POLÍTICA NACIONAL

Senado reduz custos dos motoristas: IPVA zero e CNH mais barata

O dono de um carro popular fabricado em 2005 pagou entre R$ 400 e R$ 600 de IPVA em Minas Gerais neste ano. A partir de 2026, o valor será zero. Isso porque o Senado aprovou, em 2025, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que isenta do pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) os veículos com 20 anos ou mais de fabricação.

A mudança faz parte de um conjunto de medidas aprovadas pelo Congresso Nacional para reduzir os custos no orçamento dos motoristas brasileiros. Atualmente, cinco estados não têm prazo definido para isenção ou adotam regras mais rígidas: Minas Gerais e Pernambuco não estabelecem limite de idade do veículo, enquanto Santa Catarina, Tocantins e Alagoas concedem o benefício apenas para veículos com maior tempo de fabricação.

A proposta que deu origem à mudança é a PEC 72/2023, apresentada pelo senador Cleitinho (Republicanos-MG). A proposta foi aprovada pelo Senado no ano passado e pela Câmara dos Deputados no início deste mês. O texto foi promulgado em 9 de dezembro como Emenda Constitucional 137.

A nova regra torna isentos do IPVA os seguintes veículos (com 20 anos ou mais de fabricação):

  • carros de passeio;
  • caminhonetes;
  • veículos de uso misto;
  • micro-ônibus, ônibus, reboques e semirreboques.

Durante a promulgação, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, afirmou que a medida corrige uma distorção tributária que prejudicava principalmente famílias de menor renda.

— Um automóvel com mais de 20 anos não é, efetivamente, símbolo de riqueza. É símbolo de necessidade e, muitas vezes, a única ferramenta para não perder o emprego, levar um filho à escola ou chegar ao trabalho na hora — declarou.

Autor da proposta, o senador Cleitinho destacou o impacto direto da medida no orçamento das famílias.

— O que vai acontecer lá em Minas Gerais? Eu vou tirar R$ 1 bilhão do caixa do Estado e colocar no bolso da população — disse.

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CNH

Outra iniciativa em discussão no Congresso que pode beneficiar os motoristas é a Medida Provisória 1.327/2025, que altera o Código de Trânsito Brasileiro para permitir a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Mas a proposta determina que isso só valerá para os condutores que não tenham cometido, nos 12 meses anteriores, infrações sujeitas a pontuação.

A medida provisória já está em vigor, mas, conforme prevê a Constituição, precisa ser confirmada por deputados federais e senadores para se tornar lei.

Pelo texto, motoristas de até 49 anos poderão renovar a CNH automaticamente sempre que cumprirem os requisitos previstos. Condutores entre 50 e 69 anos terão direito ao benefício apenas uma vez. Motoristas com 70 anos ou mais ficam fora da regra.

A proposta também garante a gratuidade da CNH em formato digital, mantendo o documento físico como opcional. Independentemente do formato, a carteira segue válida como documento oficial de identidade em todo o país.

O Congresso tem até março de 2026 para analisar essa medida provisória.

CNH Social

Com o objetivo de baratear o acesso à habilitação de motorista, o Senado e a Câmara aprovaram o PL 3.965/2021, projeto de lei que cria a chamada CNH Social. A iniciativa destina parte dos recursos arrecadados com multas de trânsito ao custeio da carteira de motorista para pessoas de baixa renda.

A proposta foi sancionada pela Presidência da República em junho, sendo transformada na Lei 15.153, de 2025.

O texto também estabelece regras para a transferência eletrônica de veículos. Além disso, ajusta a exigência do exame toxicológico para a obtenção da CNH. O Congresso determinou que candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B, destinadas a motos e carros, deverão apresentar exame toxicológico negativo.

A exigência do exame já existia para motoristas das categorias C, D e E, que conduzem veículos de carga e transporte coletivo. Dados indicam amplo apoio social à medida: pesquisa do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica), realizada em fevereiro de 2025, aponta que 83% dos brasileiros são favoráveis à obrigatoriedade do exame.

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Aulas práticas

A flexibilização da exigência de aulas práticas em autoescolas passou a vigorar por resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), mas mesmo assim o tema chegou ao Senado, onde parlamentares discutem os impactos da mudança sobre a segurança viária.

O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), defendeu a medida como instrumento de inclusão social.

— A população de baixa renda tem dificuldade de tirar a carteira de motorista. Isso [a flexibilização] democratiza o acesso à habilitação, que também é uma porta para o mercado de trabalho — afirmou ele à Rádio Senado.

Já o vice-líder da oposição no Senado, Marcos Rogério (PL-RO), cobrou mais debates sobre a questão no Parlamento. Ele salientou que a retirada da obrigatoriedade das autoescolas é “polêmica”.

— A formação continua sendo necessária, porque quem não conhece as regras de trânsito não consegue tirar habilitação — ressaltou.

