Influenciando Mato Grosso

Muito além do comércio: como a influência da China já faz parte da cultura de Mato Grosso

Relação entre Mato Grosso e o país asiático ultrapassa exportações e importações e chega às universidades, redes sociais, consumo e intercâmbios culturais

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A relação entre Mato Grosso e a China deixou de se limitar aos negócios. Embora o comércio entre os dois lados tenha como base a força do agronegócio mato-grossense, com destaque para produtos como soja e carne, a aproximação também começa a aparecer no cotidiano da população, no consumo, na educação e até nos hábitos culturais.

Enquanto Mato Grosso exporta grandes volumes de produtos para o mercado chinês, os mato-grossenses também entram em contato diariamente com produtos, conteúdos e referências culturais vindos do país asiático. Aplicativos de compras, produções audiovisuais, tendências nas redes sociais e elementos tradicionais da cultura chinesa passaram a fazer parte da rotina de muitos brasileiros.

Da economia para a cultura

Um dos exemplos mais visíveis dessa aproximação está na popularização do horóscopo chinês. Símbolos, animais e tradições associados ao calendário chinês ganharam espaço no imaginário ocidental e passaram a ser utilizados inclusive por grandes marcas internacionais.

Em 2026, por exemplo, o calendário chinês é marcado pelo Ano do Cavalo de Fogo. A temática também aparece em campanhas comerciais e conteúdos produzidos para o público ocidental, mostrando como elementos culturais chineses passaram a circular para além das fronteiras do país.

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Outro fenômeno que ganhou força são os chamados “microdramas chineses”, produções com episódios curtos que passaram a conquistar espaço nas redes sociais e nos celulares de usuários brasileiros.

A influência também chega a Mato Grosso

Para Mato Grosso, essa aproximação cultural ocorre paralelamente a uma relação econômica considerada estratégica para o Estado.

A China é apontada como o principal parceiro comercial de Mato Grosso, enquanto o Estado busca ampliar os vínculos com o país asiático também em outras áreas.

Um dos movimentos nesse sentido foi a escolha de Xangai para sediar o primeiro escritório internacional de Mato Grosso. A iniciativa busca aproximar o Estado de empresas, instituições e oportunidades no mercado chinês.

A aproximação também envolve missões empresariais e acadêmicas. Segundo as informações apresentadas na publicação, a China enviou missões empresariais ao Estado, além de representantes acadêmicos da Tsinghua University, ampliando as possibilidades de intercâmbio em inovação e desenvolvimento tecnológico.

Universidades ampliam intercâmbio

A relação não fica restrita ao setor empresarial. Instituições de ensino de Mato Grosso também mantêm iniciativas de aproximação com universidades chinesas.

UFMT e UNEMAT aparecem nesse processo por meio de parcerias que envolvem o ensino do mandarim, pesquisa científica e desenvolvimento relacionado ao setor agrícola.

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Na prática, esse tipo de cooperação cria uma ponte entre estudantes e pesquisadores dos dois países, permitindo que a relação Mato Grosso-China avance para áreas que vão além da comercialização de commodities.

Uma relação que pode ir além dos negócios

O crescimento da presença chinesa em Mato Grosso revela uma transformação na forma como essa relação é construída. De um lado, o Estado possui forte participação nas exportações destinadas à China. De outro, a população passa a ter contato cada vez maior com produtos, tecnologias, conteúdos e referências culturais chinesas.

Esse movimento cria uma espécie de via de mão dupla: Mato Grosso fornece produtos estratégicos para o mercado chinês, enquanto a China amplia sua presença econômica, acadêmica, tecnológica e cultural no Estado.

Mais do que uma relação baseada apenas em números de exportação, a aproximação começa a produzir efeitos no cotidiano e nas instituições mato-grossenses — indicando que o chamado “efeito China” pode ser percebido muito além do agronegócio.

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POLÍTICA MT

Em meio à tensão com a Câmara, Abilio envia PLOA de R$ 5,7 bilhões para Cuiabá em 2027

Proposta prevê R$ 5,739 bilhões em receitas e despesas, inclui R$ 1,938 bilhão para Saúde e R$ 1,151 bilhão para Educação e chega ao Legislativo com pedido de urgência

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), encaminhou nesta quarta-feira (30) à Câmara Municipal o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2027. A proposta estima R$ 5,739 bilhões em receitas e despesas para o município no próximo ano e foi enviada ao Legislativo com pedido de análise em caráter de urgência.

O texto foi protocolado às 18h35 e encaminhado à presidente da Câmara, Paula Calil (PL), em um momento de tensão na relação entre o Executivo e parte dos vereadores. Nos últimos dias, Abilio afirmou que um grupo de parlamentares passou a atuar como oposição à gestão após apoiar a candidatura de Ilde Taques (Podemos) à Mesa Diretora. O prefeito também declarou que a relação institucional com o Legislativo poderia ficar mais distante. 

Quase R$ 2 bilhões para Saúde e Educação

De acordo com a proposta apresentada pelo Executivo, R$ 1,938 bilhão está previsto para a Saúde, enquanto a Educação deverá contar com R$ 1,151 bilhão.

O orçamento também prevê aproximadamente R$ 614 milhões para Urbanismo, R$ 305,3 milhões para Transporte, R$ 138 milhões para Assistência Social e R$ 117,5 milhões para o Legislativo municipal.

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Para a Câmara de Cuiabá, o PLOA reserva R$ 117.588.800 em 2027. O valor representa aumento nominal de aproximadamente R$ 5,6 milhões, cerca de 5%, em comparação com o orçamento de R$ 112 milhões previsto para a Casa em 2026.

Prefeitura poderá abrir créditos suplementares

Outro ponto previsto no projeto é a autorização para que a Prefeitura abra créditos suplementares de até 20% da despesa total prevista para 2027, observadas as exceções estabelecidas no próprio texto.

Considerando o orçamento de R$ 5,739 bilhões, o percentual corresponde a aproximadamente R$ 1,14 bilhão. A proposta estabelece, contudo, situações que ficam fora desse limite, como despesas com pessoal, precatórios, dívida pública, superávit financeiro e excesso de arrecadação.

LOA chega após rejeição da LDO

O envio do orçamento ocorre depois de a Câmara Municipal ter rejeitado, em julho, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027.

Antes do encaminhamento, Abilio já havia afirmado que enviaria a LOA mesmo sem a aprovação da LDO. Na ocasião, o prefeito classificou a situação como um “limbo jurídico” e sustentou que a rejeição da LDO não impediria o cumprimento do prazo para encaminhamento do orçamento. 

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Agora, o PLOA será analisado pelos vereadores e poderá receber emendas antes de ser levado à votação em plenário. Se aprovado, o texto estabelecerá a previsão de receitas e despesas da Prefeitura ao longo de 2027.

Disputa pela Mesa Diretora aumenta tensão

A tramitação do orçamento acontece paralelamente à disputa pelo comando da Câmara para o próximo biênio. A eleição da nova Mesa Diretora está marcada para 6 de outubro.

Segundo informações divulgadas nesta semana, Ilde Taques afirma contar com 15 apoios, enquanto Dilemário Alencar (União), ligado à base governista, afirma ter 12. São necessários 14 votos para a eleição. 

A disputa ganhou novos contornos após uma proposta que poderia abrir caminho para a recondução de Paula Calil à presidência não ter sido levada à votação em 29 de setembro. 

Com o PLOA agora oficialmente entregue, os vereadores terão pela frente duas discussões de peso: a definição do orçamento que vai orientar Cuiabá em 2027 e, ao mesmo tempo, a composição do comando do Legislativo municipal.

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