POLÍTICA MT

Frente parlamentar discute preço do leite pago a produtores em Mato Grosso

Publicados

em

A Frente Parlamentar de Apoio ao Produtor de Leite realizou reunião na tarde desta segunda-feira (4) com grande presença de produtores do estado e representantes de organização como Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e Associação dos Produtores de Leite da Região Oeste de Mato Grosso (Aplo-MT). A principal reinvindicação feita é sobre o preço pago aos produtores pelo leite por indústrias. 

“Não tem um equilíbrio no preço do leite. Nós tiramos, entregamos e não sabemos quanto vamos receber. Também há falta de chuva, ração cara, mercado caro e o leite voltando para trás. Estamos perdendo um real, um e cinquenta do preço que era. Se continuar assim, nós não conseguimos manter nossa propriedade, nossa família. Não tem diálogo das indústrias com o produtor”, expôs o presidente da Aplo-MT, Luciano Rodrigues.

O coordenador da frente parlamentar, deputado estadual Gilberto Cattani (PL), vê a situação com angústia. “Infelizmente chegamos ao fundo do poço na cadeia leiteira. Tem leite importado entrando sem imposto no nosso país e a gente vê o nosso produtor rural sendo desprezado dessa maneira”, avaliou. A solução para ajustar o preço do leite passa por ação do governo federal, segundo o parlamentar. “Nós podemos criar políticas públicas, fazer projetos de lei para fortalecer o setor, mas não é o suficiente. Isso depende da federação”, afirmou. 

Leia Também:  Grupo de Trabalho para proteção dos animais debate adoção consciente, leis e fiscalização

“A Assembleia está fazendo a parte dela. Já votamos inúmeras leis. R$ 80 milhões foram pra Seaf [Secretaria Estadual de Agricultura Familiar] para apoiar o produtor. Temos de cobrar do governo a contratação de técnicos”, defendeu o deputado Valmir Moretto (Republicanos). Ele também se mostrou preocupado com os relatos de que os produtores não estão conseguindo receber recursos do fundo de aval. Essa é uma pauta que vou levar à Casa Civil, Sedec [Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico] para apurar se isso procede. Se não estiver funcionando, vamos cobrar. Se estiver funcionando, vamos trazer um esclarecimento para que o produtor possa acessar esse benefício tão importante”, disse.

Além dessas discussões, foi feita uma apresentação aos produtores de leite sobre os projetos de lei que tramitam na Casa e que visam atender o setor, como os PLs nº 1992/2023 e nº 2097/2023. O último foi discutido em novembro pela frente parlamentar e tem como objetivo retirar incentivos fiscais na comercialização de leite importado. Também são membros da Frente Parlamentar de Apoio ao Produtor de Leite os deputados Carlos Avallone (PSDB), Dr. Eugênio (PSB) e Elizeu Nascimento (PL).


Leia Também:  Mães de filhos com deficiência lutam por redução de jornada

Secretaria de Comunicação Social

Telefone: (65) 3313-6283

E-mail: [email protected]


Fonte: ALMT – MT

Propaganda

POLÍTICA MT

PEDRO TAQUES E O COMPLEXO DA DERROTA: O CANDIDATO A SENADOR QUE PREFERE SER DETETIVE A APRESENTAR UM PROJETO PARA MATO GROSSO

Oito anos depois de perder a reeleição no primeiro turno, ex-governador volta a confrontar Mauro Mendes; sua candidatura ao Senado reacende questionamentos sobre o legado administrativo de seu governo e a incapacidade de transformar o embate político em propostas para o futuro do Estado

Publicados

em

Por Palmiro Pimenta | Folha de Mato Grosso

Pedro Taques já foi procurador da República, senador e governador de Mato Grosso. Agora, candidato novamente ao Senado, parece ter escolhido o papel de investigador de seu antigo adversário eleitoral.

O problema é que uma eleição para o Senado não é um concurso para delegado da Polícia Federal.

E muito menos uma oportunidade para reescrever o resultado das urnas de 2018.

Naquele ano, Taques ocupava o cargo de governador de Mato Grosso. Tinha a estrutura administrativa do Estado, visibilidade institucional e a oportunidade de apresentar ao eleitorado os resultados de quatro anos de gestão.

Mesmo assim, terminou derrotado ainda no primeiro turno.

Não foi Mauro Mendes quem impediu Pedro Taques de conquistar a reeleição. Foram os eleitores de Mato Grosso que decidiram não lhe conceder mais quatro anos de mandato.

Essa é uma realidade política que nenhuma denúncia contra adversários poderá modificar.

O COMPLEXO DA DERROTA

O que chamo de complexo da derrota é a insistência em transformar um revés eleitoral em um confronto permanente com o adversário que saiu vitorioso.

Pedro Taques teve a oportunidade de governar Mato Grosso.

Não foi impedido de exercer o mandato. Não foi afastado do Palácio Paiaguás antes de concluir sua gestão. Não deixou de disputar a reeleição.

Governou durante quatro anos e submeteu seu trabalho ao julgamento popular.

O resultado foi uma derrota no primeiro turno, apesar de ocupar a cadeira de governador.

