TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Justiça Comunitária celebra o Dia do Idoso com valorização da terceira idade em Várzea Grande
“Parece que eu estou me sentindo outra pessoa. Uma tristeza que eu tinha, parece que saiu. Eu amei, amei, amei. Estão todos de parabéns”. Com essa fala carregada de emoção, a aposentada Isenir Fermentam Guido, moradora do bairro Asa Bela, resumiu o sentimento de gratidão e alegria ao participar do Programa Idoso Feliz, realizado pela Justiça Comunitária do Fórum de Várzea Grande, na tarde desta quinta-feira (02). O evento foi promovido em comemoração ao Dia Internacional do Idoso, celebrado em 1º de outubro, e contou com a participação de 26 idosos atendidos pelas agentes comunitárias de justiça de Várzea Grande.
O programa, criado em 2020 pelo juiz Hugo José Freitas da Silva quando atuava na Comarca de Lucas do Rio Verde, tem como objetivo valorizar a pessoa idosa, reforçar seus direitos, aproximá-la da comunidade e estimular políticas públicas que promovam inclusão, dignidade e respeito. Esta foi a primeira vez que a iniciativa foi realizada em Várzea Grande.
Entre os participantes, o aposentado Bento Rodrigues de Sousa, morador do bairro Tarumã, se emocionou com a tarde de atividades. “Eu achei maravilhoso. Vou pra casa muito mais feliz. Isso dá mais vida para o idoso. Gostei muito das orientações, principalmente sobre os tapetes, porque já escorreguei várias vezes em casa. Agora vou tomar cuidado e até adaptar o banheiro com barra de apoio. Foi uma tarde de aprendizado e de muita alegria. E ainda ganhei o campeonato de risadas”, disse, bem-humorado.
O juiz Hugo Freitas da Silva, que atualmente é coordenador da Justiça Comunitária da Comarca de Várzea Grande, destacou a relevância da ação. “O Programa Idoso Feliz nasceu para trazer bem-estar, valorização e respeito aos idosos, fortalecendo o que já está previsto na Constituição Federal, no artigo 230, que determina que família, sociedade e Estado devem assegurar a dignidade e o bem-estar das pessoas idosas. Trouxemos esse momento justamente para lembrar que eles precisam ser acolhidos, respeitados e celebrados”, afirmou.
O juiz José Antônio Bezerra Filho, coordenador estadual da Justiça Comunitária, reforçou a importância da iniciativa. “Falar do idoso é falar da vida, é resgatar histórias, experiências e momentos únicos. A Justiça Comunitária tem esse papel de congregar, plantar boas sementes e colher frutos, e a sensibilidade do doutor Hugo em trazer esse programa para Várzea Grande mostra exatamente esse espírito. Nosso objetivo é expandir a iniciativa para outras comarcas, para que mais idosos sejam beneficiados”, pontuou.
O promotor de Justiça da Cidadania da Comarca de Várzea Grande, Carlos Henrique Richter, também participou e destacou que a ação soma esforços em prol da proteção e valorização da terceira idade. “É um evento de grande importância, que merece ser parabenizado. Essa valorização fortalece os direitos da pessoa idosa e reforça a necessidade de integração entre instituições. Temos avançado, inclusive, com a criação da Rede de Proteção ao Idoso em Várzea Grande, o que será fundamental para garantir políticas públicas eficazes e duradouras”, disse.
Além da celebração, o encontro teve espaço para orientações práticas de saúde e qualidade de vida. O fisioterapeuta Helmut José Daltro conduziu uma palestra voltada à prevenção de acidentes domésticos, trazendo dicas de como evitar o uso de tapetes soltos, redobrar a atenção com pisos molhados, adaptar banheiros com barras de apoio e manter uma rotina de exercícios para melhorar a mobilidade e fortalecer a musculatura.
A programação incluiu ainda atendimentos com profissionais de saúde e entrega de cestas básicas para cada idoso.
Imagens: Élcio Evangelista
Autor: Roberta Penha
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
-
MATO GROSSO5 dias atrásWania Dantas, ex-presidente do CRO-MT, entra no radar para vice de Wellington Fagundes
-
POLÍTICA MT5 dias atrásALMT amplia mobilização para doação de sangue e chama servidores e comunidade para ajudar a reforçar estoques
-
POLÍTICA MT3 dias atrásWellington não esconde mágoa de prefeito após deixar PL e apoiar Pivetta – veja o video
-
POLÍTICA MT5 dias atrásVirginia Mendes reage a operação, defende Francisco Lopes e questiona exposição de familiares
-
POLÍTICA MT3 dias atrásPivetta sobe o tom contra adversários e questiona trajetória de Natasha e Wellington – veja o video
-
POLÍTICA MT6 dias atrásO homem por trás da barba: agro, convicções e superação marcam trajetória de Nelson Barbudo
-
POLÍTICA MT6 dias atrásApós Operação, Pivetta mantém Fábio Garcia como vice e sai em defesa de Mauro Mendes
-
POLÍTICA MT4 dias atrásVantagem de Wellington sobre Pivetta despenca de 26 para 8 pontos


