TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Familiares e autoridades destacam perfil do novo desembargador do TJMT, Ricardo Gomes de Almeida
O Plenário “Desembargador Wandyr Clait Duarte” do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) ficou lotado de autoridades, familiares, servidores, imprensa, amigos e membros do sistema de justiça, especialmente da advocacia, que prestigiaram a posse do desembargador Ricardo Gomes de Almeida, na manhã desta segunda-feira (10).
Na primeira fila estavam, felizes e emocionados, familiares, como a esposa do magistrado, Ana Letycia Nunes de Almeida, que aflorou toda a emoção desse momento. “Estamos juntos há mais de 20 anos, então, eu acompanho a trajetória dele, uma trajetória de muito esforço, de muito estudo, de muita dedicação e, sobretudo, de muita honra. Então, realmente é um dia de se emocionar, porque é uma mudança de vida, mas a gente vê como algo muito honroso fazer parte desta Corte. É uma grande alegria”, disse.
A mãe do mais novo desembargador, dona Malene Machado de Almeida, contou que a posse é uma conquista, fruto de um longo percurso firmado em trabalho, foco, humildade e respeito com o ser humano. “Eu me sinto lisonjeada por saber que meu filho tem todos esses elementos de um mundo melhor. Passou um filme, porque o Ricardo sempre foi focado no que ele queria. E sempre o que me chamou atenção foi a dedicação dele. Então, é um filme de muita aceitação, de muito prazer e de muita gratidão”, declarou.
O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, asseverou que ao receber em seus quadros o desembargador Ricardo Almeida, oriundo do quinto constitucional destinado à advocacia, o Poder Judiciário de Mato Grosso reafirma o seu compromisso com a pluralidade e com o diálogo institucional.
“A presença de vossa excelência nesta corte é motivo de honra. Sua trajetória marcada por mais de duas décadas na advocacia, por atuação firme no Tribunal Regional Eleitoral e dedicação à Ordem dos Advogados do Brasil expressam a sólida formação que o acompanha. Tamanha jornada revela familiaridade com os caminhos da cidadania, com os limites da norma e com aqueles momentos em que o direito se cala, quando é preciso escutar as entrelinhas com sensibilidade e discernimento. É justamente esse olhar atento, experiente, humano que agora se soma ao nosso colegiado, enriquecendo-nos”, declarou o presidente.
Dentre as autoridades presentes na sessão solene, a primeira a prestar suas homenagens a Ricardo Almeida foi a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Gisela Alves Cardoso. Segundo ela, a sociedade mato-grossense recebe um novo julgador comprometido com a justiça, com a advocacia e com os princípios constitucionais e cristãos. “Desembargador Ricardo Gomes de Almeida, vossa excelência representa a confiança da advocacia e a certeza de que os valores que nos norteiam – a independência, a ética, a coragem e o compromisso com a justiça – seguirão sendo traduzidos em cada decisão, em cada voto, em cada gesto de sua atuação”.
Gisela ainda aproveitou para enaltecer o processo democrático da escolha do membro do Judiciário estadual por meio do Quinto Constitucional. “A importância desse mecanismo é profunda e multifacetada. Caracteriza a democracia no Judiciário, aproxima a Justiça da sociedade, valoriza a advocacia e o Ministério Público, garante a pluralidade e o equilíbrio e reforça o ideal republicado”, avaliou Gisela.
Quem também ressaltou o Quinto Constitucional como meio legítimo de composição da Corte de Justiça foi o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca. “A ascensão de vossa excelência por meio da indicação pela OAB Seccional de Mato Grosso materializa um dos pilares da legitimidade democrática e da pluralidade técnica, esculpido em nosso ordenamento jurídico. Eu sempre digo que o quinto constitucional, tanto do Ministério Público como da OAB, tem o condão de trazer aos tribunais novas visões, novas discussões sobre o sistema jurídico e evoluí-lo. E a experiência que vossa excelência traz para esta Corte é um ativo inestimável: são 26 anos de advocacia, uma trajetória de defesa rigorosa do estado democrático de direito”, disse Fonseca.
A defensora pública-geral do Estado, Luziane Castro, apontou que cada magistrado que ingressa no TJMT traz consigo um patrimônio rico em experiências, valores e compromissos, que repercutem diretamente na qualidade da justiça que se entrega ao cidadão, e que a trajetória do desembargador Ricardo Almeida reflete uma compreensão profunda da responsabilidade pública que o Direito impõe. “Construiu sua carreira no exercício ético e técnico da advocacia, cultivando ao longo de décadas o apreço pela Constituição e o respeito às garantias fundamentais”, afirmou.
Luziane destacou ainda que a passagem de Ricardo Almeida pela advocacia privada, pela justiça eleitoral e pela representação de classe, demonstram seu olhar plural, maduro e atento às complexidades do sistema de justiça. “Esse percurso confere-lhe um traço distintivo: o de quem conhece o Direito não apenas como norma, mas como instrumento de equilíbrio social. É essa visão que engradece a magistratura e a torna capaz de responder com sensibilidade e firmeza às demandas”, discursou.
O conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda, expressou sua satisfação em ver a posse do representante da advocacia no Tribunal de Justiça. “Hoje é um dia de alegria porque passa o compor o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso um grande advogado, um advogado que por muitos anos defendeu as bandeiras da advocacia, que sempre teve um perfil combativo, mas conciliador. E sempre que teve a oportunidade, contribuiu com a Ordem dos Advogados do Brasil”, relatou, desejando sucesso ao colega.
Se dirigindo ao desembargador empossado, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi, destacou seu preparo e aptidão para assumir o cargo. “É muito bonito quando a gente vê uma história de vida construída por degraus, com passos trilhados dia a dia, com muitas lutas e com muitas conquistas. Sem sombra de dúvidas, chegar a esse posto esteve na sua construção, nos seus objetivos e Deus lhe abençoou e lhe deu essa oportunidade. E a sua capacidade fez com que chegasse até aqui”, disse.
O vice-governador Otaviano Pivetta cumprimentou o novo desembargador e sua família, desejando que trabalhe em prol do povo mato-grossense. “Desejo a vossa excelência que faça muita justiça! O povo mato-grossense e o povo brasileiro precisam e gostam de justiça! Nós, que governamos, procuramos ser justos nas decisões e no dia a dia, no relacionamento com os poderes. Reforço aqui o nosso compromisso de sempre trabalhar em harmonia, com equilíbrio, visando sempre o interesse da nossa gente. Parabéns, doutor Ricardo! Boa e feliz carreira no sistema judiciário”, asseverou.
Também compareceram à solenidade de posse do desembargador Ricardo Gomes de Almeida: procurador-geral do Estado, Francisco de Assis da Silva Lopes; vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, desembargador Aguimar Martins Peixoto; presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, desembargadora Serly Marcondes Alves; comandante da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada de Cuiabá, general de brigada Luiz Duarte de Figueiredo Neto; presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida; deputado estadual Júlio Campos; deputado federal José Medeiros; presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM), juíza Eulice Jaqueline Cherulli; secretário de Estado de Segurança Pública, coronel PM César Augusto Roveri; secretário de Estado de Justiça, Vitor Hugo Bruzulato; procurador-geral de Contas do Estado, Alisson Carvalho de Alencar, entre outros.
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Autor: Celly Silva
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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