POLÊMICA NAS REDES
Imagem associa Medeiros a projeto para tirar título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida; proposta era de Victório Galli e disparou ” o estado é laico não poder ter padroeira “
“O Estado é laico e não tem que ter padroeira”, sustentou Galli ao defender mudança; proposta acabou rejeitada e arquivada, enquanto associação do episódio a José Medeiros circula nas redes sociais
Uma imagem que circula nas redes sociais associando o deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL-MT) a uma antiga proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil começou a ganhar repercussão na internet.
Os registros oficiais, entretanto, mostram que a proposta não foi apresentada por Medeiros. O autor foi o então deputado federal por Mato Grosso Victório Galli.
Galli apresentou, em dezembro de 2007, o Projeto de Lei nº 2.623/2007, que pretendia modificar a Lei nº 6.802/1980. Na prática, o texto retirava a definição de Nossa Senhora Aparecida simplesmente como “Padroeira do Brasil” e propunha reconhecê-la como “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
A justificativa apresentada por Galli estava baseada no princípio constitucional da laicidade do Estado.
Na época, Galli sustentou que o Brasil, por ser um Estado laico, não deveria ter “este ou aquele padroeiro”.
A declaração provocou repercussão por envolver Nossa Senhora Aparecida, cuja devoção possui enorme presença histórica e religiosa no país.
O projeto, porém, não prosperou no Congresso Nacional.
A Comissão de Educação e Cultura da Câmara aprovou parecer pela rejeição da proposta. Posteriormente, o PL 2.623/2007 acabou arquivado, encerrando sua tramitação.
Ou seja: houve efetivamente uma proposta parlamentar para alterar o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, mas a autoria documentada é de Victório Galli e o projeto terminou arquivado.
MEDEIROS ENTRA NA POLÊMICA PELAS REDES
Anos depois, a discussão reaparece em outro contexto. Publicações e imagens que circulam pela internet passaram a associar José Medeiros ao episódio.
É justamente nesse ponto que é necessário separar o que está documentado daquilo que ainda precisa ser comprovado.
Até o momento, os registros oficiais consultados não demonstram que José Medeiros tenha sido o autor do projeto de 2007.
A autoria registrada pela Câmara dos Deputados é de Victório Galli.
Também há uma questão cronológica: a proposta é de 2007, período anterior aos mandatos de Medeiros no Congresso Nacional.
Isso não impede que sejam apurados eventuais posicionamentos posteriores de Medeiros sobre o assunto, mas não permite atribuir a ele a autoria do projeto sem documentação que sustente essa afirmação.
A polêmica, portanto, possui um fato histórico comprovado: Victório Galli apresentou uma proposta que buscava alterar o título de Nossa Senhora Aparecida sob o argumento de que o Estado brasileiro é laico e não deveria possuir padroeiro.
A proposta foi rejeitada e acabou arquivada.
Agora, em plena campanha eleitoral, imagens relacionando José Medeiros ao episódio voltam a circular nas redes sociais. O Folha de Mato Grosso acompanha a repercussão e busca identificar a origem dessas publicações e se existe algum posicionamento documentado de Medeiros sobre a antiga proposta.
POLÍTICA MT
Projeto de Victório Galli sobre título de Nossa Senhora Aparecida volta ao debate nas redes
Proposta apresentada em 2007 foi arquivada no ano seguinte; texto voltou a circular em meio à disputa presidencial de 2026

O ex-deputado federal por Mato Grosso Victório Galli voltou ao centro do debate político após um projeto de lei apresentado por ele em 2007 ser resgatado nas redes sociais e associado à atual candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
O Projeto de Lei 2.623/2007 propunha uma alteração na Lei nº 6.802/1980, que trata do feriado nacional de 12 de outubro em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. Pela proposta, a expressão “Padroeira do Brasil” seria substituída por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
Na justificativa apresentada à época, Galli argumentou que o Brasil, por ser um Estado laico, não deveria estabelecer um padroeiro para toda a população. O feriado de 12 de outubro seria mantido, mas a homenagem oficial passaria a fazer referência especificamente aos brasileiros católicos.
A proposta, no entanto, não está em tramitação. O projeto foi arquivado pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008, depois de ser rejeitado quanto ao mérito na comissão responsável pela análise.
O assunto voltou a ganhar repercussão depois que publicações nas redes sociais passaram a relacionar o antigo projeto a Flávio Bolsonaro e a atribuir ao candidato a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Conforme os registros oficiais da Câmara, porém, a autoria do PL 2.623/2007 é de Victório Galli e a matéria está arquivada desde 2008.
Flávio negou a acusação e afirmou que “não existe esse projeto”, em referência à atribuição da proposta à sua candidatura.
Galli exerceu mandato de deputado federal por Mato Grosso e, posteriormente, atuou como assessor especial da Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro.
DECLARAÇÕES E CONDENAÇÃO
O ex-parlamentar também ganhou repercussão nacional em 2017 por declarações sobre homossexuais e personagens da Disney. Em entrevistas, Galli afirmou que produções da empresa fariam “apologia ao gayzismo”, citando personagens como Mickey Mouse e “O Rei Leão”.
As manifestações resultaram em uma ação civil pública movida pela Defensoria Pública de Mato Grosso. Em 2019, a Justiça condenou Galli ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais coletivos, ao entender que as declarações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e atingiram a comunidade LGBT.
O caso voltou ao noticiário em setembro deste ano. A Justiça de Mato Grosso determinou a penhora de um imóvel registrado em nome da esposa de Galli para garantir o pagamento da condenação. A decisão foi tomada na fase de cumprimento de sentença e também autorizou novas buscas patrimoniais diante da ausência de quitação integral da dívida.
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