ESCÂNDALO CARAMURU —  A 1 ANO ARQUIVADO

Há dez anos, entre choro, confissões e flatulências, irmão de Emanuel Pinheiro e esposa eram gravados por irmão de Wilson Santos com celular escondido na cueca

Gravação atribuída a Elias Santos registrou conversa de Marco Polo Pinheiro, o Popó, e Bárbara Pinheiro sobre o caso Caramuru; encontro teria sido marcado por temor, choro e pedidos para que o assunto não fosse levado à campanha eleitoral

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Há dez anos, em meio à acirrada disputa pela Prefeitura de Cuiabá em 2016, um episódio envolvendo política, suspeitas de pagamento de propina, incentivos fiscais e uma gravação feita de maneira inusitada ganhou repercussão em Mato Grosso e entrou para a história dos bastidores políticos do Estado.

O caso envolvia Marco Polo Pinheiro, conhecido como Popó, irmão de Emanuel Pinheiro, e sua esposa, Bárbara Pinheiro. Do outro lado estava Elias Santos, irmão do deputado estadual Wilson Santos, que naquele ano disputava a Prefeitura de Cuiabá contra Emanuel.

Segundo reportagem publicada à época pelo MidiaNews e posteriormente repercutida por outros veículos, Elias Santos teria gravado uma conversa com o casal utilizando um telefone celular escondido na parte frontal da calça, junto à cueca.

Clique e veja reportagem do Midianews

O encontro teria ocorrido em setembro de 2016, no edifício Ravenna Park, no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá, onde Wilson Santos possuía apartamento.

ENCONTRO EM PLENA CAMPANHA

De acordo com o relato publicado na época, Marco Polo teria ligado para o celular de Wilson Santos por volta das 21 horas. Quem atendeu foi Elias, que teria sido informado de que Popó precisava conversar urgentemente com o então candidato.

Pouco depois, Marco Polo e Bárbara chegaram ao edifício. Como Wilson ainda não havia retornado de compromissos de campanha, Elias teria descido para atender o casal.

Bárbara estaria chorando e os dois demonstrariam preocupação com a possibilidade de Wilson Santos levar para seu programa eleitoral informações relacionadas a um suposto esquema envolvendo a Caramuru Alimentos.

Elias retornou ao apartamento e relatou a situação ao irmão. Conforme a versão publicada, Wilson teria estranhado a presença do irmão de seu adversário e da esposa naquele horário e chegou a desconfiar de uma possível armação.

Foi nesse momento que ocorreu uma das passagens mais inusitadas de toda a história.

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CELULAR ESCONDIDO NA CUECA

Antes de voltar ao encontro, Elias teria colocado um celular escondido na parte frontal da calça, junto à cueca, para registrar a conversa.

O diálogo começou no hall do edifício e prosseguiu posteriormente no interior do apartamento.

Já na sala, o próprio casal teria demonstrado receio de que estivesse sendo gravado. Conforme a reportagem, Marco Polo chegou a perguntar se alguém registrava a conversa.

Os celulares visíveis teriam sido colocados sobre uma mesa. O aparelho usado para registrar o encontro, porém, permanecia escondido na roupa de Elias.

A forma improvisada utilizada para realizar a gravação também teria produzido uma situação incomum: além das falas, o registro teria captado ruídos corporais atribuídos a flatulências durante o encontro, detalhe que posteriormente virou parte folclórica da repercussão política do episódio.

CHORO, MEDO E SUPOSTAS CONFISSÕES

A conversa teria durado aproximadamente 30 minutos e entrou em terreno muito mais delicado quando passou a tratar da Caramuru Alimentos.

Segundo o conteúdo atribuído à gravação e divulgado na época, Bárbara teria relatado recebimento de dinheiro supostamente relacionado a uma consultoria destinada à obtenção de benefícios fiscais estaduais para a empresa.

O assunto estaria relacionado a incentivos fiscais concedidos durante a gestão do então governador Silval Barbosa e envolveria, segundo as alegações reproduzidas nas reportagens, a Secretaria de Indústria e Comércio, então comandada por Allan Zanatta.

Em determinados momentos, Bárbara teria chorado e demonstrado forte preocupação com as consequências que o episódio poderia provocar.

Uma das declarações atribuídas a ela na transcrição sintetizou o clima do encontro:

“Eu não quero ser presa. Estou com medo. Estou com medo, eu juro por Deus, estou muito assustada.”

Em outro trecho reproduzido pelo material, ela teria manifestado vontade de deixar Mato Grosso por causa da situação.

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Marco Polo, segundo a reportagem, permaneceu praticamente em silêncio durante boa parte da conversa.

PEDIDO PARA WILSON NÃO LEVAR CASO À TV

O pano de fundo político aumentava ainda mais a temperatura do episódio. Emanuel Pinheiro e Wilson Santos estavam em lados opostos da disputa pela Prefeitura de Cuiabá.

De acordo com o relato divulgado naquele período, o casal teria procurado Wilson justamente para pedir que o assunto envolvendo a Caramuru não fosse explorado em seu programa eleitoral na televisão.

