TECNOLOGIA
Abertas as inscrições para o Fórum de Jovens Cientistas BRICS
Estão abertas as inscrições para o Fórum de Jovens Cientistas BRICS 2025 (BRICS Young Scientists Forum – YSF), que será realizado de 15 e 17 de setembro em Brasília. O Fórum ocorre todos os anos no país que ocupa a presidência rotativa do bloco, reunindo jovens cientistas de todos os países que integram os BRICS.
“O Fórum de Jovens Cientistas (YSF) tem o propósito de conectar esses jovens em um esforço para buscar soluções para os desafios enfrentados pelos países do Sul Global, além de fomentar e encorajar a colaboração futura entre os cientistas do bloco”, disse a coordenadora-geral de Cooperação Multilateral da Assessoria Especial de Assuntos Internacional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (ASSIM/MCTI), Adriana Thomé.
Adriana pontuou que este é um evento que faz parte de uma estratégia de longo prazo para desenvolver um ambiente alternativo à cooperação científica internacional.
“Vale ressaltar o parágrafo 78 da Declaração do Rio de Janeiro, adotada pelos líderes do BRICS no início deste mês, que encoraja os países do bloco a promoverem a participação dos jovens no Fórum. O Brasil já contou com a participação de mais de 100 jovens cientistas brasileiros no Fórum ao longo das nove edições anteriores”, destacou.
A exemplo de edições anteriores do BRICS YSF, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) foi convidada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) a indicar os participantes brasileiros. Serão selecionados três cientistas para cada uma das áreas temáticas propostas pela presidência brasileira. São elas:
- Pesquisa em mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Uma contribuição dos BRICS para a COP 30
- Diplomacia científica em um mundo em transição. A visão dos BRICS e do Sul Global
- Inteligência Artificial para Soluções Sociais. Como as tecnologias emergentes podem melhorar a vida dos cidadãos de países dos BRICS?
O MCTI providenciará o pagamento das passagens dos representantes do Brasil. As despesas locais (hospedagem, alimentação, transporte etc.) serão cobertas pelos organizadores do BRICS YSF.
Os requisitos para candidatura são:
- Demonstrar capacidade de comunicação em inglês, idioma oficial do evento que não contará com tradução simultânea;
- Ter concluído um mestrado, embora estar cursando ou ter concluído um doutorado seja levado em conta na seleção;
- Ser natural ou naturalizado de um país do BRICS, ou possuir visto de residência permanente;
- Ter no máximo 39 anos até o dia 31 de dezembro de 2025;
- Não ter participado de uma edição anterior do BRICS YSF.
A indicação de candidatos/submissão de candidaturas deve ser feita até o dia 6 de agosto, através do envio de e-mail para [email protected] contendo:
– Indicação da área temática de interesse;
– Formulário em anexo preenchido;
– Link para o CV Lattes;
– Foto em boa resolução.
Cabe reforçar que a inscrição é apenas para participação no Fórum de Jovens Cientistas BRICS. As inscrições para o Prêmio Jovem Inovador BRICS (BRICS Young Innovators Prize – YIP) será divulgada separadamente.
Baixe o Formulário de Inscrição.
TECNOLOGIA
Do laboratório à linha de frente: Sandra Coccuzzo transforma pesquisa em resposta concreta à sociedade
A biomedicina poderia ter levado Sandra Coccuzzo por muitos caminhos. Mas foi no Laboratório de Fisiopatologia do Instituto Butantan que a pesquisadora, ainda estagiária, encontrou o seu lugar. Hoje, doutora em farmacologia e diretora do Centro de Desenvolvimento Científico (CDC), integra o instituto há mais de 30 anos. Nesse percurso, investigou o potencial terapêutico do veneno de serpentes, esteve na linha de frente da pandemia de covid-19 e participou da formação de diversos cientistas.
O impacto do trabalho ultrapassou os limites do laboratório, especialmente durante a pandemia, quando a ciência passou a ocupar o centro do debate público. Pesquisas antes restritas ao ambiente acadêmico passaram a ser acompanhadas pela população, com expectativa concreta de aplicação em tratamento e cuidado.
Antes disso, o caminho até a pesquisa foi guiado pela curiosidade. Ainda na graduação, Sandra buscava compreender os mecanismos por trás das doenças. “A biomedicina tem uma característica de te instigar a perguntar, de querer entender o porquê das coisas. E foi isso que me capturou”, afirma. O primeiro contato com o Butantan também veio por meio de outra mulher, que a encaminhou a uma pesquisadora da instituição. O gesto acabou definindo o rumo da sua carreira — e se repetiria ao longo da trajetória.
