GUERRA ENTRE EX-ALIADOS

Pedro Taques acusa Medeiros de ter “rabo preso” com ministros do STF e dispara: “Acharam o rabo da cutia”

Ex-governador ironiza discurso do adversário após divulgação de áudios envolvendo irmão de Gilmar Mendes; rivalidade entre os dois também remonta à fraude na ata eleitoral de 2010, que beneficiou Medeiros em sua primeira passagem pelo Senado

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A disputa pelas duas vagas de Mato Grosso ao Senado Federal ganhou mais um capítulo de confronto nesta quinta-feira (24). O ex-governador Pedro Taques (PSB) voltou a atacar o deputado federal José Medeiros (PL), seu antigo aliado político e atual adversário nas urnas, após a repercussão de gravações atribuídas ao parlamentar envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em manifestação publicada nas redes sociais, Taques acusou Medeiros de manter um discurso público de enfrentamento ao Supremo enquanto, nos bastidores, buscaria aproximação com integrantes da Corte.

O ex-governador também ironizou o bordão utilizado pelo adversário durante a campanha eleitoral, no qual Medeiros se apresenta como um candidato “cutia”, expressão associada à ideia de não ter compromissos que limitem sua atuação política.

“Acharam o rabo da cutia”, disparou Taques ao comentar as gravações que passaram a circular nos últimos dias.

ÁUDIO ENVOLVENDO IRMÃO DE GILMAR MENDES

O novo confronto teve início após a divulgação de uma conversa atribuída a José Medeiros com o prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União Brasil), irmão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Na gravação, o deputado afirma que não pretende atacar o STF de maneira generalizada e que teria orientado sua equipe de marketing a retirar referências à instituição dos materiais de campanha, concentrando eventuais críticas no ministro Alexandre de Moraes.

O conteúdo ganhou repercussão porque Medeiros construiu parte de sua atuação política em torno de críticas ao Supremo e da defesa de pautas associadas ao eleitorado conservador.

Pedro Taques passou a explorar politicamente a diferença entre o posicionamento público do adversário e as declarações atribuídas a ele na conversa reservada.

O ex-governador afirmou que o episódio coloca em discussão a postura que Medeiros adotaria caso fosse eleito senador e tivesse de participar de uma eventual votação envolvendo ministros do STF.

“CANDIDATO COM RABO PRESO”

Em sua manifestação, Taques acusou Medeiros de possuir compromissos políticos que, segundo ele, poderiam interferir em sua independência no Senado.

“Ninguém aguenta mais essa palhaçada. Medeiros é mais um candidato com rabo preso e que deve favores a ministros do STF. A verdade é uma só, candidatos como Medeiros nunca vão votar no impeachment de ninguém. Eu não tenho rabo preso e tenho coragem de sobra”, declarou o ex-governador.

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A acusação de que Medeiros teria compromissos com ministros do Supremo é uma afirmação de Pedro Taques, não uma conclusão demonstrada pelas gravações divulgadas.

O ex-governador também ironizou a aproximação do adversário com Gilmar Mendes após o próprio deputado relatar que procurou o ministro em Brasília.

MEDEIROS CONFIRMOU QUE PROCUROU GILMAR MENDES

Em manifestação pública após a divulgação dos áudios, José Medeiros confirmou que esteve em Brasília para conversar com Gilmar Mendes.

Segundo o deputado, a iniciativa ocorreu depois que ele tomou conhecimento de uma suposta articulação para deflagrar uma operação contra ele durante a reta final da campanha eleitoral.

Medeiros afirmou que procurou o ministro para esclarecer a situação e que teria recebido a informação de que não existiria investigação em andamento contra ele.

A explicação apresentada pelo parlamentar passou a ser utilizada por Pedro Taques como argumento em seus ataques à postura política do antigo aliado.

A existência da suposta articulação para uma operação contra Medeiros não foi comprovada pelos elementos apresentados na reportagem.

ELEITORADO BOLSONARISTA TAMBÉM ENTRA NA POLÊMICA

Outro episódio que ampliou a repercussão das gravações envolve uma segunda conversa atribuída a José Medeiros.

Nela, o parlamentar teria utilizado expressões depreciativas ao se referir a parte de seu eleitorado, mencionando pessoas que “oram para alienígenas e bebem detergente”.

O conteúdo passou a integrar o debate eleitoral em Mato Grosso, especialmente diante da identificação política de Medeiros com o ex-presidente Jair Bolsonaro e com setores conservadores.

As declarações atribuídas ao deputado e a conversa envolvendo o irmão de Gilmar Mendes tornaram-se temas explorados por seus adversários na disputa ao Senado.

TAQUES DEFENDE MUDANÇAS NO STF

Além dos ataques ao adversário, Pedro Taques voltou a apresentar propostas relacionadas ao funcionamento do Supremo Tribunal Federal.

O ex-governador defendeu a criação de mecanismos legais para estabelecer prazo de apreciação de pedidos de impeachment de ministros do STF pelo Senado.

Entre as medidas apresentadas estão a fixação de mandato de 12 anos para ministros, idade mínima de 60 anos para ingresso na Corte e restrições às decisões monocráticas.

Taques também defendeu que os pedidos de impeachment sejam submetidos à votação em até 30 dias.

As propostas dependeriam de alterações legislativas e, em determinados casos, constitucionais para entrar em vigor.

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DA FRAUDE NA ATA À PRIMEIRA PASSAGEM PELO SENADO

A rivalidade entre Pedro Taques e José Medeiros possui um capítulo que remonta às eleições de 2010 e envolve uma fraude documental reconhecida pela Justiça Eleitoral de Mato Grosso.

