POLÍTICA MT
Resultado primário cai 57% em Mato Grosso, mas saldo se mantém positivo
O resultado primário do Estado caiu em 57% no primeiro quadrimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2022, sendo fechado em R$ em 1.374,72 bilhão, ante R$ 3.261,50 bilhões no ano passado. A queda decorre da estabilidade na receita dos cofres públicos, que totalizou no montante de R$ 9.334,06 bilhões, 1,14% a mais que no primeiro quadrimestre de 2022. Também do aumento das despesas primárias, que somaram R$ 7.959,34 bilhões, 33% superior às despesas primárias do 1º quadrimestre do ano passado. Os números foram apresentados pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) na audiência pública das metas fiscais realizada nesta quinta-feira (25), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
Entre os principais fatores que contribuíram para que o resultado fosse mesmo está a menor arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de produtos e serviços como combustíveis e energia elétrica, da queda nos repasses federais e da mudança no calendário de arrecadação do Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores (IPVA), que passou a ter como prazo o dia 30 de maio.
O deputado Carlos Avallone (PSDB), presidente da Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária (CFAEO), afirmou que, apesar de haver uma frustração de arrecadação, o Estado conseguiu pagar seus compromissos financeiros e a expectativa é que parte do que deixou de ser arrecadado seja recuperado. “Há um contexto nacional envolvido, mas acreditamos que a receita seja recuperada com o início da operação de novas indústrias e com arrecadação do IPVA. Houve reduções significativas com redução do ICMS sobre a energia elétrica e sobre os combustíveis, mas mesmo assim não houve queda no total arrecadado”, afirmou Avallone.
Com aprovação da Lei Complementar 194/2022, que determinou a aplicação de alíquotas de ICMS pelo piso (17% ou 18%) para produtos e serviços essenciais quando incidir sobre bens e serviços relacionados a combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo, a arrecadação de ICMS acumulada no 1º quadrimestre caiu de R$ 6,417 bilhões em 2022 para R$ 6,338 bilhões, uma variação negativa de 1,2%.
O secretário-adjunto de orçamento da Sefaz, Ricardo Capistrano, explicou que a redução na arrecadação já estava prevista desde julho do ano passado, quando o cenário fiscal mudou e que, por isso, essa frustração de receita foi prevista da LOA (Lei Orçamentária Anual). “O resultado primário, que representa a diferença entre a receita e despesas primárias, registrou um decréscimo significativo, principalmente pelo não crescimento da receita como vinha acontecendo e também pela necessidade de fazer gastos com despesas de capitais e investimentos”, explicou Capistrano.
Mesmo assim, o secretário destacou que as metas foram cumpridas. “A tendência é reforçar a estrutura de governança e a sustentabilidade fiscal para que no decorrer do exercício do ano a meta fiscal seja atingida e o resultado primário seja positivo, na forma que estipulamos em nossa lei de diretrizes orçamentárias, em que pese o cenário desafiador quando se fala em receita”, afirmou Ricardo Capistrano.
O deputado Valmir Moretto (Republicanos), membro da CFAEO, destacou a importância desse esforço do Estado em cumprir as metas, sobretudo para garantir que os investimentos anunciados sejam concretizados. “Acredito que o estado teve avanço e deverá haver um trabalho para recuperar essas perdas e não deixar comprometer os investimentos futuros e assim o desenvolvimento. Temos hospitais em construção, o governo assumiu a BR-163 e a BR-174, obras importantes para o estado de Mato Grosso”.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
TRE-MT DETERMINA RETIRADA DE VÍDEO COM ACUSAÇÕES CONTRA WELLINGTON FAGUNDES
Decisão aponta que declarações de Otaviano Pivetta ultrapassaram os limites da crítica política ao atribuir ao candidato suposto envolvimento em práticas criminosas
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) determinou, em decisão proferida nesta quarta-feira (19), a retirada de conteúdo publicado pelo portal MidiaNews com declarações do candidato ao Governo de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, contra o também candidato Wellington Fagundes.
A decisão foi tomada pelo juiz auxiliar Marcelo Alexandre Oliveira da Silva Morgado, no âmbito da Representação Eleitoral nº 0600827-39.2026.6.11.0000, apresentada pela coligação “No Coração da Gente”.
A ação questionou declarações feitas por Pivetta durante entrevista coletiva realizada no dia 15 de agosto. Entre as afirmações, o candidato chamou Wellington Fagundes de “negociador de emenda voraz”, afirmou que ele teria feito “negócio na política a vida toda” e associou o candidato à expressão “cena do crime”, além de mencionar suposta “roubalheira”.
Ao analisar o pedido de tutela de urgência, o magistrado destacou que a liberdade de expressão e de informação são fundamentais ao processo democrático e que críticas políticas, inclusive severas, são permitidas. No entanto, segundo a decisão, as declarações analisadas ultrapassaram o campo da crítica política legítima.
Para o juiz, as expressões utilizadas “possuem sentido mais grave do que mera crítica à eficiência administrativa ou à qualidade da atuação parlamentar”, pois comunicariam ao público, em análise preliminar, a ideia de envolvimento pessoal de Wellington Fagundes em práticas criminosas.
A decisão também ressalta que uma eventual declaração feita por colaborador em processo de delação não equivale, por si só, ao reconhecimento judicial da prática de crime. Segundo o magistrado, não seria possível apresentar uma imputação como fato definitivamente estabelecido sem ressalvas ou contextualização mínima.
Outro ponto considerado pelo TRE-MT foi o contexto eleitoral das declarações. Conforme a decisão, a fala foi feita por um candidato a governador, nominalmente dirigida a um adversário, às vésperas do início da propaganda eleitoral, e acompanhada de referências ao período de campanha.
Nesse contexto, o magistrado entendeu, em análise preliminar, que a associação de Wellington Fagundes a práticas criminosas e à expressão “cena do crime” apresentava conteúdo “semanticamente equivalente à recomendação de rejeição eleitoral”.
A decisão também responsabiliza, nesta fase cautelar, o MidiaNews pela manutenção do conteúdo. O magistrado destacou que o portal não apenas hospedou o material, mas selecionou as declarações, produziu a reportagem, definiu a manchete e incorporou o vídeo da entrevista à publicação.
Com base no artigo 300 do Código de Processo Civil, na Lei das Eleições e na Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral, o juiz deferiu a tutela de urgência e determinou a retirada do conteúdo impugnado.
Wellington Fagundes disse que as acusações sem fundamento jurídico ou provas têm sido muito comuns nesta campanha. “Eu tenho sido uma das vítimas mais recorrentes desse tipo de situação, com declarações que ultrapassam o campo do debate político e acabam por tentar atingir minha imagem e minha trajetória pública”, afirmou o candidato.
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