Crotoxina
No Laboratório de Fisiopatologia, passou a investigar o potencial de substâncias presentes no veneno da cascavel, em especial a crotoxina. O que poderia ser visto como elemento nocivo revelou-se, sob determinadas condições, uma fonte promissora para o desenvolvimento de novas terapias. “Existe uma frase na farmacologia: entre o veneno e o remédio está a dose”, explica.
Os estudos demonstraram que, em concentrações controladas, a toxina pode modular o sistema imunológico, com potencial terapêutico, inclusive em processos inflamatórios e tumorais. Com o avanço das pesquisas, o foco passou a incluir a compreensão detalhada de sua estrutura molecular, possibilitando a reprodução dessas moléculas em laboratório.
Esse processo permite transformar um elemento natural em base para medicamentos sem depender da extração contínua de venenos. “A natureza funciona como um protótipo. A gente aprende com ela e consegue reproduzir essas moléculas de forma sintética”, afirma.
A dimensão do trabalho se ampliou quando os resultados passaram a circular fora do ambiente acadêmico. “Eu comecei a receber cartas de mães com crianças em tratamento. Pessoas que viam na pesquisa uma esperança. Isso não tem preço.”
O enfrentamento à covid-19
Esse movimento se intensificou durante a pandemia. “As pessoas passaram a entender o que é ciência, a se interessar. Hoje existe uma expectativa real sobre o que a pesquisa pode trazer para a vida delas”, afirma.
À frente de estruturas estratégicas do Butantan, Sandra participou da organização de respostas diretas à crise sanitária, incluindo iniciativas voltadas ao diagnóstico molecular e à vigilância do vírus.
A pesquisa passou a operar em tempo real, com impacto direto sobre decisões em saúde pública. Foi nesse contexto em que ela contraiu covid-19, mantendo-se em isolamento enquanto acompanhava as atividades do instituto, em um momento em que a ciência se consolidava como ferramenta central no enfrentamento da crise.
Mulher e cientista
Ao longo dessa trajetória, a presença feminina na ciência aparece como parte do caminho que Sandra precisou sustentar. No Brasil, a participação de mulheres em publicações científicas passou de 38%, em 2002, para 49%, em 2022, segundo relatório da Agência Bori e da Elsevier. Ainda assim, a desigualdade persiste nos espaços de liderança: em 2023, elas ocupavam 45,6% dos grupos de pesquisa, com menor presença em áreas científicas e tecnológicas.
Sandra reconhece esse peso no próprio percurso. “Tem, sim. Eu tenho uma família extremamente contributiva. Meu marido sempre me deu muito apoio. Mas, nitidamente, você está dobrando sua responsabilidade”, afirma.
Ao assumir a direção científica, passou a acumular gestão, produção científica, formação de pesquisadores e captação de recursos. “Eu não posso deixar de ser cientista. Eu não posso deixar de formar pessoas. Eu não posso deixar de recrutar recursos”, resume.
A maternidade atravessou esse processo. Para sustentar todas as frentes, precisou reorganizar a rotina. “Eu tive que sucumbir o meu tempo de casa para não deixar os pratinhos caírem”, diz.
A trajetória, no entanto, não foi solitária. Sandra destaca a importância de uma rede de apoio formada por outras mulheres, desde referências no início da carreira até o apoio da mãe, Valéria, e de pesquisadoras e familiares. Mesmo com reconhecimento, as diferenças de tratamento ainda aparecem. “Existem posições que você toma que, se eu fosse homem, seriam acatadas e ovacionadas. Por eu ser mulher, elas são ouvidas e primeiro racionalizadas.”
Instituída em 2004 por decreto do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) é realizada anualmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com universidades, instituições de pesquisa, agências de fomento, escolas, museus, governos locais, empresas e entidades da sociedade civil. Em 2026, ao adotar como tema as Mulheres e Meninas na Ciência, a iniciativa reforça a centralidade de trajetórias como as de Sandra — pesquisadora cujos trabalhos demonstram, na prática, como a produção científica liderada por mulheres amplia o impacto social da ciência, conecta conhecimento às necessidades da população e contribui para a construção de um sistema científico mais diverso e representativo.
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