Naquela eleição, Pedro Taques foi eleito senador pela coligação Mato Grosso Melhor Pra Você. A composição definida pela coligação, após a saída de Zeca Viana da disputa pela suplência, colocava o empresário Paulo Fiúza como primeiro suplente e José Medeiros como segundo.

Entretanto, uma ata adulterada apresentada à Justiça Eleitoral inverteu a ordem dos suplentes, colocando Medeiros na primeira posição e Fiúza na segunda.

A alteração foi decisiva para que José Medeiros assumisse pela primeira vez uma cadeira no Senado Federal, em 2015, após Pedro Taques deixar o Congresso Nacional para assumir o Governo de Mato Grosso.

O episódio foi investigado pela Polícia Federal e analisado pela Justiça Eleitoral.

Em 31 de julho de 2018, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) reconheceu, por unanimidade, a existência de fraude na ata da convenção partidária e determinou a cassação do mandato de José Medeiros, além da diplomação de Paulo Fiúza para ocupar a vaga.

Segundo o entendimento dos magistrados, a documentação verdadeira e os materiais utilizados durante a campanha eleitoral demonstravam que Paulo Fiúza era o primeiro suplente e José Medeiros ocupava a segunda posição.

A fraude documental reconhecida pelo TRE-MT beneficiou diretamente Medeiros, permitindo que ele assumisse o mandato de senador que, pela composição considerada verdadeira pelo Tribunal, caberia a Paulo Fiúza.

A decisão foi contestada no Tribunal Superior Eleitoral, que concedeu efeito suspensivo ao recurso. Posteriormente, com o encerramento do mandato, a medida cautelar perdeu seu objeto.

Medeiros negou responsabilidade pela adulteração da ata.

O caso permanece como um dos principais episódios da trajetória política compartilhada pelos dois adversários.

Agora, em 2026, Pedro Taques e José Medeiros voltam a se enfrentar, desta vez disputando diretamente uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado Federal.

O histórico da ata falsificada, somado à divulgação dos áudios envolvendo o Supremo Tribunal Federal, acrescenta novos elementos à rivalidade entre os antigos aliados, que transformaram a disputa eleitoral em um confronto público sobre suas respectivas trajetórias políticas e posicionamentos diante da Corte.

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Taques usa áudios para atacar Medeiros e dispara: “Acharam o rabo da cutia”

Ex-governador acusa adversário de incoerência sobre o STF após Medeiros confirmar encontro com Gilmar Mendes; candidato do PL afirma que procurou ministro para esclarecer rumor sobre possível operação policial

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A disputa pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (24). O ex-governador e candidato Pedro Taques (PSB) usou a repercussão de áudios atribuídos ao deputado federal José Medeiros (PL), também candidato ao Senado, para questionar a postura do adversário em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

Em vídeo publicado nas redes sociais, Taques recorreu à expressão “Acharam o rabo da cutia” e acusou Medeiros de manter discursos diferentes publicamente e em conversas reservadas. A declaração ocorreu após a divulgação de uma gravação enviada por Medeiros ao prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União Brasil), irmão do ministro Gilmar Mendes. A autenticidade do áudio foi confirmada pelo próprio deputado. 

Na gravação, Medeiros afirma que orientou sua equipe de marketing a retirar referências ao STF de materiais de campanha. Ele diz evitar ataques à Corte de maneira geral, embora faça uma ressalva em relação ao ministro Alexandre de Moraes. 

Taques aproveitou o episódio para acusar o adversário de incoerência entre o discurso público e a atuação nos bastidores. “De dia é brabo, pede impeachment. Na calada da noite, na moita, corre para os braços do ministro”, declarou o candidato do PSB. 

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O ex-governador também afirmou que, na avaliação dele, Medeiros teria “rabo preso” com ministros do Supremo e não apoiaria eventuais processos de impeachment. As declarações são acusações de Taques no contexto da disputa eleitoral e não representam fatos comprovados sobre a relação de Medeiros com integrantes da Corte. 

Medeiros confirma encontro com Gilmar

A polêmica ganhou força depois que Medeiros confirmou ter procurado pessoalmente Gilmar Mendes em Brasília. Segundo o candidato do PL, ele recebeu informações de que poderia ser alvo de uma operação policial na reta final da campanha e decidiu conversar diretamente com o ministro para esclarecer a situação. 

Medeiros negou ter procurado Gilmar para pedir favores ou assumir compromissos. Conforme sua versão, o encontro ocorreu exclusivamente para saber se existia alguma investigação ou operação contra ele. O parlamentar afirmou posteriormente ter recebido a informação de que não havia investigação em andamento envolvendo seu nome. 

Outra gravação divulgada durante a controvérsia também repercutiu por trazer uma declaração de Medeiros sobre parte de seu eleitorado, usando as expressões “ora para alienígenas” e “bebe detergente”. O candidato não negou o conteúdo dos áudios e posteriormente classificou a fala como parte de seu estilo de fazer piadas. 

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Taques apresenta propostas para o STF

No mesmo vídeo em que criticou Medeiros, Pedro Taques aproveitou para apresentar propostas relacionadas ao Supremo. O candidato afirmou que, se eleito senador, pretende defender uma regra para que pedidos de impeachment de ministros do STF sejam analisados pelo Senado em até 30 dias. 

Taques também defendeu mandato de 12 anos para ministros do Supremo, idade mínima de 60 anos para ingresso na Corte e o fim das decisões monocráticas. 

A troca de acusações ocorre na reta final da campanha ao Senado e retoma uma antiga relação política entre os dois candidatos. Taques e Medeiros já integraram o mesmo projeto eleitoral: em 2010, Medeiros compôs como suplente a chapa pela qual Taques foi eleito senador. Hoje, os dois disputam uma das duas cadeiras de Mato Grosso no Senado. 

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