BASTIDORES DA CPI

Delação: Depoimento sigiloso de médico à CPI da Saúde aumenta expectativa sobre investigação na ALMT

Testemunha foi ouvida em sessão reservada, sem acesso da imprensa, e conteúdo das declarações permanece sob sigilo, alimentando especulações nos bastidores políticos.

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O depoimento de um médico à CPI da Saúde, realizada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), movimentou os bastidores políticos nesta semana. Ouvido em sessão reservada na última quarta-feira (15), o profissional prestou esclarecimentos aos integrantes da comissão em um ambiente fechado, sem a presença da imprensa.

Segundo informações divulgadas pela coluna Aparte, do jornal A Gazeta, o depoente recebeu atenção integral dos parlamentares durante a oitiva, que ocorreu sob sigilo. O conteúdo das declarações não foi divulgado oficialmente, aumentando as expectativas sobre os possíveis desdobramentos da investigação.

A justificativa apresentada pelo presidente da CPI, deputado estadual Wilson Santos (PSD), foi a necessidade de preservar o caráter sigiloso das informações prestadas pelo médico. No entanto, a ausência de detalhes sobre o que foi tratado acabou gerando ainda mais especulações nos corredores da Assembleia Legislativa.

O mistério em torno do depoimento reforça a expectativa sobre os próximos passos da comissão parlamentar, que investiga possíveis irregularidades na área da saúde pública em Mato Grosso. Parlamentares evitam antecipar informações, enquanto aguardam a análise do material apresentado durante a sessão reservada.

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A tendência é que os próximos depoimentos e a eventual divulgação de documentos ou relatórios possam esclarecer a relevância das informações prestadas pelo médico e indicar os rumos da CPI.

Com informações da coluna Aparte, do jornal A Gazeta, reproduzidas pelo FolhaMax.

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POLÍTICA MT

Há dez anos, entre choro, confissões e flatulências, irmão de Emanuel Pinheiro e esposa eram gravados por irmão de Wilson Santos com celular escondido na cueca

Gravação atribuída a Elias Santos registrou conversa de Marco Polo Pinheiro, o Popó, e Bárbara Pinheiro sobre o caso Caramuru; encontro teria sido marcado por temor, choro e pedidos para que o assunto não fosse levado à campanha eleitoral

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Há dez anos, em meio à acirrada disputa pela Prefeitura de Cuiabá em 2016, um episódio envolvendo política, suspeitas de pagamento de propina, incentivos fiscais e uma gravação feita de maneira inusitada ganhou repercussão em Mato Grosso e entrou para a história dos bastidores políticos do Estado.

O caso envolvia Marco Polo Pinheiro, conhecido como Popó, irmão de Emanuel Pinheiro, e sua esposa, Bárbara Pinheiro. Do outro lado estava Elias Santos, irmão do deputado estadual Wilson Santos, que naquele ano disputava a Prefeitura de Cuiabá contra Emanuel.

Segundo reportagem publicada à época pelo MidiaNews e posteriormente repercutida por outros veículos, Elias Santos teria gravado uma conversa com o casal utilizando um telefone celular escondido na parte frontal da calça, junto à cueca.

Clique e veja reportagem do Midianews

O encontro teria ocorrido em setembro de 2016, no edifício Ravenna Park, no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá, onde Wilson Santos possuía apartamento.

ENCONTRO EM PLENA CAMPANHA

De acordo com o relato publicado na época, Marco Polo teria ligado para o celular de Wilson Santos por volta das 21 horas. Quem atendeu foi Elias, que teria sido informado de que Popó precisava conversar urgentemente com o então candidato.

Pouco depois, Marco Polo e Bárbara chegaram ao edifício. Como Wilson ainda não havia retornado de compromissos de campanha, Elias teria descido para atender o casal.

Bárbara estaria chorando e os dois demonstrariam preocupação com a possibilidade de Wilson Santos levar para seu programa eleitoral informações relacionadas a um suposto esquema envolvendo a Caramuru Alimentos.

Elias retornou ao apartamento e relatou a situação ao irmão. Conforme a versão publicada, Wilson teria estranhado a presença do irmão de seu adversário e da esposa naquele horário e chegou a desconfiar de uma possível armação.

