ATUALIZAÇÃO FUNDIÁRIA
Senador Wellington Fagundes propõe reduzir fração mínima de parcelamento e destravar regularização de pequenas propriedades rurais
Projeto apresentado no Senado Federal atualiza regra dos anos 1970, amplia segurança jurídica no campo e pode facilitar heranças, acesso ao crédito e permanência de jovens no meio rural
O senador Wellington Fagundes apresentou no Senado Federal um projeto de lei que propõe a redução da Fração Mínima de Parcelamento (FMP) de imóveis rurais para 5 mil metros quadrados (0,5 hectare). A iniciativa busca modernizar a legislação fundiária brasileira, em vigor desde a década de 1970, adequando-a às transformações econômicas, tecnológicas e produtivas do campo.
A proposta dialoga com texto semelhante que tramita na Câmara dos Deputados, de autoria do deputado Zé Trovão, e amplia o debate sobre a atualização das normas que regem o uso e a divisão da terra no país.
Impactos das regras atuais
Segundo o parlamentar, a legislação vigente foi concebida em um contexto histórico em que se acreditava que pequenas propriedades rurais não teriam viabilidade econômica. Hoje, esse entendimento não corresponde à realidade do agronegócio e da agricultura familiar.
Na prática, as regras atuais dificultam a regularização de áreas produtivas de menor extensão, travam processos de desmembramento em casos de herança, aumentam a insegurança jurídica e limitam o acesso de produtores rurais a crédito e políticas públicas. Para o senador, esse conjunto de entraves estimula o êxodo rural e reforça a concentração fundiária.
Regularização e segurança jurídica
Ao defender o projeto, Wellington Fagundes afirmou que a atualização da lei é essencial para reconhecer a realidade do campo brasileiro.
“A legislação não acompanha o que acontece hoje nas áreas rurais. Há famílias produzindo, gerando renda e emprego em pequenas propriedades, mas impedidas de regularizar suas terras por uma regra ultrapassada”, afirmou.
De acordo com o senador, a mudança permitirá o registro legal de pequenas propriedades, dará segurança jurídica às famílias, facilitará processos sucessórios e criará condições para a permanência de jovens no meio rural.
Efeitos sociais e econômicos
O parlamentar destacou ainda que a regularização fundiária impacta diretamente a qualidade de vida dos produtores. Com a propriedade formalizada, agricultores passam a acessar linhas de crédito, investir na produção, ampliar a renda e planejar o futuro com mais previsibilidade.
“Trata-se de uma medida objetiva, mas com reflexos concretos na vida de quem depende da terra para viver”, ressaltou.
Diálogo com o setor e função social da terra
Durante a construção do texto, Wellington Fagundes citou a contribuição do presidente do CRECI Mato Grosso, Claudecir Contreira, destacando que o diálogo com representantes do setor imobiliário rural foi decisivo para aprimorar a proposta e ampliar sua efetividade.
O projeto reforça o princípio constitucional da função social da propriedade rural, reconhecendo a produtividade e o valor econômico de pequenas áreas, e busca alinhar a legislação fundiária aos avanços tecnológicos e ao novo perfil do agronegócio brasileiro, marcado por eficiência produtiva mesmo em espaços reduzidos.
A proposta agora entra em tramitação no Congresso e deve mobilizar o debate entre produtores, entidades do setor rural e parlamentares nos próximos meses.
POLÍTICA MT
Abilio se posiciona contra reajuste de 11% na tarifa de água e busca barrar aumento
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), se posicionou contra o aumento de 11,93% na tarifa de água e esgoto, mas afirma que o reajuste decorre de uma sentença arbitral originada em processos e decisões tomadas durante gestões anteriores. Segundo a Prefeitura, a cobrança é resultado de medidas que deixaram de ser adotadas nos últimos anos, especialmente durante a administração do ex-prefeito Emanuel Pinheiro, e que acabaram gerando passivos contratuais agora reconhecidos em arbitragem.
Apesar da decisão arbitral favorável à concessionária Águas Cuiabá, a gestão municipal sustenta que continuará buscando alternativas jurídicas para tentar impedir ou reduzir o impacto do reajuste sobre a população. A determinação do prefeito é que todos os instrumentos administrativos e judiciais disponíveis sejam utilizados na defesa dos consumidores.
De acordo com o município, a discussão está relacionada à primeira revisão ordinária do contrato de concessão, firmado em 2012, e envolve fatos ocorridos entre 2013 e 2019. A sentença arbitral que reconheceu o direito ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato foi baseada em atos administrativos e pareceres emitidos antes da atual gestão.
Em nota, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) informou que a Sentença Arbitral Parcial proferida no Procedimento Arbitral CMA nº 775 reconheceu o direito da concessionária ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato e determinou que a recomposição ocorra por meio de aumento tarifário de 11,93%.
De acordo com a PGM, a decisão arbitral teve como base parecer técnico emitido pela extinta Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá (Arsec) e está relacionada à primeira revisão ordinária do contrato de concessão.
*Prefeitura mantém batalha na Justiça*
A discussão na Câmara Arbitral teve decisão favorável à concessionária, no entanto, exigem ações judiciais em andamento que podem impactar no contrato de concessão dos serviços de água e esgoto.
Segundo o procurador-geral do município, Luiz Junior, o percentual de 11,93% já foi consolidado na esfera arbitral, mas os processos judiciais continuam tramitando. Atualmente, uma mesa técnica foi instalada no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para discutir as ações que tratam do contrato de concessão.
Participam das discussões representantes do Ministério Público de Mato Grosso, autor de algumas das ações, da Cuiabá Regula, da Procuradoria-Geral do Município e demais órgãos envolvidos.
“A questão arbitral, quanto ao percentual de 11,93% já foi decidida, mas os processos judiciais seguem em andamento e estão sendo debatidos nessa mesa técnica instalada no Tribunal de Contas”, afirmou o procurador.
A administração municipal sustenta que continuará adotando todas as medidas cabíveis para defender os interesses da população e buscar alternativas para evitar o impacto do reajuste nas contas de água e esgoto.
*Entenda*
O pedido de reajuste apresentado pela Águas Cuiabá está vinculado à primeira revisão ordinária do contrato de concessão e a mecanismos de recomposição econômico-financeira previstos contratualmente.
A Cuiabá Regula esclareceu que o procedimento arbitral foi iniciado em 2022, antes da criação da autarquia, e que sua participação ocorre apenas por sucessão legal da extinta Arsec. A agência afirma que não participou dos atos que deram origem ao litígio e que sua atuação se restringe à análise técnica dos cálculos e à verificação do cumprimento das regras contratuais.
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