PASSADO NO PT

26 anos no PT: passado partidário de Adelcino Lopo ganha novo peso em meio ao apelido de “Melancia do Araguaia” – veja filiação ao PT 

Registro apresentado à reportagem aponta que ex-prefeito permaneceu filiado ao Partido dos Trabalhadores entre 1991 e 2017; em 2026, candidato passou por diferentes articulações, aproximando-se de grupos ligados a Wellington Fagundes, Otaviano Pivetta, Mauro Mendes e Carlos Fávaro

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A trajetória partidária do ex-prefeito de Pontal do Araguaia e candidato a deputado estadual Adelcino Lopo (Podemos) ganhou um novo capítulo no debate político do Vale do Araguaia. Documentação apresentada à reportagem aponta que Adelcino permaneceu filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) por aproximadamente 25 anos e 10 meses.

Segundo o registro apresentado, Adelcino Francisco Lopo teria ingressado no PT em 19 de julho de 1991, com encerramento da filiação registrado em 10 de maio de 2017. O documento vincula o cadastro eleitoral a Barra do Garças.

veja filiação

A informação acrescenta um dado histórico à trajetória de um político que, na eleição de 2026, passou a ser chamado por críticos e adversários de “Melancia do Araguaia”. O apelido já circulava em grupos de mensagens e redes sociais depois das mudanças de alianças atribuídas ao candidato durante a campanha.

A filiação histórica ao PT, por si só, não permite concluir quais são as posições ideológicas atuais de Adelcino, mas ajuda a reconstruir sua trajetória partidária. Nas eleições municipais de 2020 e 2024, por exemplo, ele disputou a Prefeitura de Pontal do Araguaia pelo MDB; em 2026, aparece como candidato a deputado estadual pelo Podemos.

Mudanças no tabuleiro de 2026

A movimentação de Adelcino durante a atual campanha também chamou atenção. Reportagens publicadas neste mês registraram que ele iniciou sua caminhada eleitoral próximo ao grupo de Wellington Fagundes, mas posteriormente se aproximou de outras forças políticas, incluindo Carlos Fávaro e Otaviano Pivetta. Foi nesse contexto que adversários e internautas passaram a utilizar expressões como “traíra” e “melancia” para criticá-lo.

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Posteriormente, Adelcino passou a integrar atos ao lado de Pivetta e a manifestar apoio também a Mauro Mendes. Em 28 de agosto, Pivetta e Mauro tiveram presença anunciada na inauguração do comitê eleitoral do candidato em Barra do Garças. Na ocasião, a aproximação foi relacionada, por aliados ouvidos pela imprensa local, às obras, emendas e recursos destinados a Pontal do Araguaia durante a administração estadual.

A relação administrativa de Adelcino com o governo Mauro Mendes não é recente. Quando prefeito, ele buscou diretamente apoio do governo estadual para projetos em Pontal do Araguaia, e há registros públicos de convênios e investimentos realizados no município durante sua gestão. Em 2022, por exemplo, Adelcino participou, como presidente do Consórcio Intermunicipal Portal do Araguaia, da assinatura de um convênio estadual de R$ 15 milhões destinado a nove municípios da região.

Outro registro da época mostra Adelcino procurando apoio de Mauro Mendes e Max Russi para viabilizar um projeto de portal na entrada de Pontal do Araguaia.

Já em junho deste ano, o atual prefeito Luciano Costa afirmou, durante a assinatura de duas ordens de serviço que ultrapassavam R$ 6 milhões, que os recursos haviam sido conquistados ainda na gestão de Adelcino, por meio de convênios firmados com o governo estadual.

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Do PT ao Podemos

O histórico apresentado, portanto, coloca em perspectiva uma trajetória política que atravessou diferentes legendas e alianças. O registro encaminhado à reportagem aponta quase 26 anos de vínculo com o PT; anos depois, Adelcino foi eleito prefeito pelo MDB e, atualmente, disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo Podemos.

Na campanha de 2026, seus movimentos entre diferentes palanques passaram a ser explorados politicamente por adversários. O apelido “Melancia do Araguaia” deve ser entendido nesse contexto: trata-se de uma provocação utilizada por críticos, e não de uma classificação objetiva sobre sua posição ideológica.

O que os registros permitem afirmar é que Adelcino possui uma longa passagem partidária pelo PT e, ao longo dos anos seguintes, estabeleceu relações políticas e administrativas com grupos distintos do cenário mato-grossense.

A história de quase 26 anos no Partido dos Trabalhadores acrescenta, assim, uma peça até então pouco conhecida ao quebra-cabeça de sua trajetória política justamente em uma eleição na qual suas mudanças de alianças se tornaram tema recorrente entre apoiadores e adversários no Vale do Araguaia.

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POLÍTICA MT

Empresas ligadas à família de Wellington receberam R$ 3 milhões em benefícios, aponta levantamento

Dados atribuídos à Sefaz-MT indicam incentivos a três empresas entre 2019 e 2025; senador havia declarado que seus negócios nunca receberam benefício fiscal

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Empresas relacionadas ao senador e candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) e a familiares receberam aproximadamente R$ 3,04 milhões em benefícios tributários entre 2019 e 2025, segundo levantamento publicado nesta quarta-feira (16) pelo jornal A Gazeta, elaborado a partir de informações da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT).

A informação ganhou repercussão após uma declaração de Wellington durante entrevista à TV Centro América, na terça-feira (15). Ao falar sobre sua trajetória empresarial e criticar a política de incentivos fiscais, o senador afirmou que mantém empresas há mais de 50 anos e que nunca havia recebido benefício dessa natureza.

De acordo com o levantamento divulgado, três empresas aparecem entre as beneficiárias. A Zootec teria recebido R$ 1,081 milhão em incentivos fiscais; a Raça Agro Norte, R$ 1,037 milhão; e a SGM, R$ 919,9 mil. Juntos, os valores chegam a cerca de R$ 3,038 milhões no período analisado.

Relação com familiares

A Raça Agro Norte é administrada por João Antônio Fagundes Neto, filho do senador. Registros públicos citados nas reportagens também relacionam João Antônio à Zootec. Documentos referentes ao Grupo Raça Agro incluem Zootec, Raça Agro Norte e SGM entre as empresas vinculadas ao grupo empresarial administrado pelo filho de Wellington.

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Os dados divulgados, portanto, dizem respeito a empresas relacionadas ao senador e a familiares, e não significam que os R$ 3 milhões tenham sido pagos diretamente a Wellington Fagundes.

Wellington defende mudança nos critérios

Apesar das críticas ao atual modelo, Wellington não propõe acabar com a política de incentivos fiscais. O candidato defende mudanças nos critérios de concessão e sustenta que empresas beneficiadas devem apresentar contrapartidas ao Estado, incluindo geração de empregos, industrialização, investimentos e retorno socioeconômico e ambiental.

O senador também tem defendido que pequenos e médios empreendedores tenham maior acesso aos incentivos e às linhas de crédito estaduais.

Debate sobre incentivos

A discussão sobre benefícios fiscais ganhou espaço durante a campanha eleitoral em Mato Grosso. A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) tem defendido a manutenção da política e afirma que, para cada R$ 1 de renúncia fiscal concedido pelos programas estaduais, foram registrados R$ 4,66 em investimentos diretos no Estado.

A entidade também cita o estudo Custo Mato Grosso, segundo o qual produzir no Estado gera custos adicionais em comparação às regiões Sul e Sudeste devido a fatores como infraestrutura rodoviária, ferroviária e energética, distância dos grandes centros consumidores e questões relacionadas à mão de obra.

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