TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
76 anos: Comarca de Barra do Garças comemora avanços na Justiça, sustentabilidade e proteção social
A Comarca de Barra do Garças celebra, nesta quarta-feira (12), 76 anos de instalação com entregas que fortalecem a Justiça e melhoram a vida da população. Com oito varas judiciais e um Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), o fórum reúne 200 profissionais entre servidores, estagiários, credenciados e terceirizados, sob a gestão de oito magistrados. Criada pela Lei nº 210/1948 e instalada em 1949, é classificada como de entrância intermediária.
“Mais do que atender à municipalidade-sede, nossa atuação se estende de forma efetiva às comunidades de Torixoréu, Araguaiana, General Carneiro e Pontal do Araguaia, consolidando uma presença judicial estratégica em todo o Vale do Araguaia”, destacou o juiz diretor da Comarca, Michell Lotfi Rocha da Silva, ao ressaltar o papel regional da unidade judicial, que se tornou referência em eficiência e acesso à Justiça.
Nos últimos anos, a Comarca se consolidou como referência em boas práticas judiciais e socioambientais. Em 2025, conquistou o Selo Ouro no Desafio Judiciário Sustentável, alcançando 83,77% de desempenho em ações de economia de recursos, destinação correta de resíduos e incentivo à sustentabilidade. Também é destaque em iniciativas do Programa Verde Novo, com a doação de 10 mil mudas e o plantio de mais de 200 árvores nativas e frutíferas no município, promovendo educação ambiental e arborização urbana.
Outra importante conquista foi a instalação da 3ª Vara Criminal, que reforça o combate ao crime organizado no Vale do Araguaia e amplia a atuação do Poder Judiciário em uma região estratégica de fronteira entre quatro estados. A nova unidade, conduzida pelo juiz Jeverson Luiz Quintieri, abrange 18 comarcas e 39 municípios, e julga crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e delitos contra a ordem econômica. “A criação da 3ª Vara Criminal é um marco que evidencia a resposta firme, célere e qualificada do Judiciário diante dos desafios contemporâneos da segurança pública”, acrescentou o juiz Michell Lotfi Rocha da Silva.
Na área de proteção social, Barra do Garças é pioneira e referência estadual no enfrentamento à violência doméstica. A Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, com 12 anos de atuação, realiza projetos de sensibilização em escolas e recentemente expandiu sua atuação para os municípios de Araguaiana, Torixoréu, Ribeirãozinho e General Carneiro. A Mostra Estudantil de Arte, promovida pela Rede, mobilizou 14 escolas e mais de 50 produções audiovisuais sobre os direitos das mulheres.
Além das ações sociais e ambientais, a Comarca passa por obras de reforma do piso das secretarias e troca do telhado do prédio principal, melhorias que visam proporcionar mais conforto e segurança para servidores e usuários dos serviços judiciais.
Ao completar 76 anos, a Comarca de Barra do Garças reafirma o compromisso com uma Justiça mais próxima, acessível e humanizada, que dialoga com as necessidades reais da população. “Seguiremos trabalhando com dedicação, responsabilidade e espírito público para fortalecer a cidadania e assegurar que o Vale do Araguaia continue recebendo uma prestação jurisdicional à altura de sua importância”, concluiu o magistrado.
Autor: Adellisses Magalhães
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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