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Desembargadora Clarice Claudino participa de live sobre Justiça Restaurativa e Pacificação Social

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A presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Clarice Claudino da Silva, participou na noite dessa segunda-feira (31 de julho) da Live Talk Advocacia Network ‘Justiça Restaurativa e Pacificação Social’, realizada no canal do Instituto Mato-grossense de Advocacia Network (IMAN) no Instagram.
Durante o encontro on-line, a desembargadora e as demais convidadas conversaram sobre métodos alternativos de resolução de conflitos e técnicas autocompositivas, como conciliação e mediação, que também podem ser indicadas e utilizadas na advocacia.
 
A líder do Judiciário mato-grossense iniciou a sua participação falando sobre a utilização da comunicação não violenta na Justiça Restaurativa.
 
“A comunicação genuína é um valor muito importante, pois a comunicação gera diferentes sensações nos interlocutores. Dizer para esse alguém o que estou percebendo, o que essa percepção me faz sentir e o que esse sentimento tem a ver com a necessidade que estou tendo naquele momento. Nesse raciocínio, não entra a crítica e o julgamento, que é o ácido destruidor da nossa comunicação.”
 
“Na conciliação, negociação, mediação ou outro método que possamos escolher, a comunicação é baseada no respeito, empatia e principalmente na nossa capacidade de escutar”, complementa a presidente do TJMT.
 
O bate papo contou também com a presidente do IMAN, Tatiane Barros, a presidente da Comissão de Resolução Alternativa de Conflitos do IMAN, Isabel Melon, e a vice-presidente da Comissão de Resolução de Conflitos do IMAN, Nilva Gonçalves. As anfitriãs aproveitaram para oportunizar à desembargadora a perspectiva de falar mais sobre o tema direcionado à advocacia.
 
Para presidente do TJMT, a advocacia possui um grande nicho onde pode ser implantada uma revolução na sociedade. Principalmente no formato de networking.
“O advogado é o primeiro que toma contato com o litígio, com as pessoas envolvidas. Dependendo da percepção e de como irá agir, o caso pode tomar os rumos mais variados. Então a formação focada na pacificação faz toda diferença.”
 
De acordo com a também presidente do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva, “é preciso distinguir qual será a melhor metodologia para resolver aquele problema, de acordo com a sua natureza, seja pela mediação, conciliação e de soluções mais rápidas e eficientes, que seja boa para todos.”
 
“Se o advogado ou advogada partir diretamente para o embate judicial, ele estará pulando essa etapa muito importante e fechando as portas da comunicação, de uma forma abrupta e intensa. O Judiciário hoje tem múltiplas portas de entrada. Aí que entra a percepção, o conhecimento e o bom preparo.”
 
“O custo emocional de um litígio, de um processo, é completamente adoecedor se não for compreendido pelo advogado. Esse profissional pode ajudar o cliente a não adoecer. Se ele não tiver esse preparo, pode até mesmo colaborar com o sofrimento de todas as partes”, explica a presidente do TJMT.
 
Segundo a desembargadora, o conflito é uma oportunidade de extrair grandes aprendizados e de muito crescimento pessoal, caso seja aplicado um olhar diferente para a situação. “Quando aprendemos a tática da compaixão natural, nós nos desarmamos. A vida é melhor quando não precisamos combater, não precisamos nos desgastar.”
 
Ano da Justiça Restaurativa nas Escolas – O ano de 2023 foi escolhido pelo Superior Tribunal Federal (STF), como o ano da Justiça Restaurativa na educação. Mato Grosso é um dos Estados pioneiros do país em tratar os métodos restaurativos como política pública, por meio dos Círculos de Construção de Paz nas escolas.
 
Para a líder do Judiciário, o espaço escolar é onde tudo acontece. “Todas as dores e mazelas sociais são refletidas nas escolas.”
 
“Estamos capacitando as redes municipais e estadual para serem facilitadores dessas escolas. Até que tudo isso vire um hábito. Uma prática cotidiana, que vai reverberar nas famílias e espaços de convivência dos jovens e adolescentes. Porque eles reproduzem esses comportamentos com mais facilidades. Eles são altamente beneficiados com essas práticas, porque aliviam o peso do bullying e preconceito, que são muito trabalhados nos Círculos de Construção de Paz.”
 
Exemplo no Estado – A Comarca de Campo Verde é considerada modelo no Estado e concorre ao Prêmio Innovare 2023, que premia boas iniciativas na Justiça.
Mais de 700 facilitadores já foram formados nesse primeiro semestre e milhares de pessoas já passaram pelos círculos no Estado. A presidente do TJMT destaca que as práticas restaurativas devem se transformar numa filosofia de vida, não apenas uma ferramenta.
 
“Trouxemos para os nossos espaços, departamentos, fóruns, as práticas dos círculos, que ajudam a construir relacionamentos fortes e saudáveis. Contando as histórias de cada um num ambiente de segurança e confidencialidade. Isso forma uma rede de empatia fantástica”, afirma a desembargadora.
 
“O secretário de educação, Allan Porto, nos trouxe um documento oficial colocando a JR como uma das 10 premissas do Estado. Compromisso de gestão para o Estado inteiro. E nesses termos de parceria, o Tribunal oferece a formação dos parceiros. Estamos com adesões incríveis, como a Assembleia Legislativa que está patrocinando uma grande campanha que está sendo exibida em todo estado, inclusive no fantástico.”
 
“Estamos vivendo um momento único com muitas adesões. Com a advocacia entendendo cada vez mais o seu papel, junto com o Ministério Público e a Defensoria Pública. E assim vão surgindo todos os dias novas propostas de parcerias. As pessoas estão sentindo necessidade de relacionamentos mais humanos”, finaliza a líder do Poder Judiciário de Mato Grosso.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
Primeira imagem: print da live realizada no instagram pelo canal @contatoiman. Na imagem estão as anfitriãs e a presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva. Ao lado, imagem do chat da live.
 
Marco Cappelletti
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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