DE VOLTA AO JOGO

Depois de resolver o problema do saneamento básico em Cuiabá e sofrer desgastes, Chico Galindo deixa o extinto PTB e volta ao ninho tucano para reconfigurar o PSDB MT 

Por Palmiro Pimenta

Depois de um período afastado da política partidária, dedicado à condução de seu grupo empresarial nas áreas de construção, educação superior e comunicação, o ex-prefeito de Cuiabá Francisco Belo Galindo, o Chico Galindo, retorna ao centro das articulações estaduais.

Ele deixa o extinto PTB  legenda que comandou por anos em Mato Grosso e volta ao ninho tucano assumindo a presidência da Executiva estadual do PSDB.

O movimento não é apenas partidário. É estratégico.

A decisão que marcou sua trajetória
Durante sua gestão na Prefeitura de Cuiabá, Galindo enfrentou uma das áreas mais sensíveis da administração pública: o saneamento básico.

À época, a capital convivia com sistema deficitário, altos custos, baixa cobertura de esgoto e críticas recorrentes quanto à qualidade dos serviços.

Foi nesse cenário que tomou uma decisão considerada politicamente difícil: avançar na concessão/privatização da água e esgoto. A medida provocou desgaste imediato, críticas e embates intensos.

Hoje, porém, aliados sustentam que Cuiabá se transformou em referência nacional em saneamento, com ampliação de cobertura, investimentos estruturais e melhoria nos indicadores.

Nos bastidores tucanos, o episódio é tratado como demonstração de coragem administrativa  uma decisão impopular no curto prazo, mas estruturante no longo prazo.

O retorno do “calculista político”

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Nos bastidores, Chico Galindo é descrito como homem de construção política. Conhecido por fazer contas detalhadas de nominatas e coeficientes eleitorais, é apontado por aliados como um dos articuladores mais meticulosos do Estado.

Há quem o defina como “calculista político”  no sentido estratégico da palavra. Galindo teria o hábito de projetar com precisão quantos deputados estaduais, federais e até vereadores uma chapa pode eleger, avaliando densidade eleitoral, distribuição regional e potencial de voto.
É exatamente esse perfil que o PSDB busca neste momento.

Meta clara: três estaduais e um federal

O partido já trabalha com um objetivo declarado para 2026: eleger pelo menos três deputados estaduais para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso e conquistar uma cadeira na Câmara Federal.

Mas a ambição não para aí.
Internamente, a legenda fala em “voos mais altos”, tanto na esfera estadual quanto nas disputas municipais.

A estratégia envolve fortalecer nominatas proporcionais, ampliar filiações e reorganizar bases regionais.

O deputado estadual Carlos Avallone passa a ocupar a função de primeiro-vice-presidente da sigla no Estado, compondo uma executiva que reúne nomes experientes e articulados politicamente.
Brasília e o alinhamento nacional
A reorganização estadual foi alinhada em Brasília, onde Avallone se reuniu com o presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves (MG), além do secretário-geral Adolfo Viana (BA) e do tesoureiro nacional Paulo Abi-Ackel (MG).

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O encontro consolidou o respaldo da direção nacional ao projeto mato-grossense e reforçou o compromisso de estruturação das chapas proporcionais.
2026 no horizonte e articulação majoritária.O retorno de Galindo também sinaliza movimentação no campo majoritário. Nos bastidores, o PSDB promete contribuir com a construção política em torno da provável reeleição do vice-governador Otaviano Pivetta, fortalecendo alianças e ampliando a musculatura do grupo para o próximo ciclo eleitoral.

A leitura interna é de que a experiência de Galindo na montagem de chapas e no cálculo eleitoral pode ser decisiva não apenas para o desempenho proporcional da legenda, mas também para o equilíbrio das forças no cenário estadual.

De empresário a estrategista de novo
Após um intervalo estratégico na vida pública, Chico Galindo retorna ao jogo político com perfil mais técnico, articulador e pragmático.

Deixa o extinto PTB e volta ao ninho tucano em um momento de reconstrução partidária.

A aposta do PSDB é clara: unir experiência administrativa, cálculo eleitoral e reorganização estrutural para voltar a ocupar espaço relevante na política mato-grossense.

Se depender do novo comandante tucano, 2026 já começou e promete aquecer o cenário político no Estado.

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POLÍTICA MT

“CORJA, PETULANTE E DITADOR”: JÚLIO CAMPOS DETONA MAURO MENDES E DISPARA ” ELE ESTAVA QUEBRADO EM 2018 NÓS BANCAMOS A CAMPANHA DELE ” – Assistam 

Deputado estadual sobe o tom contra grupo ligado ao governador, acusa aliados de tentarem tomar o controle do partido e expõe crise interna que pode redefinir o cenário eleitoral de 2026 em Mato Grosso

A crise interna dentro do União Brasil em Mato Grosso ganhou novos capítulos e elevou ainda mais a temperatura da disputa política visando as eleições de 2026. Durante entrevista ao programa Opinião, da TV Pantanal, o deputado estadual Júlio Campos disparou duras críticas contra o ex-governador Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia e aliados do grupo político que atualmente domina a sigla no estado.

Sem economizar nas palavras, Júlio classificou o grupo de Mauro Mendes como uma “corja”, além de acusar os aliados do governador de agirem de maneira “petulante” e “ditatorial” dentro do partido.

Segundo o parlamentar, o União Brasil teria cometido um “grave erro” ao aceitar a entrada de Mauro Mendes e seu grupo político ainda na época do Democratas, antes da fusão que originou a atual legenda.

“Cometemos esse erro grave de aceitar essa corja. Vieram não para ser parceiros ou companheiros, mas inimigos”, disparou Júlio Campos durante a entrevista.

A fala repercutiu fortemente nos bastidores políticos de Mato Grosso e evidencia o racha interno que cresce dentro do União Brasil, principalmente diante da possível pré-candidatura do senador Jayme Campos ao Governo do Estado.

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Nos bastidores, aliados da família Campos alegam que o grupo ligado a Mauro Mendes estaria tentando assumir o controle definitivo do partido para fortalecer projetos políticos visando 2026, deixando de lado lideranças históricas que ajudaram a construir a antiga base do Democratas no estado.

As declarações de Júlio Campos também reforçam um rompimento cada vez mais evidente entre antigos caciques da legenda e o núcleo político ligado ao governador Mauro Mendes, considerado atualmente uma das figuras mais influentes da política mato-grossense.

O embate interno promete esquentar ainda mais o cenário político estadual nos próximos meses, principalmente com a aproximação das articulações para a disputa ao Governo de Mato Grosso e ao Senado Federal.

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