TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Grupo de Fiscalização Carcerária visita Sinop e assina termo para adesão do Escritório Social

A Comarca de Sinop deu um passo importante no processo de ressocialização de pessoas privadas de liberdade nessa segunda-feira (18 de julho). O município recebeu a visita do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo de Mato Grosso (GMF/MT) para averiguar as condições e sugerir aperfeiçoamentos na Penitenciária Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, conhecida como Ferrugem.
 
Na inspeção de rotina, a equipe do GMF percorreu os raios e alas da unidade prisional e pôde constatar as melhorias implementadas após a última visita da equipe, em 2019. À época, as instalações da Penitenciária Ferrugem apresentavam condições precárias, com esgoto a céu aberto e moscas em meio às celas.
 
Hoje o cenário é bem diferente, com ambientes limpos onde os 777 reeducandos contam com biblioteca, quadra para banho de sol, sala para encontro com a família, sala de procedimentos, sala de audiência, com cabines individuais para videoconferência.
 
O supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri, visitou as celas da penitenciária e conversou com os reeducandos da unidade prisional. O desembargador ouviu as reivindicações dos apenados e orientou os privados de liberdade sobre a importância da educação e profissionalização para o processo de reinserção social. “A leitura, o estudo e o trabalho são as melhores formas de reinserção. A cada três dias trabalhados, um dia é diminuído da pena na remição, para que então possam voltar ao convívio com suas famílias. Não desperdicem essa oportunidade”, ressaltou o supervisor, junto aos reeducandos.
 
Além da parte estrutural, a unidade prisional oferece cerca de 10 projetos para o processo de ressocialização dos apenados, entre eles o ‘Literaliberdade’ (remição por leitura), Semear (cultivo de abacaxi), Horta Comunitária, Paisagismo e Jardinagem, Revida (unidade de corte e costura), Projeto Xadrez (confecção de peças e tabuleiros manufaturadas em madeiras), Projeto Refrigeração (manutenção em equipamentos de ar condicionado), Projeto Manutenção (construção civil e manutenção da unidade) e Projeto Orquestra de Violinos (em parceria com a Igreja da Congregação Cristã).
 
Números da unidade
 
57 reeducandos fazem remição por leitura;
129 trabalham intramuros (dentro da unidade);
18 trabalham extramuros (fora da unidade);
208 ressocializandos estudam, divididos em 13 turmas (04 turmas de Ensino Básico, em processo de Alfabetização, 07 de Ensino Fundamental e 04 de Ensino Médio).
 
Reunião com o prefeito de Sinop
 
Durante a visita ao município, o supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri, o coordenador do GMF, juiz Geraldo Fidelis, o juiz da Vara de Execução Penal de Sinop, Walter Tomaz da Costa, o secretário-adjunto do Sistema Carcerário, Jean Gonçalves, o presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas Teles, e a representante do Conselho do Município, Ingrid de Souza Eickhoff, participaram de uma reunião com o prefeito de Sinop, Roberto Dorner e secretários, para tratar da implantação do Escritório Social em Sinop.
 
Adesão ao Escritório Social
 
Em cerimônia realizada no Fórum da Comarca, o município assinou o termo de intenção para implantação do Escritório Social, uma importante ferramenta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que oferece atenção aos egressos e pré-egressos do Sistema Prisional.
 
Sinop é o quinto município de Mato Grosso a aderir ao equipamento de referência.
 
Projetos Educacionais
 
O supervisor do GMF convocou representantes de faculdades e instituições de ensino para oferta de cursos profissionalizantes e aulas de ensino à distância aos reeducandos, em parceria com as unidades educacionais. Também propôs a oportunidade de estágio para alunos das instituições nas áreas do Direito, Enfermagem, Psicologia, Odontologia e Assistência Social.
 
Encontro com o empresariado
 
No mesmo dia, a equipe do GMF se reuniu com empresários do município na sede da União das Entidades de Sinop (Unesin). O desembargador Orlando Perri apresentou os incentivos e benefícios da contratação de egressos e pré-egressos do Sistema Carcerário, assim como o papel social da ressocialização como política de segurança pública.
 
Para o juiz da Vara de Execução Penal de Sinop, Walter Tomaz da Costa, a visita do GMF contribui para a transparência do sistema prisional. Walter da Costa afirma que ao ter o feedback positivo do GMF, atestando o trabalho feito na unidade, recebe a confirmação de que estão no caminho certo. “Os projetos aqui implantados permitem que a pessoa privada de liberdade possa ter outras ferramentas além daquelas que ele possuía ao entrar. Isso faz com que ele retorne à sociedade mais traquejado para seguir o caminho do bem e afastado da criminalidade.”
 
