LICITAÇÃO CONTESTADA

TCE-MT rejeita pedido de empresa para suspender licitação de R$ 3,2 milhões da Sema

Conselheiro Antonio Joaquim não identificou indícios suficientes de irregularidades que justificassem a paralisação do processo destinado à elaboração de plano de recursos hídricos

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O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) negou um pedido de suspensão de uma licitação de R$ 3,2 milhões realizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). A decisão foi tomada pelo conselheiro Antonio Joaquim, após questionamentos apresentados por uma das empresas participantes do certame.

A concorrência eletrônica nº 001/2026 tem como objetivo contratar uma empresa especializada para elaborar o Plano de Recursos Hídricos e definir o enquadramento dos corpos d’água da unidade de planejamento e gerenciamento UPG-TA3.

A decisão foi publicada no Diário Oficial de Contas que circulou nesta terça-feira (6).

A empresa Água e Solo Estudos e Projetos Ltda. apresentou uma Representação de Natureza Externa apontando duas supostas irregularidades na condução da licitação.

O primeiro questionamento envolve a rejeição de uma certidão emitida pelo Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Sul (Corecon-RS), utilizada para comprovar a qualificação técnica de um integrante da equipe da empresa.

A segunda contestação diz respeito à análise da viabilidade econômica da proposta apresentada pela Proffil Engenharia e Ambiente S.A., classificada em primeiro lugar na disputa.

Em sua defesa, a Sema sustentou que o procedimento respeitou as regras estabelecidas no edital. Segundo a secretaria, a certidão apresentada pela Água e Solo foi entregue somente após o encerramento da etapa de avaliação das propostas técnicas, durante a fase recursal.

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Para a administração estadual, aceitar o documento naquele momento poderia permitir a inclusão de informações capazes de alterar a pontuação da concorrente, comprometendo a igualdade de condições entre as participantes.

Ao analisar o caso, Antonio Joaquim considerou que a exigência de apresentação conjunta das certidões de acervo técnico e dos respectivos atestados estava expressamente prevista no edital.

O conselheiro avaliou que a documentação apresentada posteriormente não representava apenas uma correção ou esclarecimento, mas a inclusão de um novo elemento que poderia interferir na classificação.

“Assim, ao menos em sede de cognição sumária, não se evidencia ilegalidade manifesta ou irregularidade patente na condução do procedimento licitatório capaz de demonstrar a probabilidade do direito invocado pela representante”, afirmou.

Em relação à proposta da Proffil Engenharia e Ambiente, a Sema argumentou que os preços apresentados pelas sete empresas participantes estavam em uma faixa semelhante, afastando, naquele momento, a suspeita de valor incompatível com a execução dos serviços.

A secretaria também informou que a Proffil possui experiência em atividades semelhantes e mantém contrato com o próprio órgão para serviços de escopo equivalente.

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Outro ponto considerado foi que, mesmo com a pontuação adicional reivindicada pela Água e Solo, a Proffil permaneceria na primeira colocação, com nota final de 98,64.

Diante dessas informações, o relator concluiu que não havia elementos suficientes para demonstrar possível irregularidade na avaliação da proposta vencedora.

“Também não se verifica, neste momento processual, plausibilidade suficiente na alegação de que a Administração teria realizado análise inadequada da exequibilidade da proposta apresentada pela empresa Proffil Engenharia e Ambiente S.A.”, registrou.

Antonio Joaquim também não identificou risco iminente de prejuízo aos cofres públicos ou comprometimento da licitação que justificasse uma intervenção urgente.

“Por essas razões, em análise sumária, própria da fase processual em curso, entendo que não se encontram suficientemente demonstrados os requisitos da probabilidade do direito e do perigo de dano, circunstância que impõe o indeferimento do pedido de tutela provisória de urgência”, decidiu.

Com a negativa da medida cautelar, a licitação não será suspensa por essa decisão. O entendimento do conselheiro, contudo, refere-se à análise preliminar do pedido de urgência e não representa julgamento definitivo sobre todos os questionamentos apresentados pela empresa.

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POLÍTICA MT

Taques diz que é meta mudar imagem de “Casa dos Horrores”

Vereador eleito para presidir a Câmara no biênio 2027-2028 promete independência do Executivo, mais transparência e aproximação com a população

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O vereador Ilde Taques (Podemos), recém-eleito presidente da Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá para o biênio 2027-2028, detalhou as principais propostas para sua gestão e afirmou que uma das metas será mudar a imagem da Câmara, conhecida popularmente como “Casa dos Horrores”.

Taques defendeu uma gestão baseada em transparência e afirmou que o trabalho da presidência não será suficiente, sozinho, para alterar a percepção da população sobre o Legislativo.

“Por mais que você faça um bom trabalho na gestão da Câmara, não dá para falar que o presidente vai tirar o nome de Casa dos Horrores. Cada vereador tem seu CPF”, afirmou o parlamentar em entrevista ao Jornal do Meio-Dia, nesta quarta-feira (7).

Segundo ele, eventuais erros cometidos individualmente pelos vereadores podem acabar refletindo sobre a imagem de toda a instituição. Por isso, Taques afirmou que pretende trabalhar para fortalecer a responsabilidade dos parlamentares.

Tramitação de projetos

Outro ponto apresentado pelo futuro presidente é a mudança na forma de tramitação de projetos e matérias na Câmara.

Taques afirmou que pretende evitar votações de propostas em regime de urgência sem tempo suficiente para análise. A intenção é garantir que matérias importantes passem pelas comissões antes de serem levadas ao plenário.

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“Não tem como a gente aprovar projetos, matérias importantes, faltando uma hora, duas horas da votação. A gente tem que ter um tempo hábil, tem que passar pelas comissões”, pontuou.

Independência do Executivo

Em relação à Prefeitura de Cuiabá, Taques afirmou que pretende manter uma relação harmoniosa com o Executivo, mas sem abrir mão da independência do Legislativo.

Questionado sobre o apoio inicial do prefeito Abilio Brunini à reeleição da atual presidente da Câmara, o vereador reconheceu a participação do chefe do Executivo no processo, mas afirmou que a eleição agora é assunto encerrado e que o foco será institucional.

“Tem que ser uma convivência harmônica com o Executivo, com total independência da Câmara Municipal de Cuiabá”, declarou.

Taques também afirmou que os vereadores devem exercer plenamente as funções de legislar e fiscalizar, sem transformar a relação com a Prefeitura em um conflito permanente.

Fiscalização e aproximação com a população

Sobre pautas de fiscalização e possíveis Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), o vereador garantiu que nenhuma matéria será impedida pela Mesa Diretora.

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Ele também defendeu uma aproximação maior entre a Câmara e os moradores dos bairros de Cuiabá. Entre as propostas está a criação de uma estrutura voltada à cidadania, com oferta de serviços à população, semelhante ao modelo existente na Assembleia Legislativa.

“Fortalecer as comissões com equipe técnica” também está entre as prioridades apontadas pelo futuro presidente.

Relação com Max Russi

Taques ainda comentou sua proximidade com o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi, que também preside o diretório estadual do Podemos.

O vereador descartou que a relação política com Russi possa interferir na atuação da Câmara de Cuiabá e afirmou que a proximidade poderá ajudar na articulação de forças em benefício da Capital.

“Eu sou do Podemos, do partido dele, sou o vereador mais votado do partido. E, além disso, ele é um amigo”, afirmou.

Taques garantiu que eventual apoio de Russi ocorreu sem interferência direta no processo eleitoral da Câmara e que a articulação política entre os dois deverá continuar voltada aos interesses de Cuiabá.

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