EM ARIPUANÃ
‘Não é política, é violência’, diz Gisela ao cobrar que pedido de cassação de vereador entre em pauta
Nesta última quarta-feira(15), a presidente-executiva do União Brasil Mulher e pré-candidata a deputada federal, Gisela Simona fez uma cobrança pública por celeridade na análise do pedido de cassação do vereador Luciano Aparecido Demazzi, que está sendo analisado pela Câmara Municipal de Aripuanã(município distante 978 km da Capital).
A representação, formalizada por meio de abaixo-assinado da população, aguarda análise da Casa de Leis.
Demazzi foi expulso do União no início da semana, após processo ético-disciplinar contra ataques do parlamentar, em fevereiro, à honra da prefeita de Aripuanã, Seluir Peixer Reghin (igualmente do UB). As ofensas chegaram a incluir questionamento da paternidade dos filhos da gestora e até uma doença oncológica que Seluir enfrentou. E foram disseminadas em grupos de WhatsApp e nas redes sociais.
A representação contra o parlamentar foi encabeçada por Gisela Simona sob o argumento que o partido não poderia tolerar em seus quadros quem pratica violência contra a mulher. “Não se trata de um embate político comum, mas de uma conduta que ultrapassa os limites do debate democrático e entra no campo da violência política de gênero. Assim, foi uma decisão necessária, sobretudo, pedagógica”.
“A crítica política é legítima e essencial à democracia, mas não pode, em hipótese alguma, ser utilizada como instrumento para desqualificar mulheres em razão de sua condição de gênero, atingindo sua honra, sua imagem ou sua vida privada”, enfatizou a deputada. Ao destacar que o episódio se enquadra no conceito de violência política de gênero, prática combatida pela legislação brasileira e tipificada pela Lei nº 14.192/2021.
Gisela também pontuou que casos como esse refletem um problema estrutural na política brasileira. Ao defender que a Câmara Municipal de Aripuanã retome, com urgência, o processo de cassação do mandato de Luciano Demazzi.
“O que está em jogo não é apenas um mandato, mas a mensagem que será transmitida à sociedade. Não podemos naturalizar esse tipo de comportamento dentro das instituições públicas”.
A repercussão do episódio ultrapassou os limites do município e ganhou dimensão estadual, mobilizando lideranças políticas, movimentos sociais e setores organizados da sociedade civil. Para Gisela, essa reação demonstra uma mudança de postura coletiva diante da violência política de gênero e deve servir como marco para o fortalecimento de práticas políticas mais responsáveis.
“Nós estaremos vigilantes. O que se exige, de forma inequívoca, é respeito às mulheres, à democracia e à dignidade no exercício da vida pública.”
MATO GROSSO
Polícia Civil prende autor de feminicídio que incendiou corpo de vítima em Várzea Grande
A Polícia Civil prendeu, nesta segunda-feira (8.6) o autor do feminicídio que vitimou uma mulher, de 45 anos, que teve o corpo incendiado em Várzea Grande. O suspeito foi localizado no bairro Dom Aquino, em Cuiabá, após uma semana de diligências ininterruptas realizadas pelas equipes da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
O crime ocorreu no dia 1º de junho, quando equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para combater um incêndio em um terreno baldio, no bairro Centro-Sul, em Várzea Grande. Após controlar as chamas, os bombeiros encontraram um corpo do sexo feminino parcialmente carbonizado.
Assim que foi acionada sobre os fatos, a equipe da DHPP foi até o local, onde os policiais constataram que a vítima estava sem vestimentas, apresentava sinais de carbonização parcial e lesões na região da cabeça, além de haver indícios de tentativa de ocultação do cadáver, que estava coberto por um tanque de lavar roupas danificado.
A vítima foi posteriormente identificada pelo Instituto Médico Legal como Josivany Borges de Amorim Rodrigues, moradora do bairro Costa Verde, em Várzea Grande.
Desde a localização do corpo, a DHPP realizou diversas diligências para esclarecer a autoria do crime. Foram coletadas imagens de câmeras de segurança, identificados locais frequentados pelo suspeito e levantadas informações em pontos da região de Várzea Grande conhecidos pela presença de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Segundo os levantamentos o suspeito foi visto na companhia de Josivany na véspera do crime, além de as investigações também identificarem o posto de combustível onde ele adiquiriu o combustível utilizado para atear fogo no corpo da vítima.
Após uma denúncia anônima e novas diligências, os investigadores conseguiram chegar à identidade do possível autor do crime. O reconhecimento do suspeito foi confirmado por familiares, que colaboraram com os trabalhos policiais. A avó do investigado informou que ele havia entrado em contato por telefone e relatado ter feito uma “merda”, afirmando ainda que estava escondido em uma região de mata.
Com base nas informações obtidas, os investigadores da DHPP intensificaram as buscas e localizaram o suspeito na tarde de segunda-feira (8), no bairro Dom Aquino, em Cuiabá. Durante o deslocamento para a DHPP, o suspeito decidiu colaborar com as investigações, confessou a prática do feminicídio e indicou o local onde havia escondido as roupas utilizadas no dia do crime.
Os objetos foram encontrados em uma residência abandonada localizada na Avenida Filinto Müller, em Várzea Grande, e apreendidos para perícia.
O suspeito foi conduzido à DHPP, onde foi interrogado pela delegada Jéssica Cristina de Assis e autuado em flagrante por feminicídio consumado. No interrogatório, ele disse que manteve relações sexuais consentidas com a vítima, momento em que, durante o ato, ela tentou atacá-lo com uma faca, com o fim de roubar a sua droga.
Diante da gravidade dos fatos, a delegada representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, sendo posteriormente o preso colocado à disposição da Justiça.
As investigações prosseguem para conclusão do inquérito policial e esclarecimento completo das circunstâncias e motivação do crime.
Fonte: Governo MT – MT
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