A conversa, portanto, ocorreu em pleno ambiente de campanha e poderia ter consequências políticas importantes.

GRAVAÇÃO NÃO TERIA SIDO REVELADA IMEDIATAMENTE

Após o término do encontro, Elias Santos não teria informado imediatamente a Wilson que havia gravado o diálogo.

A cúpula da campanha de Wilson teria tomado conhecimento posteriormente da existência e do conteúdo do registro, que acabou ganhando repercussão pública.

O episódio entrou para os bastidores da política mato-grossense não apenas pela gravidade das acusações apresentadas naquele momento, mas também pelas circunstâncias incomuns em que a conversa foi registrada.

UMA DÉCADA DEPOIS

Dez anos depois, o chamado Caso Caramuru permanece como um dos episódios mais curiosos e controversos da política recente de Mato Grosso, reunindo uma disputa eleitoral acirrada, acusações relacionadas a incentivos fiscais, choro, temor de prisão e uma gravação feita com um telefone escondido na roupa.

É importante ressaltar, contudo, que as declarações registradas e as acusações publicadas naquele período não equivalem, isoladamente, a uma condenação judicial nem permitem atribuir responsabilidade criminal aos envolvidos sem decisão da Justiça.

Uma década depois, o episódio continua sendo lembrado sobretudo pela explosiva mistura de política, suspeitas envolvendo dinheiro público e pelas circunstâncias absolutamente incomuns daquela gravação celular escondido na cueca, choro, medo e até ruídos de flatulência captados durante a conversa.

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POLÍTICA MT

Candidatos usam propaganda eleitoral para defender jornada 5×2, combate ao crime e pautas para mulheres

Programa eleitoral desta quarta-feira (9) reuniu propostas de Carlos Fávaro, Pedro Taques, Mauro Mendes, Margareth Buzetti e Zé Medeiros na disputa por vagas ao Senado por Mato Grosso

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O programa eleitoral exibido nesta quarta-feira (9) no rádio e na televisão para os candidatos ao Senado por Mato Grosso levou ao centro do debate temas de forte impacto social, como a mudança da jornada de trabalho, segurança pública, combate ao crime organizado e políticas voltadas às mulheres.

A propaganda foi aberta pelo senador Carlos Fávaro (PSD), que busca a reeleição. A inserção destacou a defesa do fim da escala de trabalho 6×1 e apresentou depoimentos de trabalhadoras sobre a rotina considerada exaustiva, especialmente para mulheres que acumulam atividades profissionais e domésticas.

A peça eleitoral também defendeu a adoção da jornada 5×2, com dois dias de descanso por semana. Nos depoimentos exibidos, trabalhadoras afirmaram que a redução da jornada poderia ampliar o tempo destinado à família, ao lazer e ao descanso.

Na sequência, o ex-governador e ex-senador Pedro Taques (PSB) teve sua trajetória institucional destacada, principalmente pela atuação como procurador da República e pelo combate às organizações criminosas.

A propaganda associou a candidatura de Taques à pauta de segurança pública e ressaltou sua experiência no enfrentamento ao crime organizado. A locução também mencionou sua atuação na Justiça e participação na elaboração do Código Penal.

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O ex-governador defendeu mudanças na política brasileira e afirmou que a sociedade busca “dignidade”, “esperança” e novos costumes políticos. A mensagem encerrou a participação de Taques com uma defesa de maior rigor no combate ao crime.

No segundo bloco, o ex-governador Mauro Mendes (União) apareceu defendendo o endurecimento das leis penais e destacando sua experiência à frente do Poder Executivo estadual.

Mendes afirmou que um senador precisa ter coragem para enfrentar problemas relacionados à segurança, desenvolvimento e qualidade de vida. A propaganda também reforçou a necessidade de mudanças nas leis de combate ao crime.

A senadora Margareth Buzetti (PP) apresentou, por sua vez, o plano de propostas denominado “Nossa Senhora”, com foco principalmente na proteção e autonomia das mulheres.

A parlamentar destacou medidas relacionadas ao combate à violência contra a mulher e defendeu ações nas áreas de creche, saúde, trabalho e crédito. Segundo a mensagem apresentada na propaganda, a proteção seria apenas uma das etapas de uma política mais ampla voltada à independência financeira feminina.

Já o deputado federal Zé Medeiros (PL) utilizou seu espaço para reafirmar o alinhamento político com o ex-presidente Jair Bolsonaro e defender o agronegócio.

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A propaganda apresentou Medeiros como candidato indicado por Bolsonaro ao Senado em Mato Grosso e destacou a importância do setor agropecuário para a economia estadual. O deputado também criticou o que classificou como ataques e perseguição ao agronegócio.

Com diferentes discursos e prioridades, o programa eleitoral desta quarta-feira colocou em evidência cinco temas centrais na disputa pelo Senado: mudança na jornada de trabalho, segurança pública, combate ao crime organizado, proteção às mulheres e defesa do agronegócio.

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