Foi nesse momento que ocorreu uma das passagens mais inusitadas de toda a história.

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CELULAR ESCONDIDO NA CUECA

Antes de voltar ao encontro, Elias teria colocado um celular escondido na parte frontal da calça, junto à cueca, para registrar a conversa.

O diálogo começou no hall do edifício e prosseguiu posteriormente no interior do apartamento.

Já na sala, o próprio casal teria demonstrado receio de que estivesse sendo gravado. Conforme a reportagem, Marco Polo chegou a perguntar se alguém registrava a conversa.

Os celulares visíveis teriam sido colocados sobre uma mesa. O aparelho usado para registrar o encontro, porém, permanecia escondido na roupa de Elias.

A forma improvisada utilizada para realizar a gravação também teria produzido uma situação incomum: além das falas, o registro teria captado ruídos corporais atribuídos a flatulências durante o encontro, detalhe que posteriormente virou parte folclórica da repercussão política do episódio.

CHORO, MEDO E SUPOSTAS CONFISSÕES

A conversa teria durado aproximadamente 30 minutos e entrou em terreno muito mais delicado quando passou a tratar da Caramuru Alimentos.

Segundo o conteúdo atribuído à gravação e divulgado na época, Bárbara teria relatado recebimento de dinheiro supostamente relacionado a uma consultoria destinada à obtenção de benefícios fiscais estaduais para a empresa.

O assunto estaria relacionado a incentivos fiscais concedidos durante a gestão do então governador Silval Barbosa e envolveria, segundo as alegações reproduzidas nas reportagens, a Secretaria de Indústria e Comércio, então comandada por Allan Zanatta.

Em determinados momentos, Bárbara teria chorado e demonstrado forte preocupação com as consequências que o episódio poderia provocar.

Uma das declarações atribuídas a ela na transcrição sintetizou o clima do encontro:

“Eu não quero ser presa. Estou com medo. Estou com medo, eu juro por Deus, estou muito assustada.”

Em outro trecho reproduzido pelo material, ela teria manifestado vontade de deixar Mato Grosso por causa da situação.

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Marco Polo, segundo a reportagem, permaneceu praticamente em silêncio durante boa parte da conversa.

PEDIDO PARA WILSON NÃO LEVAR CASO À TV

O pano de fundo político aumentava ainda mais a temperatura do episódio. Emanuel Pinheiro e Wilson Santos estavam em lados opostos da disputa pela Prefeitura de Cuiabá.

De acordo com o relato divulgado naquele período, o casal teria procurado Wilson justamente para pedir que o assunto envolvendo a Caramuru não fosse explorado em seu programa eleitoral na televisão.

A conversa, portanto, ocorreu em pleno ambiente de campanha e poderia ter consequências políticas importantes.

GRAVAÇÃO NÃO TERIA SIDO REVELADA IMEDIATAMENTE

Após o término do encontro, Elias Santos não teria informado imediatamente a Wilson que havia gravado o diálogo.

A cúpula da campanha de Wilson teria tomado conhecimento posteriormente da existência e do conteúdo do registro, que acabou ganhando repercussão pública.

O episódio entrou para os bastidores da política mato-grossense não apenas pela gravidade das acusações apresentadas naquele momento, mas também pelas circunstâncias incomuns em que a conversa foi registrada.

UMA DÉCADA DEPOIS

Dez anos depois, o chamado Caso Caramuru permanece como um dos episódios mais curiosos e controversos da política recente de Mato Grosso, reunindo uma disputa eleitoral acirrada, acusações relacionadas a incentivos fiscais, choro, temor de prisão e uma gravação feita com um telefone escondido na roupa.

É importante ressaltar, contudo, que as declarações registradas e as acusações publicadas naquele período não equivalem, isoladamente, a uma condenação judicial nem permitem atribuir responsabilidade criminal aos envolvidos sem decisão da Justiça.

Uma década depois, o episódio continua sendo lembrado sobretudo pela explosiva mistura de política, suspeitas envolvendo dinheiro público e pelas circunstâncias absolutamente incomuns daquela gravação celular escondido na cueca, choro, medo e até ruídos de flatulência captados durante a conversa.

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