TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Des. Juvenal da Silva destaca avanços na implantação do Juiz das Garantias em Mato Grosso

Após um amplo processo de estudos e debates internos, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) concluiu neste mês de dezembro a implantação do modelo estadual do Juiz das Garantias, figura criada pela Lei n. 13.964/2019, o Pacote Anticrime. Segundo o desembargador Juvenal Pereira da Silva, que participou diretamente da construção do modelo quando atuou como corregedor-geral da Justiça, o Juiz das Garantias representa um avanço institucional que assegura o controle da legalidade da investigação e a preservação dos direitos individuais desde o primeiro momento.

O magistrado participou, na manhã desta quarta-feira (17 de dezembro), do terceiro ciclo “Diálogos no Judiciário” e explicou em detalhes como se deu a implantação do Juiz das Garantias no Estado. Os ciclos são uma iniciativa da Corregedoria-Geral da Justiça, em parceria com a Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores. Segundo o desembargador, a nova estrutura – implantada em 5 de dezembro –reforça a transparência, a imparcialidade e a proteção dos direitos fundamentais na fase de investigação criminal.

Histórico

Conforme explicou o desembargador Juvenal da Silva, a implementação em Mato Grosso decorre de uma série de marcos nacionais. Após a criação da figura em 2019, sua aplicação foi suspensa em 2020 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou estudos estruturais. Em 2023 e 2024, o Plenário do STF confirmou a constitucionalidade do instituto e ordenou sua adoção em todo o país. Em seguida, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou a Resolução n. 562/2024, estabelecendo diretrizes e autorizando três modelos de implantação. “Este marco normativo nacional deu o impulso necessário para que o TJMT iniciasse seus próprios estudos e debates internos”, destacou o magistrado.

Entre 2024 e 2025, o TJMT promoveu um intenso debate institucional para definir o formato mais adequado ao território mato-grossense. Três propostas estruturais foram apresentadas, variando entre modelos mais regionalizados, intermediários e centralizados. A Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), conduzida pelo desembargador José Luiz Leite Lindote, consolidou os estudos e apresentou uma readequação técnica que sintetizou os pontos fortes das três visões.

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Segundo o expositor, o modelo final foi formalizado em 2025, com a aprovação da Resolução do Órgão Especial n. 07/2025, que instituiu o Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias. A norma estabeleceu a base jurídica da nova estrutura, alinhada às diretrizes nacionais de unidades judiciais digitais e de alta eficiência. Na sequência, a Portaria-Conjunta PRES/CGJ n. 11/2025 regulamentou a operação prática do sistema, instalando sete regionais do Juiz das Garantias, distribuindo as comarcas entre os polos e definindo a atuação dos dez gabinetes responsáveis. As regionais são Cuiabá, Sinop, Rondonópolis, Barra do Garças, Cáceres, Juína e Tangará da Serra, com jurisdição sobre as comarcas vizinhas.

Funcionamento

Ainda na apresentação, desembargador Juvenal da Silva registra que o Juiz das Garantias atua exclusivamente na fase de investigação, com atribuições como controlar a legalidade do inquérito, autorizar medidas cautelares, decidir sobre produção de provas, zelar pela duração razoável das apurações e determinar o arquivamento quando não houver fundamento para prosseguimento. Sua competência se encerra com o oferecimento da denúncia ou queixa, sem vincular o juiz da fase de instrução e julgamento. A atuação não abrange casos do Tribunal do Júri, violência doméstica e infrações de menor potencial ofensivo.

O expositor ressalta que, com a consolidação normativa e a estrutura operacional em funcionamento, Mato Grosso se posiciona entre os estados que adotaram um modelo moderno, regionalizado e alinhado à política nacional da Justiça 4.0. Para ele, o resultado reflete um esforço institucional consistente: “A tarefa é árdua, mas o Tribunal de Justiça de Mato Grosso confia plenamente nas magistradas e magistrados que assumiram essa missão essencial para o fortalecimento da justiça criminal no estado.”

