FECHANDO O CERCO
Ofensiva do governo contra bets reacende debate e destaca PL de Gisela contra endividamento
O endurecimento do governo federal contra o mercado de apostas online reacendeu o debate sobre os impactos sociais das chamadas ‘bets’ no Brasil. Um cenário que volta a colocar em evidência propostas legislativas voltadas à proteção do consumidor. Entre elas, o Projeto de Lei 1561 de 31 de março de 2026, de autoria de Gisela Simona, que nestes 33 meses de mandato consolidou sua presença na esfera federal, ao intensificar sua defesa ao consumidor com diversas proposições legislativas focadas em proteger o cidadão de práticas abusivas e garantir maior transparência nas relações de consumo. E, igualmente, na busca de impor limites mais rígidos às práticas das plataformas digitais de apostas que têm levado milhares de brasileiros ao endividamento.
Nesta sexta-feira (24), o governo anunciou que o mercado de apostas de predição é ilegal no país e oficializou o bloqueio de 28 plataformas. A medida integra a ofensiva do governo brasileiro contra a expansão descontrolada do setor, que já movimenta bilhões e atinge, sobretudo, a população de baixa renda.
Dados do Banco Central e do Ministério da Fazenda apontam que cerca de 25 milhões de brasileiros realizaram apostas online, movimentando mais de R$ 20 bilhões. O recorte social revela um cenário ainda mais sensível apontado no levantamento do DataSenado indicando que 52% dos apostadores pertencem a famílias com renda de até dois salários mínimos. Entre beneficiários do Bolsa Família, cerca de 5 milhões destinaram R$ 3 bilhões às plataformas em apenas um mês.
Apesar da regulamentação recente, o próprio governo admite dificuldades para controlar o setor. A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda contabilizou mais de 15 mil páginas retiradas do ar desde 2024 e atualizado em 2025. Ainda assim, seguem autorizadas 182 bets e 17,7 milhões de brasileiros ativos nestas plataformas.
É nesse contexto que ganha relevância o projeto apresentado por Gisela Simona, na Câmara Federal, igualmente, presidente do diretório do União Brasil, em Cuiabá. O PL 1561/2026 foi concebido com foco na proteção do consumidor diante de práticas consideradas abusivas no ambiente digital de apostas.
A proposta estabelece restrições diretas à forma como as plataformas operam. Entre os pontos centrais estão a proibição de mecanismos que dificultem o acesso do usuário a ferramentas de autoexclusão, limites de depósito e encerramento de contas, além da vedação ao uso de instrumentos financeiros que estimulem o endividamento, como cartão de crédito e modalidades de crédito integradas.
O projeto também enfrenta o que especialistas classificam como ‘engenharia comportamental’ das plataformas. Estratégias que incentivam o consumo compulsivo por meio de recompensas progressivas, estímulos visuais e sensação artificial de controle sobre os resultados.
À imprensa e nas suas redes sociais, no último final de semana, Gisela reforçou o impacto social do problema e a necessidade de atuação mais firme do Estado. “As apostas online estão comprometendo a renda de milhões de brasileiros, especialmente os mais vulneráveis. Não se trata apenas de entretenimento, mas de um modelo que induz ao endividamento e afeta diretamente o orçamento das famílias”, afirmou.
Ainda segundo Gisela, a proposta não busca proibir a atividade, mas estabelecer limites claros. “A exploração econômica não pode ocorrer às custas do superendividamento do consumidor. É preciso garantir instrumentos reais de proteção e responsabilização das empresas”, completou.
Do ponto de vista jurídico, o projeto propõe preencher uma lacuna na legislação ao incluir, no Código de Defesa do Consumidor, a tipificação de práticas que induzam o apostador a comprometer sua renda de forma incompatível com sua capacidade econômica.
Embora o setor tenha sido regulamentado pela Lei nº 14.790/2023, especialistas apontam que ainda há fragilidades na proteção ao consumidor, especialmente diante da rápida expansão das plataformas digitais e da sofisticação de seus mecanismos de retenção.
Com o avanço das medidas federais e o aumento da pressão social sobre o setor, propostas como a de Gisela Simona tendem a ganhar novo fôlego no debate público, especialmente em um cenário onde o crescimento das apostas já evidencia impactos econômicos e sociais relevantes.
