OPERAÇÃO BÓREAS

Justiça manda soltar empresária de Cuiabá presa em operação da PF que investiga tráfico internacional

Tati Rabelo, sócia de empresa responsável pelo Tatu Bola Bar, deixa prisão sem pagamento de fiança; defesa afirma que Justiça considerou desnecessária a manutenção da preventiva

Publicados

em

A Justiça Federal do Tocantins determinou, nesta quinta-feira (27), a soltura da advogada e empresária Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, conhecida como Tati Rabelo, presa em Cuiabá durante a Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal para investigar uma organização suspeita de envolvimento com a logística do tráfico internacional de drogas e armas.

Tati havia sido presa na terça-feira (25), em seu apartamento na Capital mato-grossense, e posteriormente encaminhada à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May.

A empresária foi colocada em liberdade sem necessidade de pagamento de fiança, conforme informou o advogado Fernando Faria, responsável por sua defesa.

“Não teve nenhuma fiança. O juiz reconheceu que a prisão realmente era desnecessária”, afirmou o advogado.

Tati é sócia e administradora da TRMT Restaurante Ltda., empresa responsável pelo Tatu Bola Bar, localizado na região da Praça Popular, em Cuiabá.

Durante as buscas realizadas pela Polícia Federal na residência da empresária, foram apreendidos R$ 84,8 mil em dinheiro, além de outros bens. Conforme o termo de apreensão citado no caso, R$ 9,8 mil teriam sido encontrados no quarto, sobre uma mesa de cabeceira, enquanto outros R$ 75 mil estavam em uma gaveta de um móvel da sala.

Leia Também:  Wilson Santos propõe criação de Comitês Locais Maria da Penha em bairros e comunidades de MT

Também foram apreendidos um telefone celular e um Volkswagen T-Cross, ano 2020. O aparelho estava bloqueado e foi lacrado para as providências relacionadas à investigação.

A apreensão dos valores e dos demais bens, por si só, não representa comprovação de origem ilícita. Até então, a Polícia Federal não havia detalhado publicamente qual seria a participação específica atribuída à empresária no suposto esquema investigado.

OPERAÇÃO INVESTIGA TRÁFICO INTERNACIONAL

Deflagrada na terça-feira (25), a Operação Bóreas investiga uma organização suspeita de montar uma estrutura logística para o transporte aéreo internacional de drogas e armas.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria utilizado aeronaves e pistas clandestinas para transportar grandes carregamentos de cocaína e armas de fogo provenientes da Bolívia e do Peru para o Brasil.

Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em Cuiabá e Palmas. A Justiça também determinou medidas de apreensão de aeronaves e bloqueio e sequestro de bens e valores.

Entre os elementos mencionados na investigação estaria uma troca de mensagens ocorrida em 2024 entre Tati e seu irmão, Márcio Rabello Mesquita Theodoro. Ele está preso desde fevereiro de 2025, depois de ter sido flagrado, segundo as informações da investigação, em uma aeronave com aproximadamente 475 quilos de cocaína no Tocantins.

Leia Também:  CST da Genética discute regularização fundiária e segurança jurídica no campo

EMPRESÁRIA NEGA ENVOLVIMENTO

Durante a audiência de custódia, Tati Rabelo negou envolvimento com os crimes investigados e afirmou desconhecer os motivos que teriam fundamentado a decretação de sua prisão.

A decisão da Justiça Federal desta quinta-feira altera a situação cautelar da empresária, que deixa o sistema prisional e passa a responder à investigação em liberdade.

A Operação Bóreas continua em andamento, e as responsabilidades individuais dos investigados ainda serão apuradas no curso do procedimento.