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Ao final da reunião on-line, juízes que estão atuando no Núcleo de Justiça 4.0 compartilharam suas experiências e feedback sobre o funcionamento do Núcleo. Destacaram que, apesar das dificuldades iniciais, o núcleo está funcionando bem e superando as expectativas.

Segundo a juíza responsável pela coordenação do Núcleo, Laura Dorilêo Cândido, a primeira semana de funcionamento do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias foi marcada por alguns desafios, que já estão sendo superados graças ao alinhamento entre os colegas magistrados e ao apoio da Corregedoria, que emitiu orientações para esclarecer dúvidas sobre competência e procedimentos. A magistrada enfatizou ainda o compromisso do grupo em transformar o núcleo em referência nacional, agradecendo o suporte do desembargador Juvenal e reforçando que o trabalho conjunto tem rendido bons resultados e já demonstra que o projeto está no caminho certo.

Já o juiz auxiliar da Corregedoria João Filho de Almeida Portela, que abriu a reunião, agradeceu a participação do desembargador Juvenal, ressaltando a importância do projeto do Núcleo, iniciado na gestão do desembargador. Ele destacou que todos os colegas e equipes estão comprometidos em fazer o melhor pelo sistema do TJMT e reforçou o canal de diálogo aberto entre os participantes, agradecendo o empenho de todos.

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Autor: Lígia Saito

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Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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42º Gemam reforça atualização da magistratura diante de desafios sociais complexos

Homem com cabelos grisalhos e barba, fala direcionando o olhar para baixo e para a esquerda. Ele usa paletó azul e camisa social cinza. Um microfone da A evolução constante da sociedade e o surgimento de novos desafios exigem do Poder Judiciário uma resposta igualmente dinâmica e qualificada. Com esse enfoque, o desembargador Márcio Vidal, diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), abriu o 42º Encontro do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) ao destacar que a busca por conhecimento é contínua e essencial para enfrentar problemas sociais que acompanham o avanço do tempo.

A afirmação de Vidal sintetiza o espírito do encontro realizado na última sexta-feira (19 de junho), no Tribunal do Júri de Rondonópolis, que reuniu magistrados(as) em uma programação técnica voltada à discussão de temas atuais e sensíveis à prestação jurisdicional.

Na abertura do encontro, o desembargador ressaltou que o Judiciário precisa acompanhar as transformações sociais, que evoluem junto com o avanço tecnológico, mas também trazem novos problemas.

Ao comentar a temática da palestra inicial, intitulada “Juventude em risco: O desafio das drogas no portão da escola e a proteção da vida por meio da internação compulsória para todos”, Vidal chamou atenção para a complexidade da questão das drogas entre jovens, classificando-a como um tema bastante sensível para toda a sociedade. Segundo o desembargador, o papel do Judiciário é justamente se manter atento e buscar constantemente novos modelos de atuação.

Homem de cabelos escuros e curtos, vestindo paletó azul e camisa branca, concede entrevista olhando para o lado esquerdo. Um microfone preto aparece em primeiro plano e o fundo está desfocado.Representando a Corregedoria-Geral da Justiça, o juiz auxiliar Jorge Alexandre Martins Ferreira reforçou o apoio institucional ao evento e destacou o impacto da atualização contínua na qualidade das decisões. “É muito importante que o juiz se qualifique vendo coisas novas”, afirmou, ao comentar a relevância da palestra com o psiquiatra convidado, Diego de Souza Vacari.

Ferreira acrescentou que o contato com dados atuais permite compreender melhor a realidade social, citando como exemplo a evolução do potencial das drogas ao longo das décadas. “São fatos que a gente vê no dia a dia e que mostram que precisamos estar sempre reaprendendo”, completou.