POLÍTICA MT
ALMT celebra 90 anos do IBGE em sessão especial
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, na noite desta terça-feira (16), sessão especial em homenagem aos 90 anos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O evento foi requerido pelo deputado Eduardo Botelho ocorreu no Plenário das Deliberações Renê Barbour e reuniu autoridades, servidores, homenageados, familiares e convidados.
O IBGE foi criado em 1936, inicialmente como Instituto Nacional de Estatística, e é o principal provedor de dados e informações do país, atendendo à sociedade civil e aos órgãos públicos nas esferas federal, estadual e municipal. As informações produzidas pelo instituto oferecem uma visão ampla e atualizada do Brasil e são utilizadas para o planejamento, a formulação de políticas públicas e a tomada de decisões.
“Celebrar os 90 anos do IBGE é celebrar a construção do conhecimento sobre o nosso país. É reconhecer o trabalho silencioso, técnico e indispensável de milhares de profissionais que, ao longo de nove décadas, ajudaram o Brasil a conhecer a si mesmo”, declarou Botelho.
Em Mato Grosso, o IBGE está presente há 81 anos e conta atualmente com 16 agências, cerca de 70 servidores efetivos e aproximadamente 200 servidores temporários. Segundo a superintendente do instituto, Milanne Chaves da Silva, o estado representa um grande desafio para o órgão, devido às grandes distâncias, às diferentes realidades regionais e à presença de três importantes áreas ambientais: Pantanal, Parque do Xingu e Cerrado.
“Mato Grosso é um dos estados que mais crescem no Brasil, e o planejamento desse crescimento depende de informações precisas sobre população, urbanização, produção agropecuária, infraestrutura e meio ambiente. O IBGE tem sido parceiro fundamental na compreensão dessa realidade e na construção de políticas públicas mais eficientes para nossa população”, destacou a superintendente, que foi agraciada com a Comenda Dante de Oliveira durante a solenidade.
Segundo ela, o Censo Agropecuário para Mato Grosso é um dos principais levantamentos feitos pela instituição, uma vez que o estado que é o maior produtor de grãos do país e possui o maior rebanho bovino.
“Temos hoje menos de 20% de área cultivável e, mesmo assim, somos o maior produtor de grãos do país, temos o maior rebanho bovino, fora as outras culturas. É uma oportunidade ímpar para que os municípios tenham o raio-x de toda a produção, seja extrativista, pecuária, de grãos ou de pequena propriedade”, frisou.
Secretário-adjunto de planejamento e governo digital da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Mato Grosso (Seplag), Sandro Luís Brandão Campos reforçou a importância das informações coletadas pelo órgão para o planejamento das políticas públicas.
“Os dados do IBGE ajudam o governo a entender a dinâmica da população e a realidade econômica, social e ambiental, para direcionar indicadores e políticas públicas, desde o cálculo do PIB dos municípios até o mapeamento da vegetação primária do estado”, disse.
A Comenda Dante de Oliveira também foi concedida a Aurelino Levy Dias de Campos, servidor do IBGE há 44 anos. Ao falar sobre os trabalhos desenvolvidos ao longo desse período, Aurelino destacou que, além do Censo Demográfico, o órgão realiza pesquisas mensais, trimestrais, semestrais e anuais em áreas como construção civil, comércio, serviços, indústria, agropecuária e produção de etanol.
“Essas pesquisas são importantíssimas para o país e ajudam a fazer análises de conjuntura, produtividade e desenvolvimento econômico”, afirmou.
Clélia Rosa de França, servidora mais antiga do IBGE em Mato Grosso, com 50 anos de atuação, destacou a satisfação em fazer parte dos quadros da instituição e citou a divisão dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul como um fato marcante durante a sua trajetória. “O IBGE é uma escola. A gente aprende muito e leva esse conhecimento para a vida”, salientou.
Na ocasião, também foi entregue o título de cidadão mato-grossense ao presidente do IBGE, Márcio Pochmann, e moções de aplausos aos servidores do instituto, como forma de reconhecimento aos serviços prestados.
Fonte: ALMT – MT
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