Propaganda

POLÍTICA MT

Medeiros fala em “melancia” e expõe apelido de Wellington Fagundes, aliado do próprio PL

Propaganda eleitoral de José Medeiros usa a expressão para atacar políticos que se apresentam como representantes da direita, mas acaba provocando “fogo amigo” ao remeter a apelido usado por adversários contra Wellington Fagundes, candidato ao Governo pela mesma coligação

Publicados

em

Uma inserção eleitoral do candidato ao Senado José Medeiros (PL) abriu espaço para um novo episódio de “fogo amigo” na campanha em Mato Grosso. Ao utilizar uma melancia para atacar políticos que, segundo ele, tentam se apresentar como representantes da direita apesar de antigas aproximações com a esquerda, Medeiros acabou trazendo à tona uma expressão que já foi utilizada por adversários para atacar Wellington Fagundes (PL).

A situação chama atenção porque Medeiros e Wellington pertencem ao mesmo partido e integram a mesma aliança eleitoral. Enquanto Medeiros disputa uma das vagas ao Senado, Wellington concorre ao Governo de Mato Grosso.

Na propaganda, Medeiros aparece segurando e cortando uma melancia enquanto dispara contra políticos que, em sua avaliação, adotariam um discurso conservador apenas durante o período eleitoral.

“Mato Grosso é o maior produtor de soja do mundo. Mas quando começa a eleição, o que mais brota por aqui é melancia”, afirma Medeiros.

A expressão tem significado conhecido no vocabulário político. “Melancia” é usada de maneira pejorativa para definir alguém que seria “verde por fora e vermelho por dentro”, numa referência a políticos que publicamente se posicionariam à direita, mas seriam associados à esquerda por seus críticos.

Leia Também:  Mato Grosso aplica R$ 5,6 bilhões na saúde e supera mínimo constitucional

É justamente aí que a propaganda cria uma saia-justa para a chapa.

Wellington Fagundes já foi chamado de “melancia” por adversários e integrantes mais à direita do espectro político, que utilizam sua trajetória e suas relações com diferentes governos federais para questionar sua identificação atual com o campo conservador.

Ao longo de sua extensa carreira política, Wellington manteve diálogo e relações institucionais com governos de diferentes orientações políticas, passando pelas administrações de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).

Com isso, mesmo sem citar Wellington nominalmente na propaganda, a escolha da “melancia” por Medeiros abre margem para que a crítica seja relacionada ao próprio candidato ao Governo do PL.

Na sequência da peça eleitoral, Medeiros aumenta o tom contra os alvos de sua crítica. O candidato afirma que esses políticos pretendem chegar ao Congresso Nacional para “defender a esquerda, passar pano para Alexandre de Moraes, defender o aborto e defender a bandidagem”.

Medeiros encerra a propaganda retomando a metáfora.

“Mato Grosso já foi enganado antes, mas agora a gente aprendeu. Melancia é bom pra se comer, mas na hora de votar, não dá certo”, ironiza.

Leia Também:  Em atendimento a empresários, Botelho anuncia reunião ampliada para dia 14

FOGO AMIGO

A declaração ganha peso político justamente por partir de um candidato do próprio PL. Medeiros busca consolidar sua imagem junto ao eleitorado bolsonarista enquanto Wellington também tenta ocupar o espaço da direita na disputa pelo Palácio Paiaguás.

O episódio ocorre ainda em meio à corrida pelas duas vagas ao Senado. Medeiros tenta ampliar sua presença eleitoral em uma disputa que reúne nomes competitivos e na qual o voto identificado com a direita tornou-se um dos principais campos de batalha.

A estratégia de Medeiros, portanto, acabou produzindo um efeito colateral dentro da própria coligação. Ao atacar os chamados “melancias”, o candidato ao Senado trouxe novamente para o debate justamente um apelido utilizado contra Wellington Fagundes.

Mesmo sem uma citação nominal ao candidato ao Governo, a propaganda expõe uma contradição política dentro do PL e alimenta a leitura de “fogo amigo” entre dois candidatos que deveriam caminhar no mesmo palanque.

No fim, a “melancia” escolhida por Medeiros para atingir adversários acabou respingando dentro de casa e colocando Wellington Fagundes, seu aliado de partido e coligação, no centro da provocação.


Continue lendo

política mt

mato grosso

policial

PICANTES

MAIS LIDAS DA SEMANA