POLÍTICA NACIONAL
Debatedores cobram valorização da agricultura familiar na COP 30
A COP 30 deve prestar atenção no apoio das cooperativas à agricultura familiar no enfrentamento da crise climática, concluíram os debatedores ouvidos em audiência pública da Comissão de Meio Ambiente (CMA) nesta terça-feira (10). A realização da audiência pública atende a requerimento do presidente da CMA, senador Fabiano Contarato (PT-ES), que também presidiu o evento.
No requerimento de audiência (REQ 7/2025 — CMA), Contarato cita o lançamento do Manifesto do Cooperativismo da Agricultura Familiar para a COP 30, documento que reúne propostas em áreas como justiça climática, energias renováveis e agroecologia. Ele salientou que a agricultura familiar cooperativada merece ser ouvida na COP 30 porque “não é apenas vítima da crise climática: é também agente ativa de soluções sustentáveis, inclusivas e territoriais”.
Coordenador de Meio Ambiente do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), Alex Macedo apresentou dados sobre a importância da agricultura familiar nas práticas de produção de baixo carbono e na redução de uso de fertilizantes químicos, e apresentou uma série de iniciativas dos cooperados que espera serem discutidas na COP 30.
— Se a gente tem esse conjunto de quase 10% ou mais da população brasileira filiada a uma cooperativa, por que o cooperativismo não está nas discussões climáticas, como um ator, como um instrumento para apoiar e suportar esse conjunto de pessoas vinculadas às cooperativas no enfrentamento às mudanças climáticas? — indagou.
Fundos climáticos
Presidente da União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Aparecido Souza também destacou a participação das cooperativas na COP 30. Ele espera que os representantes de todo o mundo sejam apresentados ao trabalho dos cooperados e possam debater aspectos como o acesso dos pequenos agricultores aos fundos climáticos.
— A gente precisa garantir mais crédito para nossas cooperativas para que a gente possa conseguir trabalhar, cada vez mais, a transição agroecológica, porque a gente entende que a produção agroecológica é a forma de a gente produzir baixo carbono, gerando alimentos saudáveis.
O pesquisador em cooperativismo e agricultura familiar Alair Freitas reivindicou o reconhecimento das cooperativas como “parceiras operacionais” da agenda climática. Ele afirmou ser possível proteger a floresta e assegurar renda e autonomia a seus habitantes, mas apontou a contradição de muitas políticas ambientais que exigem conservação sem garantir dignidade aos povos indígenas e às comunidades tradicionais que fazem parte do processo.
— Não vamos ficar passando fome lá no mato por causa da preservação da floresta. Isso não existe, não é obrigação do indígena ficar passando fome para proteger a floresta. Ele tem que ser valorizado pelo que ele pratica. E as cooperativas vêm para fazer isso.
‘Forma de vida’
O secretário-geral da Organização Mundial dos Agricultores (OMA), Andrea Porro, classificou a agricultura familiar como “profissão, responsabilidade e forma de vida”, responsável pela produção de 80% dos alimentos do mundo. Para ele, o manifesto das cooperativas para a COP 30 é uma contribuição significativa para incluir os pequenos agricultores nos debates globais sobre o clima.
— Muito frequentemente, os agricultores familiares são deixados fora das decisões que mais os afetam e nós estamos querendo mudar isso, trazendo a energia dos agricultores para o debate e ajudando a direcionar a agenda climática de volta para onde deveria estar.
Representando a diretoria-executiva da Presidência da COP 30, a analista ambiental Liara Carvalho acrescentou apresentação sobre os objetivos principais da conferência e os eixos de implementação dos objetivos estabelecidos na Convenção do Clima, assegurando que agricultores familiares — junto com povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas e pescadores, entre outras comunidades — estarão representadas em espaços de articulação internacional.
Regularização fundiária
O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) mencionou a importância das cooperativas no apoio ao grande número de projetos de assentamento na Amazônia — somente no Pará, são 148 mil famílias assentadas, segundo as estatísticas que apresentou. Mas ele sublinhou que a regularização fundiária é “dever de casa” elementar.
— Ninguém dá crédito sem garantia. (…) Mesmo que a terrinha seja pequena (…), que ele possa usar aquele documento da terra como garantia real.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.
A vedação vale sempre que o ato puder:
- comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
- alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
- descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.
A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.
Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.
A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.
A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.
Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:
- parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
- estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
- autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.
O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.
Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.
Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.
Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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