POLÍTICA NACIONAL

Debate na CI aponta insegurança regulatória em revisão tarifária do gás

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A revisão das tarifas de transporte de gás natural para o período de 2026 a 2030 está na pauta da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que tem uma consulta pública sobre o tema aberta desde agosto. O produto é estratégico para viabilizar a transição energética, mas empresas do setor apontam insegurança com a iminência do novo ciclo tarifário.

Motivada pela iminência da decisão, a Comissão de Infraestrutura promoveu na quarta-feira (24) a sua própria audiência sobre a revisão das tarifas dos gasodutos. Autor do requerimento da audiência (REQ 65/2025 – CI), o senador Laércio Oliveira (PP-SE) afirma que o gás natural esteve no centro dos debates energéticos nacionais dos últimos anos, sendo tratado como verdadeira política de Estado.

— Sabemos que, para o gás natural se consolidar como combustível da transição [energética] dentro do país, temos que avançar numa série de desafios para que ele se torne mais competitivo para o mercado — pondera.

O senador frisa que as tarifas de transporte do Brasil estão elevadas e, por representarem aproximadamente 20% do preço total do gás, constituem um grande desafio ao desenvolvimento do mercado. De acordo com ele, a indústria depositava na consulta pública as expectativas em torno da redução do preço do gás, fato frustrado pelos cenários de aumento da tarifa indicados pelas transportadoras nas propostas apresentadas.

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Durante o encontro, os participantes destacaram a centralidade do gás natural nas políticas energéticas do país ao apontá-lo como elemento estratégico. O combustível foi descrito como um instrumento de desenvolvimento regional e “alavanca” da competitividade econômica. As maiores divergências surgiram em torno da metodologia proposta para a revisão tarifária.

O senador Laércio Oliveira acredita que, pela complexidade do tema, ainda será necessário amadurecer a discussão. 

— Percebi o ambiente complexo narrado [pelas empresas]. Há necessidade de organizar um novo encontro para aprofundar o tema e construir sugestões válidas, sólidas e verdadeiras acima de qualquer coisa. 

Incertezas

Empresários e representantes de associações alertaram para o risco da adoção de critérios subjetivos na revisão da tarifa, que poderiam comprometer a segurança jurídica e o ambiente de negócios. O presidente executivo da Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (AtGás), Rogério Manso, afirmou que a subjetividade ameaça a objetividade regulatória. 

— Trazer para esse momento uma questão extremamente subjetiva vai nos colocar em um território muito complicado em relação à segurança jurídica e à credibilidade do ambiente de negócios que queremos construir no país — alertou. 

Na mesma linha, o diretor Técnico e Comercial da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Marcelo Lima de Mendonça, considerou que o mercado ainda não está pronto para a mudança. 

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— Hoje o mercado não está maduro para que se coloque em consulta pública algo com esse montante — sentenciou. 

Sistema elétrico 

A confiabilidade do sistema elétrico foi outro ponto de destaque. A diretora de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Heloísa Borges, defendeu a necessidade de manter a capacidade instalada de termelétricas para garantir o suprimento da carga. 

— Muito provavelmente teremos um percentual baixo de despacho de energia elétrica, mas isso não quer dizer que não será preciso de muita capacidade instalada de termelétrica para oferecer segurança ao sistema, isso precisa ser dito. 

A coordenadora de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget), Daniela Florêncio de Souza, argumentou que as usinas térmicas são essenciais para atender a demanda em períodos de baixa geração renovável. 

— Muitas vezes a termelétrica está ligada no final da tarde, quando a geração solar cai bastante, e segue até 22h, 23h. Não se trata de um atendimento de uma hora ou duas, mas de várias horas, inclusive em períodos mais longos do ano por conta da intermitência das fontes renováveis de energia. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

PECs do fim da escala 6×1 e da segurança pública chegam à CCJ do Senado

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, despachou na tarde desta sexta-feira (21) para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) duas propostas de emenda à Constituição (PECs): a que trata do fim da escala 6×1 (PEC 221/2019) e a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025).

No último dia 14, Davi já havia apontado as duas matérias entre as prioridades da pauta do Senado. Na CCJ, a PEC do fim da escala 6×1 terá como relator o senador Omar Aziz (PSD-AM). Já a PEC da Segurança Pública terá o senador Rogério Carvalho (PT-SE) na relatoria.

Fim da 6×1

A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio. O texto tem o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) como primeiro signatário. A proposta altera a Constituição para reduzir a carga horária máxima de trabalho para 40 horas semanais.

A PEC também garante dois dias de repouso semanal remunerado, sem diminuição de salário. A mudança será aplicada progressivamente e inclui exceções para trabalhadores com regimes diferenciados e para aqueles com salários mais elevados e diploma de nível superior.

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Prazos

A PEC prevê que 60 dias após a promulgação da nova emenda constitucional, a jornada semanal no país passará para 42 horas, já com dois dias de repouso remunerado por semana – um deles, preferencialmente, no domingo. Depois de 12 meses, a nova carga máxima de trabalho por semana será definitivamente de 40 horas.

O texto aprovado preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas, inclusive para regimes diferenciados, como a escala 12×36 (12 horas trabalhadas por 36 horas de descanso) atividades essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana. Além disso, estabelece que lei futura poderá definir regras especiais, nesses casos, para a jornada de trabalho e os dias de folga.

Segurança

A PEC 18/2025, aprovada na Câmara dos Deputados no dia 4 de março, reorganiza o sistema de segurança pública no país. A proposta redefine as fontes de financiamento do setor, incluindo a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas aos fundos nacionais de segurança pública e do sistema penitenciário.

A proposta assegura como competência comum a todos os órgãos de segurança pública encaminhar, por meio de sistema eletrônico integrado, o registro das infrações penais de menor potencial ofensivo diretamente ao Judiciário. Regras de cooperação e compartilhamento de informações também estão entre os pontos tratados na PEC, que é de iniciativa do Executivo.

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Quórum

Se aprovadas na CCJ, as PECs ainda precisam ser confirmadas no Plenário, onde precisam conquistar o apoio de três quintos dos senadores — o equivalente a 49 votos, no mínimo, em dois turnos. Depois de aprovada, a emenda é promulgada em sessão solene do Congresso Nacional.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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