FORÇA POLÍTICA E RECORDE HISTÓRICO
Mauro Mendes supera recorde de Blairo Maggi, elege aliados, enfraquece adversários e se consolida como eminência parda da política de MT
Com mais de 1,18 milhão de votos, ex-governador se torna o senador mais votado da história de Mato Grosso; obras, equilíbrio fiscal e fortalecimento de seu grupo ampliam seu protagonismo, enquanto bastidores já especulam possível participação em um eventual governo Flávio Bolsonaro
O ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) encerrou as eleições de 2026 com uma conquista que ultrapassa a vitória pessoal para o Senado Federal. Com 1.187.352 votos, superou o recorde histórico de Blairo Maggi, que permanecia intacto havia 16 anos, e se tornou o candidato ao Senado mais votado da história de Mato Grosso em números absolutos.
O resultado ganhou dimensão ainda maior com a eleição de importantes aliados, a continuidade de seu projeto político no Governo do Estado e as derrotas eleitorais de adversários históricos que, durante anos, protagonizaram embates com o ex-governador.
Mauro Mendes saiu das urnas com um grupo político fortalecido, uma expressiva votação pessoal e uma rede de influência que ultrapassa os limites do Palácio Paiaguás.
A nova configuração política coloca o senador eleito em posição estratégica para participar das grandes articulações partidárias e institucionais de Mato Grosso, projetando-o como uma espécie de eminência parda da política estadual.
### Recorde de Blairo Maggi cai depois de 16 anos
Desde 2010, o recorde de votação absoluta para o Senado em Mato Grosso pertencia ao ex-governador Blairo Maggi, que havia conquistado 1.073.039 votos.
Dezesseis anos depois, Mauro Mendes alcançou 1.187.352 votos, superando a marca anterior em 114.313 votos e estabelecendo um novo recorde estadual em números absolutos.
A conquista representa mais um capítulo de uma trajetória que passou pela Prefeitura de Cuiabá, por dois mandatos no Governo do Estado e, agora, pela chegada ao Senado Federal.
Ao superar Blairo Maggi, Mauro Mendes não apenas estabelece uma nova referência eleitoral, mas amplia seu capital político e sua capacidade de articulação no cenário estadual e nacional.
### Mauro elege aliados e amplia seu projeto político
O resultado das eleições de 2026 também evidenciou a presença de integrantes do grupo político de Mauro Mendes em diferentes esferas de poder.
No Governo do Estado, Otaviano Pivetta (Republicanos), seu principal aliado e sucessor, conquistou a reeleição em primeiro turno, garantindo a continuidade do projeto político-administrativo construído durante os mandatos de Mendes.
Na Câmara Federal, a eleição teve um significado especial para o ex-governador. Sua esposa, Virgínia Mendes (União Brasil), conquistou uma cadeira de deputada federal com mais de 102 mil votos, após anos de atuação em projetos sociais em Mato Grosso.
Outro nome de destaque foi Fábio Garcia (União Brasil), considerado um dos principais afilhados políticos de Mauro Mendes, que também garantiu sua eleição para a Câmara dos Deputados.
O grupo ainda comemorou a vitória do coronel Roveri (Podemos), ex-secretário de Segurança Pública da gestão Mauro Mendes, que conquistou uma vaga no Congresso Nacional.
Na disputa pelo Senado, José Medeiros (PL) conquistou a segunda cadeira, compondo o novo cenário político de Mato Grosso em Brasília, embora pertença a um partido e a um grupo com articulações próprias.
Com Pivetta no Palácio Paiaguás, Virgínia Mendes, Fábio Garcia e coronel Roveri na Câmara Federal e sua própria presença no Senado, Mauro Mendes reúne uma estrutura de aliados que amplia sua influência sobre os rumos da política estadual.
### Adversários históricos sofrem derrotas nas urnas
Se Mauro Mendes viu seu grupo político conquistar posições estratégicas, diferentes adversários enfrentaram resultados desfavoráveis nas eleições.
Entre eles está o ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro, antigo desafeto político do ex-governador. Seu filho, Emanuelzinho, não conseguiu renovar o mandato na Câmara dos Deputados.
Outro núcleo que enfrentou dificuldades eleitorais foi o da família Campos, que vinha acumulando divergências e disputas políticas com Mendes.
Na disputa pelo Senado, Janaina Riva (MDB), que protagonizou embates com o ex-governador, também terminou derrotada, ficando fora das duas vagas em disputa.
O resultado das urnas enfraqueceu eleitoralmente diferentes grupos que, em algum momento, estiveram em rota de colisão com Mauro Mendes.