O prefeito de Sinop, Roberto Dorner, ressaltou que a equipe técnica da prefeitura já está desenvolvendo as propostas feitas pelo desembargador Orlando Perri e pela equipe do GMF. “Vamos fazer da melhor forma possível. Desenvolveremos convênios junto com o Poder Judiciário, possibilitando através do Escritório Social o trabalho a favor dos reeducandos e a redução da pena.”
 
De acordo com o presidente da Unesin, Carlos Henrique Soares da Fonseca, a reinserção dos reeducandos no mercado de trabalho é fundamental para a diminuição dos índices de criminalidade e os incentivos oferecidos tornam ainda mais interessante a contratação dos egressos e pré-egressos do sistema carcerário. “Vamos ajudar a divulgar essas informações para motivar o empresariado em relação a isso. Temos um grande déficit de trabalhadores no mercado de trabalho e os reeducandos são uma boa mão de obra para o setor.”
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição das imagens: Foto1: Desembargador Orlando Perri e demais integrantes do GMF e da comitiva de Sinop no interior da Penitenciária. Do lado esquerdo estão portas de ferro onde está escrito em cada uma delas: Raio1, Parlatório e Sala de Aula. Foto 2: Reunião com prefeito de Sinop, desembargador Orlando Perri e demais participantes. Foto 3: Primeira-dama de Sinop, Scheila Pedroso, assina termo de intenção para implantação do Escritório Social no município. Ela usa uma blusa de manga curta rosa, calça bege, cabelos presos. Aos lado dela estão os integrantes do GMF. Foto 4: Reunião com empresários na Unesin. Os participantes estão dispostos em uma bancada e ouvem o juiz Walter Tomaz da Costa.
 
Marco Cappelletti/ Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Curso de formação aborda judicialização da saúde e reforça atuação prática de magistrados

A formação dos novos juízes e juízas de Mato Grosso ganhou um reforço prático nesta quarta-feira (06) com uma aula voltada para a judicialização da saúde. Conduzido pelo secretário-geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), juiz Agamenon Alcântara Moreno Júnior, o encontro do Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi) de magistrados destacou a importância de decisões equilibradas, que considerem tanto o direito à vida quanto a realidade do sistema público de saúde.

Durante a aula, os juízes foram orientados a alinhar teoria e prática, levando em conta fatores como orçamento público, evidências científicas e a estrutura disponível na rede de saúde. “A ideia do Cofi sempre foi oportunizar aos novos magistrados o contato com colegas mais experientes, para compartilhar situações do dia a dia, aliando teoria e prática. Trouxemos elementos que possam ser utilizados no cotidiano, principalmente em ações que envolvem a saúde pública”, explicou o juiz Agamenon.

Formação prática

O conteúdo também abordou a evolução das estruturas de apoio no Estado, como o NAT-Jus, o Cejusc da Saúde e o Núcleo 4.0, criados para qualificar decisões e dar mais agilidade às demandas. A proposta é incentivar o diálogo institucional entre Judiciário e gestores públicos, evitando medidas ineficazes, como bloqueios de recursos sem planejamento.

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“A saúde pública está entre as áreas com maior volume de demandas no Judiciário. É fundamental que o magistrado compreenda como funciona o sistema, conheça a realidade local e saiba avaliar quando uma liminar é cabível”, reforçou o secretário-geral.

Para a juíza Ana Flávia Martins François, da Primeira Vara de Juína, o aprendizado tem impacto direto na atuação. “Está sendo de grande valia, principalmente para quem está iniciando na carreira. Conhecer ferramentas como o Núcleo Digital 4.0 da Saúde e o Cejusc contribui para dar mais efetividade às decisões judiciais”, destacou.

Desafios reais

A magistrada Ana Flávia também relatou que já vivencia situações semelhantes na rotina forense, especialmente em plantões judiciais. “Frequentemente surgem pedidos por leitos de UTI. Muitas vezes, o Estado não consegue atender todas as demandas, o que exige soluções mais rápidas e eficientes, como o encaminhamento para núcleos especializados”, afirmou.

O juiz Felipe Barthón Lopez, da comarca de Vila Rica, ressaltou o caráter prático da aula. “Foi muito importante porque trouxe dicas aplicáveis ao dia a dia. Os novos magistrados vão enfrentar diversos desafios, e esse tipo de orientação ajuda a preparar para situações reais”, pontuou.

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Embora ainda atue na área criminal, ele reconhece a relevância do tema. “É importante estar preparado, porque futuramente esses desafios certamente farão parte da atuação”, completou.

O Curso Oficial de Formação Inicial de Juízes Substitutos (Cofi), iniciado em janeiro pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), é etapa obrigatória para o exercício da jurisdição. Com carga horária de 496 horas, a formação combina teoria e prática supervisionada, preparando os novos magistrados para uma atuação técnica, humanizada e alinhada às demandas da sociedade.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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