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Construção coletiva fortalece a magistratura

Mulher de cabelos longos e escuros fala ao microfone. Ela veste blazer off-white e brincos de argola. Ao fundo, um painel verde exibe a imagem da estátua da Justiça com a balança.A proposta do Gemam como espaço de construção coletiva foi enfatizada pela coordenadora do grupo, juíza Alethea Assunção Santos. Segundo ela, o diferencial está na produção acadêmica conduzida pelos próprios magistrados(as). “A construção é feita pelos próprios juízes e, a partir das discussões, são elaborados enunciados orientativos para a prestação jurisdicional. Isso é muito importante porque enriquece o nosso trabalho, enriquece a prestação jurisdicional e serve como capacitação profissional e também pessoal para os magistrados de Mato Grosso”, explicou.

Ela destacou ainda que os temas debatidos refletem diretamente os desafios enfrentados nas unidades judiciais. “São dificuldades que encontramos no dia a dia da prestação jurisdicional e, a partir desses debates, conseguimos levar mais segurança para as decisões”, pontuou, ressaltando que o resultado é um serviço mais qualificado à população.

Mulher de cabelos escuros e batom vermelho sorri ao conceder entrevista. Ela veste blusa verde-escura sem mangas. Um microfone da A realização do encontro em Rondonópolis foi celebrada pela juíza diretora do Foro, Aline Bissoni, que destacou a importância institucional do evento. “É uma honra receber o Gemam, um grupo que realmente traz temas muito relevantes para o nosso desenvolvimento”, afirmou. Para ela, a abordagem interdisciplinar amplia a visão dos magistrados sobre questões complexas.

Atuando na área criminal, a magistrada destacou o impacto prático do conteúdo apresentado. “Ouvir o psiquiatra falar de forma técnica sobre os malefícios das drogas e como elas se tornaram mais nocivas faz toda a diferença para que possamos julgar melhor”, disse.

Homem de óculos fala ao microfone, gesticulando com a mão esquerda. Ele veste terno escuro, camisa clara e gravata amarela listrada. Ao fundo, uma parede verde e um banner com a deusa da justiça.No campo interdisciplinar, o psiquiatra Diego Vacari, responsável pela palestra de abertura, enfatizou a importância do diálogo entre diferentes áreas. Ele destacou como positiva a aproximação da magistratura com o tema. “A magistratura está cada vez mais interessada nessa situação, e isso é fundamental para desmitificar e aproximar saúde mental e justiça”, afirmou.

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Vacari alertou ainda para o aumento do consumo de drogas entre crianças e adolescentes, fenômeno que, segundo ele, ocorre em escala global. “Os jovens estão usando drogas cada vez mais cedo, muitas vezes dentro da escola ou nas proximidades”, disse. Para o especialista, o enfrentamento do problema depende de atuação conjunta. “Se não houver união entre saúde, justiça, segurança pública e educação, não vamos conseguir diminuir esses índices”.

Mulher de cabelos longos e ondulados fala ao microfone, com a mão direita fechada. Veste camisa estampada verde e branca e saia escura. Ao fundo, parede verde e pontas de mastros de bandeiras.Outro destaque foi o painel sobre litigância abusiva, no qual a juíza Cristiane Padim da Silva apresentou proposta para aprimorar o monitoramento de demandas predatórias. “A ideia é registrar a Recomendação 159 do CNJ nas decisões em que houver abuso do direito de ação, para que possamos traçar estratégias mais eficientes”, explicou. Segundo ela, a medida busca garantir que o sistema de justiça seja mais acessível a quem realmente precisa. A magistrada também ressaltou a importância do encontro como espaço de troca. “A gente sai daqui cheio de ideias, de motivação, com mais preparo para a atuação diária”, afirmou.

Além das discussões sobre saúde mental, drogas e litigância abusiva, o 42º Gemam contou ainda com painéis voltados a outros temas relevantes para a atuação jurisdicional. Foram abordados o controle judicial do orçamento público e a aplicação de emendas parlamentares frente à discricionariedade e abuso de poder, o tratamento ambulatorial e as medidas de segurança aplicáveis a réus com doença mental, bem como o conceito e as implicações da chamada “purga da mancha probatória”.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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