O histórico de seu pai, o ex-deputado federal Odílio Balbinotti, morto em fevereiro deste ano, mostra uma carreira política extensa e marcada por mudanças partidárias. Registros oficiais da Câmara dos Deputados apontam passagens por Arena, PFL, PDT, PSDB e PMDB, entre outras legendas.

Balbinotti iniciou sua trajetória política no Paraná. Foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Barbosa Ferraz, além de prefeito do município por dois mandatos. Na década de 1990, transferiu seu domicílio eleitoral para Maringá e ganhou projeção estadual.

Em 1994, foi eleito deputado federal pela primeira vez, pelo PDT. A partir dali, construiu uma carreira de cinco mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, permanecendo no Congresso até 2015.

Durante esse período, teve atuação especialmente ligada ao agronegócio, aos produtores rurais e aos municípios do interior do Paraná.

ESCOLHIDO PARA O MINISTÉRIO DE LULA

Um dos episódios de maior repercussão de sua trajetória aconteceu em 2007, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Naquele momento filiado ao PMDB, partido integrante da base governista, Odílio Balbinotti foi escolhido para assumir o Ministério da Agricultura. A indicação ocorreu no contexto da ampliação da participação do PMDB no governo federal.

A nomeação, entretanto, não chegou a ser concretizada.

Após a divulgação de reportagens sobre investigação relacionada a uma operação de crédito no Banco do Brasil, Balbinotti desistiu de assumir o ministério antes mesmo da posse. Na ocasião, ele negou ter cometido irregularidades.

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A distinção é importante: as acusações e investigações existentes naquele período não podem ser tratadas como condenação. Registros posteriores sobre a trajetória do ex-parlamentar apontam que ele foi absolvido dos questionamentos relacionados ao episódio.

O caso ganhou repercussão nacional justamente porque Balbinotti já havia sido escolhido para ocupar uma das principais pastas do governo Lula, mas acabou deixando a indicação antes de efetivamente assumir o cargo.

UMA TRAJETÓRIA QUE PASSOU POR DIFERENTES CAMPOS

A história política de Odílio Balbinotti não permite classificá-lo de maneira linear como integrante exclusivamente da esquerda ou da direita.

Seu primeiro partido foi a Arena, legenda de sustentação política do regime militar. Décadas depois, passou pelo PDT, PSDB e chegou ao PMDB, legenda que integrava a coalizão do governo Lula quando seu nome foi escolhido para o Ministério da Agricultura.

O que os registros documentais demonstram é uma trajetória política que atravessou diferentes partidos e alianças ao longo de décadas.

Paralelamente à política, Balbinotti consolidou forte atuação empresarial no agronegócio. Foi proprietário da Sementes Adriana, empresa que posteriormente deu origem à Atto Sementes, atualmente comandada pela família.

O ex-deputado morreu aos 84 anos, em Rondonópolis, onde passou seus últimos anos.

FILHO SEGUE CAMINHO NO PL

A nova geração da família aparece agora em outro ambiente partidário.

Odílio Balbinotti Filho está filiado ao PL e ocupa a primeira suplência de José Medeiros na corrida pelo Senado em Mato Grosso.

Antes da definição da chapa, o empresário chegou a ter seu nome discutido para outros espaços na eleição estadual e posteriormente passou a participar das articulações políticas do grupo de Medeiros. Em abril, ao falar sobre sua pré-candidatura à suplência, Balbinotti Filho declarou que atendia a um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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O empresário também aparece entre os candidatos de maior patrimônio declarado na eleição mato-grossense. Registros eleitorais reproduzidos por veículos de imprensa apontam patrimônio declarado de aproximadamente R$ 359,7 milhões.

Além de integrar a chapa, Balbinotti Filho também colocou recursos na campanha. Dados do DivulgaCandContas reproduzidos pelo Estadão Mato Grosso apontaram uma doação de R$ 100 mil para a campanha de José Medeiros.

DE LULA AO BOLSONARISMO

A comparação entre as duas gerações revela uma mudança clara de ambiente político, embora não autorize classificar toda a família por uma única corrente ideológica.

