JUSTIÇA DO TRABALHO
Grávida é condenada após apresentar cinco atestados médicos falsos em Cuiabá
Trabalhadora alegou ter sido dispensada injustamente, mas documentos foram desmentidos por unidades de saúde; Justiça também reconheceu litigância de má-fé
A Justiça do Trabalho em Mato Grosso condenou uma trabalhadora que apresentou cinco atestados médicos falsos para justificar faltas ao trabalho e, posteriormente, sustentou em audiência que os documentos eram verdadeiros. A decisão foi proferida pelo juiz Juliano Girardello, da 5ª Vara do Trabalho de Cuiabá.
A mulher trabalhava em uma empresa terceirizada responsável por serviços de limpeza em escolas municipais e foi dispensada por justa causa no fim de 2025. Ao recorrer à Justiça, ela afirmou que a penalidade havia sido aplicada de forma injusta e alegou que suas ausências estavam relacionadas ao acompanhamento médico necessário durante a gestação.
Na ação, a trabalhadora também pediu o reconhecimento da estabilidade provisória garantida às gestantes, além do pagamento de verbas rescisórias, multa de 40% sobre o FGTS e liberação das guias para saque do fundo e recebimento do seguro-desemprego.
A empresa, por sua vez, defendeu a manutenção da justa causa e afirmou que a conduta da funcionária havia sido grave o suficiente para romper a confiança necessária à continuidade do vínculo empregatício.
Segundo a sentença, a trabalhadora apresentou cinco atestados médicos entre setembro e outubro de 2025. Quatro deles eram atribuídos à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sul – Pascoal Ramos e um à Unidade de Saúde da Família (USF) Jardim Fortaleza.
Durante o processo, a trabalhadora negou reiteradamente ter adulterado os documentos e afirmou que a acusação apresentada pela empresa se baseava em “interpretações subjetivas”.
Diante da controvérsia, o juiz determinou que fossem encaminhados ofícios às unidades de saúde e aos profissionais indicados nos documentos para verificar se os atendimentos realmente haviam ocorrido e se os atestados eram autênticos.
As respostas encaminhadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá confirmaram que os documentos não correspondiam aos atendimentos registrados. A UPA Pascoal Ramos informou que o atestado apresentado não havia sido emitido pela unidade na data indicada.
O documento atribuído à USF Jardim Fortaleza também não foi reconhecido. Embora houvesse registro de atendimento de enfermagem em nome da trabalhadora naquela data, a unidade informou que não constava atendimento realizado pelo médico mencionado no atestado e tampouco registro de emissão do documento.
Para o magistrado, a apresentação de atestados médicos inautênticos para justificar faltas e receber salário sem a prestação dos serviços configurou falta grave e justificou a dispensa por justa causa.
A sentença também rejeitou o pedido relacionado à estabilidade provisória da gestante. Segundo o juiz, embora a proteção assegurada às trabalhadoras grávidas impeça a dispensa arbitrária ou sem justa causa, ela não impede a ruptura do contrato quando existe falta grave comprovada.
Além disso, o magistrado reconheceu a ocorrência de litigância de má-fé. Na avaliação registrada na sentença, a trabalhadora não apenas questionou judicialmente a penalidade aplicada, mas sustentou como verdadeiros documentos que posteriormente foram desmentidos pelas próprias unidades de saúde.
Por esse motivo, ela foi condenada ao pagamento de multa por litigância de má-fé correspondente a 9,9% sobre o valor corrigido da causa, em favor da empresa.
A trabalhadora também deverá pagar honorários sucumbenciais aos advogados da empresa e do Município, correspondentes a 5% sobre o valor da causa para cada um dos advogados.
POLICIAL
Foragida de MT teria feito cinco cirurgias para mudar aparência e evitar prisão
Angeliquinha vivia na Bolívia com documento falso desde a fuga de Cuiabá e foi localizada após trabalho conjunto das polícias
A foragida da Justiça de Mato Grosso Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, teria realizado mais de cinco procedimentos estéticos para alterar a própria aparência e dificultar sua identificação durante o período em que permaneceu escondida na Bolívia. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (23) pelo delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Angélica foi presa na terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, após permanecer foragida desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Segundo o delegado, a maioria dos procedimentos realizados pela foragida teria sido concentrada no rosto, com o objetivo de modificar suas características físicas e dificultar o reconhecimento.
“Provavelmente ela tentava alterar a feição para que não fosse reconhecida. Em fotos divulgadas, ela aparece com curativos”, afirmou Victor Hugo.
De acordo com o delegado, Santa Cruz de la Sierra possui ampla oferta de procedimentos estéticos e esse tipo de recurso pode ser utilizado por pessoas procuradas pela Justiça para tentar dificultar a localização.
“É uma prática comum entre criminosos, sobretudo foragidos, que sabem que têm mandado de prisão em aberto, e líderes de organização criminosa”, declarou.
Victor Hugo citou ainda casos de criminosos procurados internacionalmente que também teriam recorrido a mudanças na aparência para dificultar a identificação.
Além das alterações físicas, Angeliquinha utilizava um documento brasileiro falso quando foi localizada pelas autoridades. Conforme o delegado, durante a abordagem ela teria tentado negar que era a pessoa procurada pela Justiça.
A identificação, no entanto, foi confirmada por meio de reconhecimento facial e do cruzamento de informações compartilhadas entre as autoridades brasileiras e bolivianas.
“Ela apresentou um documento diverso, mas aí já tinha feito a identificação facial, a identificação real dela, inclusive com as informações que foram repassadas pela Polícia Boliviana, e não teve como ela ter sucesso”, afirmou o delegado.
Angeliquinha possuía seis mandados de prisão em aberto e acumula mais de 260 anos de condenações por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.
Após a prisão, ela deverá passar pelos procedimentos previstos pela legislação boliviana. Como estava em posse de documentação falsa, segundo o delegado, a expectativa é que seja submetida às medidas cabíveis pelas autoridades do país, incluindo os procedimentos relacionados à deportação para o Brasil.
Com informações Midia News
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