A derrota de Taques não pode ser atribuída exclusivamente a Mauro Mendes sem ignorar o próprio governo que o eleitorado estava avaliando.

A disputa eleitoral de 2018 não começou no dia da votação. Foi construída ao longo dos quatro anos anteriores, com decisões administrativas, escolhas políticas, crises e dificuldades que marcaram aquela gestão.

É nesse histórico que devem ser procuradas as explicações para o resultado.

O GOVERNADOR QUE PRECISA RESPONDER PELO PRÓPRIO LEGADO

Pedro Taques chegou ao Palácio Paiaguás com a reputação de procurador da República e a promessa de aplicar sua experiência jurídica à administração pública.

Leia Também:  AlMT concede honrarias a personalidades que contribuem com o desenvolvimento de Mato Grosso

Mas governar não é conduzir uma investigação.

Governar exige capacidade de gestão, articulação política, planejamento financeiro, execução orçamentária e sensibilidade diante das necessidades da população.

Seu mandato terminou marcado por dificuldades fiscais, atrasos de pagamentos e questionamentos sobre a condução administrativa do Estado e corrupção com secretarios presos.

O contraste entre a expectativa criada em torno de sua eleição e o resultado de sua tentativa de reeleição merece permanecer no centro de qualquer análise sobre sua trajetória.

Quem pretende voltar ao Senado tem o direito de questionar o governo dos outros, mas também precisa responder pelas decisões tomadas quando teve a responsabilidade de administrar Mato Grosso.

É muito mais simples apontar os erros de um adversário do que explicar os resultados do próprio mandato.

É muito mais confortável exercer o papel de acusador do que submeter novamente à avaliação pública a própria experiência administrativa.

E é muito mais fácil fazer uma campanha de denúncias do que apresentar um projeto consistente para os próximos oito anos.

MAURO MENDES NÃO TINHA OBRIGAÇÃO DE SUSTENTAR O PROJETO POLÍTICO DE TAQUES

Existe outro aspecto importante nessa história.

Nenhum político possui direito adquirido à fidelidade eterna de seus antigos aliados.

A política é construída por convergências, divergências, projetos e escolhas.

Mauro Mendes não tinha obrigação de sustentar indefinidamente o projeto político de Pedro Taques.

Tampouco estava impedido de disputar o governo de Mato Grosso em 2018.

A derrota de Taques não transforma a candidatura de Mauro Mendes em uma dívida política ou moral.

O eleitorado teve alternativas e fez sua escolha.

Transferir a responsabilidade pelo resultado exclusivamente ao adversário seria desconsiderar a avaliação feita pela população sobre o governo que estava terminando.

DE GOVERNADOR A DETETIVE ELEITORAL

O que chama atenção na atual disputa é o espaço ocupado pelo confronto com Mauro Mendes na atuação política de Taques.

Leia Também:  Senador Wellington Fagundes propõe reduzir fração mínima de parcelamento e destravar regularização de pequenas propriedades rurais

O ex-governador possui experiência suficiente para discutir legislação, orçamento federal, segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento econômico.

Também conhece as dificuldades dos municípios mato-grossenses e as responsabilidades de quem ocupa o Executivo.

Poderia utilizar esse conhecimento para apresentar uma agenda legislativa detalhada.

Em vez disso, o enfrentamento com o antigo adversário ocupa lugar de destaque em sua campanha.

Denúncias fundamentadas devem ser apuradas, independentemente de quem esteja envolvido. Mas não substituem propostas de mandato.

O Senado não é uma delegacia. A campanha eleitoral não é um inquérito policial. E o eleitor mato-grossense não está obrigado a transformar uma disputa entre antigos adversários em sua principal preocupação política.

A DERROTA QUE NÃO PODE SER APAGADA

Pedro Taques pode questionar Mauro Mendes quantas vezes considerar necessário.

Pode apresentar denúncias, solicitar investigações e cobrar explicações.

Esses são direitos legítimos de qualquer cidadão.

Mas nenhuma dessas iniciativas altera o fato de que ele próprio teve a oportunidade de governar Mato Grosso e foi derrotado quando pediu ao eleitorado a renovação de seu mandato.

A eleição de 2018 pertence à história política do Estado.

Não existe investigação capaz de mudar aquele resultado.

A questão para 2026 é se Pedro Taques conseguirá apresentar uma candidatura que vá além do confronto com o homem que o derrotou oito anos antes.

Porque, enquanto a campanha permanecer concentrada nesse embate, continuará aberta uma pergunta que o eleitor tem todo o direito de fazer:

Afinal, Pedro Taques pretende voltar ao Senado para representar Mato Grosso ou para continuar disputando politicamente uma eleição que terminou em 2018?

O Estado precisa de representantes com propostas para o futuro. O passado eleitoral de Pedro Taques, por mais presente que esteja em seus confrontos políticos, não pode ocupar sozinho o lugar de um projeto para Mato Grosso.

Palmiro Pimenta
CEO do Folha de Mato Grosso

Continue lendo

política mt

mato grosso

policial

PICANTES

MAIS LIDAS DA SEMANA