O pai construiu uma trajetória que passou por Arena, PFL, PDT, PSDB e PMDB e chegou a ser escolhido para integrar o segundo governo Lula. O filho, quase duas décadas depois, está filiado ao PL, tornou-se primeiro suplente de José Medeiros e declarou ter entrado na disputa atendendo a um pedido de Jair Bolsonaro.

Em 2007, Odílio Balbinotti chegou às portas do Ministério da Agricultura de Lula, mas desistiu antes da posse após a repercussão de uma investigação, cujas acusações ele negava.

Agora, em 2026, Odílio Balbinotti Filho busca chegar ao Senado na condição de suplente de um candidato do PL, mostrando como a trajetória política da família Balbinotti atravessou partidos, alianças e diferentes campos da política brasileira ao longo de mais de cinco décadas.

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POLÍTICA MT

R$ 1 de renúncia gera R$ 4,66 em investimentos, diz Fiemt ao rebater Wellington

Federação afirma que benefícios fiscais compensam custos de produção em Mato Grosso e defende manutenção dos programas; candidato ao Governo questiona concentração das isenções

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A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) entrou no debate sobre os incentivos fiscais concedidos pelo Estado após críticas do senador e candidato ao Governo, Wellington Fagundes (PL). Em manifestação divulgada nesta quarta-feira (16), a entidade defendeu a política e afirmou que os benefícios são instrumentos para estimular investimentos, empregos e arrecadação.

Wellington tem questionado a concentração dos incentivos em grandes empresas e defende mudanças nos critérios de concessão, com maior alcance para pequenos e médios negócios. 

Entidade aponta custo maior para produzir em MT

Na nota, a Fiemt cita o estudo “Custo Mato Grosso”, segundo o qual produzir no Estado representa um custo adicional de R$ 38,5 bilhões em comparação com regiões do Sul e Sudeste.

A federação relaciona esse cenário a fatores como gargalos nas infraestruturas rodoviária, ferroviária e energética, distância dos principais centros consumidores, escassez de profissionais e dificuldades de qualificação da mão de obra. 

Para a entidade, os incentivos fiscais não devem ser tratados como privilégio, mas como uma política utilizada para reduzir essas desvantagens competitivas e estimular a instalação e permanência de empresas no Estado.

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Indústria movimenta bilhões

Segundo os números apresentados pela Fiemt, Mato Grosso possui atualmente 16,8 mil indústrias, responsáveis por cerca de 203,5 mil empregos formais e uma massa salarial de aproximadamente R$ 6,6 bilhões.

A entidade também aponta que o PIB da indústria mato-grossense cresceu 133% entre 2016 e 2025, chegando a R$ 36,84 bilhões no ano passado. O setor representa cerca de 15% do PIB estadual. 

Outro dado citado é a participação da indústria na arrecadação de ICMS. Conforme a Fiemt, o setor respondeu por aproximadamente metade da arrecadação do imposto em 2025, com R$ 12,75 bilhões.

Prodeic reúne 1.242 empresas

A federação também destacou o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic). Atualmente, 1.242 empresas são beneficiárias do programa e respondem por aproximadamente 82 mil empregos diretos, o equivalente a 40% dos postos de trabalho da indústria estadual. 

Em 2025, a renúncia fiscal somada do Prodeic, do Programa de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso (Proder-MT) e do Programa de Incentivo à Cultura do Algodão de Mato Grosso (Proalmat) chegou a R$ 6,40 bilhões, segundo dados do Relatório Anual de Desempenho dos Incentivos Fiscais da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).

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A Fiemt afirma que, de acordo com o mesmo relatório, cada R$ 1 de renúncia fiscal esteve associado a R$ 4,66 em investimentos diretos no Estado em 2025. 

Debate deve continuar durante campanha

Enquanto a Fiemt defende a manutenção dos incentivos como mecanismo de competitividade, Wellington Fagundes afirma que o modelo precisa ser revisto, principalmente em relação à concentração dos benefícios.

O candidato também defende ampliar o acesso aos incentivos para pequenos e médios empresários, cooperativas e produtores, além de estabelecer critérios e contrapartidas relacionados à geração de empregos, investimentos e desenvolvimento regional. 

O tema deve permanecer entre as discussões econômicas da campanha eleitoral em Mato Grosso, envolvendo a relação entre renúncia fiscal, atração de investimentos, geração de empregos e arrecadação estadual. 

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