MATO GROSSO
Estados da Amazônia Legal planejam ações integradas de combate a crimes ambientais
Secretários de Meio Ambiente dos Estados da Amazônia Legal se uniram para endurecer as medidas contra o desmatamento ilegal e incêndios florestais, o que representa atuar na proteção de mais de 50% do território do País. A ação conjunta foi o principal tema da reunião do Fórum de Secretários da Força-Tarefa de Governadores para Clima e Florestas (GCF-Task Force), realizado nesta quarta-feira (11/05), em Cuiabá.
O plano regional de combate ao desmatamento traz ações, possíveis de serem implementadas de modo integrado entre os nove estados. Um exemplo é a possibilidade de aquisição de equipamentos e insumos para as ações em campo de modo facilitado, com menor custo, em sistema de consórcio.
“Apresentamos também neste encontro uma proposta de ação articulada com o governo federal, para apoiar o combate aos crimes ambientais, não só em áreas públicas federais, como em áreas de conflito e de divisa entre os estados”, destacou a secretária de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti.

O presidente do Fórum e secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, destaca que estas áreas de divisa, nos extremos dos estados do Amazonas, Mato Grosso, Pará e Maranhão são regiões que precisam ser alvo da fiscalização estadual e federal. Para isso, os secretários aprovaram uma agenda para integrar operações e esforços em campo, em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama).
Os Estados têm ampliado os investimentos e a estrutura de combate ao desmate ilegal. No entanto, o reforço constante da União é necessário. “Não é mais uma agenda ambiental. É preciso ser vista como agenda de segurança pública, para que possamos ter rapidez nas operações e ações”.
Mercado de carbono
As procuradorias de Meio Ambiente estaduais apresentaram aos secretários os resultados das discussões legais sobre como os Estados brasileiros podem estruturar um mercado de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd+).
O foco do debate foi a possibilidade de os estados tornarem rentável a preservação da floresta. Além do mercado privado, outro desafio discutido foi o custeio dos esforços estatais para manter preservadas as áreas de proteção integral.

O Fórum de secretários da Força-Tarefa de Governadores para Clima e Florestas (GCF-Task Force) foi criado para unir esforços em pautas ambientais comuns. O encontro, sediado em Mato Grosso entre 10 e 11 de maio, reuniu secretários e gestores dos órgãos ambientais dos estados do Maranhão, Rondônia, Amapá, Mato Grosso, Roraima, Amazonas, Pará e Tocantins.
MATO GROSSO
Missão empresarial liderada pela Cônsul da Indonésia inicia aproximação com mineradores de Mato Grosso
Empresas que já atuam na compra de ouro, cobre e manganês brasileiros buscam ampliar sua rede de fornecedores em Mato Grosso por meio de relações comerciais de longo prazo.
Mato Grosso recebeu nesta semana uma missão empresarial internacional voltada à ampliação das relações comerciais entre produtores brasileiros e empresas que atuam no mercado internacional de minerais. A agenda foi liderada por Isadora Coimbra, empresária e Cônsul da Indonésia, que representa empresas de Dubai interessadas em ampliar sua rede de fornecedores no Estado e fortalecer relações comerciais de longo prazo.
A programação reuniu representantes do setor mineral, empresários, autoridades e instituições públicas em um ambiente voltado à aproximação entre o mercado brasileiro e investidores internacionais. Participaram da agenda, entre outras lideranças, a advogada empresarial Athena Campos, com atuação em relações e negócios internacionais, Taís Costa, diretora de Assuntos Internacionais da Presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, e Bruna Moraes, assessora internacional do Governo do Estado.
O evento também marcou o lançamento da unidade do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) em Mato Grosso, fortalecendo a organização institucional da cadeia mineral e ampliando o diálogo entre iniciativa privada, entidades representativas e poder público.
Após as agendas institucionais, Athena Campos passou a atuar na aproximação entre a missão empresarial e mineradores mato-grossenses, iniciando as tratativas para estruturar futuras oportunidades comerciais entre produtores locais e as empresas representadas pela missão.
Segundo Athena, o interesse demonstrado pelas empresas internacionais representa uma oportunidade importante para ampliar a inserção de Mato Grosso no mercado global de minerais.
Na avaliação da advogada, o interesse internacional não está relacionado apenas ao potencial produtivo do Estado, mas também à evolução da mineração mato-grossense nos últimos anos, com operações que já trabalham dentro de padrões exigidos pelo mercado internacional.
“As empresas já possuem uma atuação consolidada na aquisição de minerais brasileiros. O interesse agora é ampliar essa atuação em Mato Grosso, aproximando novos fornecedores e construindo uma presença cada vez mais forte no Estado. O que desperta esse interesse não é apenas o volume de produção, mas a existência de produtores que já operam com rastreabilidade, documentação, certificações e padrões compatíveis com as exigências do mercado internacional.”
Segundo Athena, o objetivo vai além da prospecção de fornecedores. A proposta é ampliar o número de produtores mato-grossenses preparados para acessar o mercado internacional, criando uma estrutura jurídica e operacional que permita novas oportunidades de exportação.
“Nossa proposta vai além de aproximar empresas estrangeiras de produtores que já exportam. Queremos também contribuir para estruturar jurídica e operacionalmente mineradores que ainda não acessam o mercado internacional, criando condições para que possam exportar diretamente, seja para Dubai ou para outros mercados.”
Ela explica que esse processo envolve uma estrutura técnica ampla, capaz de oferecer segurança, previsibilidade e conformidade para todas as partes envolvidas.
“Toda operação internacional exige uma estrutura jurídica consistente. Estamos falando de due diligence, análise documental, estruturação contratual, avaliação regulatória, compliance e de todos os mecanismos necessários para que essas operações sejam realizadas dentro dos padrões exigidos pelo mercado internacional.”
Outro aspecto observado durante as conversas com produtores foi a importância das relações de longo prazo já existentes no setor mineral brasileiro. Segundo Athena, esse mercado é tradicionalmente construído sobre confiança, histórico de relacionamento e conhecimento da realidade operacional de cada região.
“O mercado mineral não funciona apenas pela lógica de quem paga mais. Existem relações construídas ao longo de muitos anos entre produtores e compradores, que envolvem confiança, apoio ao desenvolvimento da produção e presença constante junto ao setor. Qualquer empresa que queira construir uma atuação sólida no Brasil precisa compreender essa dinâmica e desenvolver esse relacionamento ao longo do tempo.”
Na avaliação da advogada, o movimento iniciado pela missão empresarial representa uma oportunidade de fortalecer não apenas negócios específicos, mas todo o ambiente de internacionalização da mineração mato-grossense.
“O objetivo não é apenas criar novas rotas de comercialização. É ampliar a presença da mineração mato-grossense no mercado internacional, permitindo que um número cada vez maior de produtores tenha acesso direto às oportunidades globais. Quando conseguimos estruturar esse caminho com segurança jurídica e previsibilidade, fortalecemos toda a cadeia mineral do Estado.”
As tratativas iniciadas durante a missão deverão continuar nas próximas semanas, com novas reuniões entre representantes das empresas internacionais e mineradores mato-grossenses, dando sequência à estruturação das futuras parcerias e à ampliação da presença de Mato Grosso no mercado internacional de minerais.
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