Essas derrotas não podem ser atribuídas exclusivamente à atuação do ex-governador, mas integram o cenário de reorganização das forças políticas estaduais após as eleições.
### Carlos Fávaro e o rompimento de 2022
Outro capítulo importante envolve o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), que rompeu politicamente com Mauro Mendes em 2022, antes da campanha de reeleição do então governador.
Desde aquele período, os dois passaram a ocupar campos políticos distintos, protagonizando divergências públicas e críticas veiculadas pela imprensa mato-grossense.
Nas eleições de 2026, Fávaro tentou retornar ao Senado Federal, mas não conseguiu conquistar uma das duas vagas em disputa.
O resultado também atingiu seu núcleo familiar. Sua filha, Rafaela Fávaro (PSD), candidata a deputada estadual, não conseguiu se eleger para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
A dupla derrota eleitoral representou um revés para o grupo político ligado ao ministro e acrescentou um novo capítulo à rivalidade estabelecida com Mauro Mendes.
O enfraquecimento eleitoral de grupos ligados a Fávaro, à família Pinheiro e a outros adversários históricos ampliou o espaço político ocupado pelo grupo do ex-governador.
### Obras, hospitais e equilíbrio fiscal fortaleceram o discurso de Mauro
A trajetória eleitoral de Mauro Mendes também está associada ao legado administrativo de seus dois mandatos no Governo de Mato Grosso.
Ao assumir o Executivo estadual, em 2019, Mendes encontrou dificuldades fiscais e adotou medidas de reorganização das contas públicas.
O equilíbrio fiscal, a regularidade no pagamento dos servidores, a organização dos compromissos com fornecedores e a recuperação da capacidade de investimento passaram a integrar as principais marcas de sua gestão.
Na infraestrutura, uma das iniciativas mais importantes foi a operação que levou o Governo de Mato Grosso, por meio da MTPar, a assumir o controle societário da concessionária Rota do Oeste, permitindo a retomada dos investimentos e a duplicação de trechos da BR-163.
A construção de pontes, a pavimentação de rodovias e a melhoria das ligações entre municípios também ganharam destaque durante sua administração.
A infraestrutura tornou-se uma das principais vitrines da gestão Mauro Mendes, especialmente em um Estado que depende fortemente da logística para o desenvolvimento econômico e o escoamento da produção agropecuária.
Outro empreendimento de grande porte foi o Parque Novo Mato Grosso, concebido como um complexo de eventos, turismo, lazer e desenvolvimento econômico, com etapas de implantação ao longo de 2026.
Na mobilidade urbana, a substituição do antigo projeto do VLT pelo sistema BRT representou uma das decisões mais marcantes e controversas de sua administração, com etapas ainda pendentes de conclusão.
### Hospital Central e expansão da saúde pública
Na saúde, o Hospital Central de Mato Grosso, em Cuiabá, tornou-se uma das principais realizações associadas ao governo Mauro Mendes.
A entrega do Hospital Central, após décadas de paralisação, passou a simbolizar a política de retomada de obras e ampliação dos investimentos em saúde pública no Estado.
O governo também investiu na construção e ampliação de hospitais regionais em municípios do interior, com o objetivo de descentralizar o atendimento especializado e reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes até Cuiabá.
Na segurança pública, a gestão realizou investimentos em equipamentos, viaturas, armamentos, tecnologia e estrutura das forças policiais.
Hospitais, rodovias, pontes, segurança pública e equilíbrio fiscal formaram o conjunto de realizações utilizado por Mauro Mendes e seus aliados para defender a continuidade de seu projeto político-administrativo.
### O confronto entre críticas e entregas administrativas
Ao longo de seus mandatos, Mauro Mendes protagonizou embates com adversários que questionavam suas decisões administrativas, prioridades de investimentos e posicionamentos políticos.
Em resposta, o ex-governador frequentemente procurou contrapor as críticas às realizações de sua gestão, cobrando resultados concretos daqueles que o atacavam.
Na avaliação política defendida por Mauro Mendes, parte de seus adversários dedicava mais tempo às críticas e aos discursos do que à apresentação de entregas administrativas capazes de produzir resultados para Mato Grosso.
Essa narrativa tornou-se uma das características de seu posicionamento público e foi incorporada ao discurso de continuidade de seus aliados.
O resultado das eleições de 2026, embora influenciado por diversos fatores, reforçou politicamente o grupo que defendeu esse modelo administrativo.
Enquanto Mauro Mendes conquistou uma votação recorde e viu aliados alcançarem mandatos estratégicos, diferentes grupos de oposição não conseguiram atingir seus objetivos eleitorais.