Isenção para motoristas profissionais

Tramita no Senado o Projeto de Lei 1.248/2022, que prevê a isenção das taxas de renovação da CNH para motoristas que atuam profissionalmente no transporte de passageiros e mercadorias.

O autor do projeto é o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Senado. 

Frota de caminhões

Outra iniciativa que depende da confirmação do Congresso Nacional é a destinação de até R$ 6 bilhões para a criação de linhas de financiamento voltadas à aquisição de caminhões novos ou seminovos — isso está previsto na Medida Provisória 1.328/2025, que foi publicada em 16 de dezembro e tem como foco a renovação da frota de transporte rodoviário de cargas.

Os recursos poderão financiar pessoas físicas e jurídicas do setor, incluindo transportadores autônomos, cooperativas, empresários individuais e empresas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Senado celebra 50 anos do Teste do Pezinho e defende diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce de doenças raras e genéticas, capaz de evitar sequelas graves e transformar a vida de crianças e famílias, foi apontado como um dos principais legados dos 50 anos do Teste do Pezinho durante homenagem no Senado nesta terça (2).

A triagem neonatal, mais conhecida como Teste do Pezinho, é um exame simples (uma “picada” feita com uma agulha bem fina para coletar gotas de sangue) em recém-nascidos para se detectar precocemente doenças raras e genéticas, permitindo o tratamento antes do surgimento de sequelas.

O teste é gratuito e obrigatório — e é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A sessão, que aconteceu no Plenário do Senado, atendeu a um requerimento (o RQS 342/2026) da senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que conduziu a sessão.

Instituto Jô Clemente

A homenagem também celebrou os 65 anos do Instituto Jô Clemente, entidade de referência na promoção de saúde, inclusão e garantia de direitos para pessoas com deficiência intelectual, transtorno do espectro autista e doenças raras.

Mara Gabrilli elogiou a trajetória do Instituto Jô Clemente e apontou a contribuição dessa entidade para a implantação do Teste do Pezinho no país. Segundo ela, a iniciativa ajudou a implementar uma das mais importantes políticas de prevenção da saúde pública brasileira.

— O teste pode salvar e transformar vidas. O diagnóstico precoce é uma das políticas de prevenção mais eficazes que existe e permite o acesso a tratamentos e intervenções no tempo certo — afirmou ela.

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A senadora também lembrou que o Instituto Jô Clemente introduziu no país, em 1976, a técnica de diagnóstico precoce da fenilcetonúria por meio de amostras de sangue seco, marco que, segundo Mara, deu origem à expansão da triagem neonatal no Brasil.

O presidente voluntário do conselho de administração do instituto, Michel Brull, destacou que a homenagem reconhece uma trajetória de defesa da inclusão e da autonomia construída ao longo de décadas.

— A verdadeira inclusão acontece quando garantimos acesso à saúde, à educação, à comunicação, ao trabalho, à autonomia e à participação plena na sociedade — disse ele.

Já a superintendente-geral do instituto, Daniela Mendes, ressaltou que o exame representa, para muitas crianças, a oportunidade de receber tratamento antes do surgimento de sequelas.

— Quando falamos do Teste do Pezinho, falamos em tempo. E, para muitas doenças raras e condições graves, tempo é vida — declarou ela.

Crianças indígenas

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) salientou a importância da triagem neonatal para a proteção de crianças indígenas em situação de vulnerabilidade.

— O Teste do Pezinho ajudou a salvar muitas crianças indígenas no Brasil. É uma ferramenta importante no enfrentamento dessa realidade — enfatizou ela.

Ampliação da cobertura

Diversos participantes da sessão destacaram a importância da Lei 14.154, de 2021, que determinou o aumento gradual — em etapas — do número de doenças a serem rastreadas pelo Teste do Pezinho: das 6 originais em 2021 para cerca de 50.

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Daniela Mendes, do Instituto Jô Clemente, defendeu mais rapidez na implementação das novas etapas.

— A melhor forma de homenagear os 50 anos do Teste do Pezinho é garantir que ele realmente avance e que aquilo que já está previsto em lei se torne realidade para todos os bebês brasileiros — argumentou ela.

A cobertura não é uniforme no país: a quantidade de doenças detectadas pelo teste varia conforme o estado (o governo de Minas Gerais, por exemplo, informa que o Teste do Pezinho nesse estado abrange 60 doenças).

Representante do Ministério da Saúde, Natan Monsores de Sá reconheceu que há desafios tecnológicos e estruturais para a ampliação da triagem neonatal, mas frisou que o governo federal possui um planejamento para efetivar o aumento. Natan é o coordenador-geral de doenças raras desse ministério.

— Temos avançado em um cronograma para que, nos próximos anos, possamos ofertar para toda a população brasileira a triagem neonatal e ampliar ainda mais essa cobertura — reiterou ele.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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