### Uma influência que ultrapassa o Palácio Paiaguás
Com o resultado das urnas, Mauro Mendes inicia uma nova etapa de sua trajetória política.
Se antes sua influência estava diretamente associada ao comando do Executivo estadual, agora passa a contar com uma posição institucional no Senado Federal e aliados ocupando cargos relevantes em Mato Grosso e Brasília.
A combinação de capital eleitoral, experiência administrativa e articulação partidária coloca Mauro Mendes em posição de influência sobre decisões políticas que vão muito além do Palácio Paiaguás.
Nesse contexto, a expressão eminência parda representa a capacidade de participar das grandes negociações políticas e exercer influência sobre os rumos do Estado, mesmo sem ocupar diretamente o comando do Governo.
### E o avanço do projeto político de Mauro Mendes pode não parar por aí
O fortalecimento político do ex-governador já começa a ultrapassar as fronteiras de Mato Grosso. Nos bastidores de Brasília, Mauro Mendes aparece entre os nomes cotados para integrar o primeiro escalão de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As especulações envolvem principalmente o Ministério de Minas e Energia e o Ministério da Agricultura. Segundo informações divulgadas pelo SBT News, Mauro estaria entre os interessados em comandar Minas e Energia, embora outros nomes, como o economista Adriano Pires, também estejam sendo considerados.
A experiência administrativa do ex-governador, especialmente em infraestrutura, concessões rodoviárias e investimentos públicos, também é apontada como uma credencial para ocupar funções estratégicas no Governo Federal.
A eventual participação de Mauro Mendes em um ministério representaria uma nova etapa de seu projeto político, desta vez com atuação direta nas decisões do Executivo nacional.
Por enquanto, as conversas são informais e dependem do resultado do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Não existe confirmação de convite ou nomeação.
Depois de superar o recorde de Blairo Maggi, fortalecer seu grupo, ver aliados conquistarem mandatos e adversários históricos sofrerem derrotas eleitorais, Mauro Mendes chega a Brasília com um capital político expressivo.
Se antes sua influência estava concentrada no Palácio Paiaguás, agora o ex-governador passa a reunir condições para participar das grandes articulações nacionais. Seja no Senado Federal, seja em um eventual ministério, Mauro Mendes inicia um novo capítulo de sua trajetória política, com projeção para além de Mato Grosso.
Análise política exclusiva do Folha de Mato Grosso.
POLÍTICA MT
ALMT aprova projeto de Max Russi para ampliar cuidados paliativos na rede pública de saúde
Proposta prevê controle da dor, acompanhamento emocional, atendimento individualizado e suporte a familiares e cuidadores de pacientes em cuidados paliativos.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou, em redação final, o Projeto de Lei nº 1.148/2025, de autoria do deputado estadual Max Russi (Podemos), que busca fortalecer a assistência a pacientes que necessitam de cuidados paliativos. A votação ocorreu na quarta-feira (7), e o texto segue agora para análise do Poder Executivo, responsável pela sanção ou veto.
A proposta altera a Lei Estadual nº 11.509/2021, que instituiu o Programa Estadual de Cuidados Paliativos, para adequar a legislação às diretrizes da Política Nacional de Cuidados Paliativos, criada em 2024. O objetivo é ampliar o atendimento humanizado na rede pública, considerando as necessidades físicas e emocionais dos pacientes e o apoio às pessoas que acompanham o tratamento.
Entre as medidas previstas estão a identificação precoce das necessidades de cada paciente, a elaboração de planos individuais de tratamento e o controle da dor e de outros sintomas. O projeto também prevê acompanhamento dos familiares durante o processo de luto.
O texto estabelece estratégias para ampliar a oferta desses serviços em Mato Grosso, incluindo a articulação entre o Estado e os municípios, a formação de equipes especializadas e a capacitação contínua dos profissionais de saúde. Também está prevista a implantação de leitos hospitalares destinados a pacientes que necessitam de cuidados paliativos.
Outro ponto da proposta é a criação de mecanismos de monitoramento da política estadual, com indicadores de qualidade, participação dos usuários e publicação de relatórios de avaliação a cada dois anos.
Ao defender a iniciativa, Max Russi ressaltou a importância de garantir conforto, acolhimento e dignidade às pessoas que enfrentam doenças graves e situações de maior vulnerabilidade. A proposta também busca oferecer suporte às famílias durante períodos delicados do tratamento.
Com a aprovação em redação final na Assembleia, o projeto aguarda agora a decisão do Poder Executivo para entrar em vigor.
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