DIREITOS EM XEQUE
Gisela alerta para ‘desmonte dos Procons’ com retomada de PL que cria obstáculos às fiscalizações
‘Estamos falando de um projeto que enfraquece instrumentos essenciais de defesa da sociedade justamente nas situações que mais afetam o cidadão comum: fraudes, publicidade enganosa, alimentos contaminados, produtos vencidos e práticas abusivas’
A presidente do diretório do União Brasil em Cuiabá, Gisela Simona, fez um duro alerta sobre a possível retomada, na Câmara Federal, da votação do Projeto de Lei nº 2.766/2021, proposta que altera o Código de Defesa do Consumidor e que, segundo especialistas e órgãos de fiscalização, pode provocar um profundo enfraquecimento dos Procons em todo o país.
As declarações foram feitas durante entrevistas concedidas às rádios Metrópole e Jovem Pan, em Cuiabá, entre terça e quarta-feira (19 e 20 de maio), e reforçadas na abertura do Curso de Capacitação e Aperfeiçoamento de Fiscais de Defesa do Consumidor, que está sendo realizado na sede da Controladoria Geral do Estado (CGE-MT), com a presença de integrantes dos Procons de todo o Estado.
Para ela, que continua conhecida como ‘Gisela do Procon’, em razão de sua trajetória histórica na defesa do consumidor, mesmo nestes 33 meses de mandato na Câmara Federal, a retomada do PL preocupa, pois o texto sinaliza um grave retrocesso institucional e um desmantelamento do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor.
“É muito clara a intenção do projeto quando reduz drasticamente a força das penalidades aplicadas às grandes empresas. Assim, quando o texto diz aos grandes conglomerados econômicos que a punição fica limitada ao teto de 60 salários mínimos, manda um recado claro que eles podem errar. Pois mesmo que sejam flagrados comercializando alimentos impróprios para consumo ou medicamentos vencidos poderão sofrer penalidades financeiras irrelevantes. Ou seja, totalmente desproporcionais ao tamanho das consequências que estas ações podem resultar”.
O projeto, de autoria do deputado Marco Bertaiolli (PSD-SP), estabelece que a atuação dos órgãos fiscalizadores passe a ter caráter ‘prioritariamente orientador’, criando obstáculos para autuações imediatas e impondo uma lógica mais branda na aplicação de penalidades contra empresas infratoras. Na prática, o texto prevê que, em diversas situações, os estabelecimentos sejam notificados à corrigir irregularidades antes de sofrer sanções administrativas.
Para Gisela, o impacto da proposta ultrapassa o aspecto administrativo e atinge diretamente a proteção cotidiana da população. “Estamos falando de um projeto que enfraquece instrumentos essenciais de defesa da sociedade justamente nas situações que mais afetam o cidadão comum: fraudes, publicidade enganosa, alimentos contaminados, produtos vencidos e práticas abusivas cometidas por grandes fornecedores. Transformar infrações graves em mero custo operacional é inverter completamente a lógica de proteção do consumidor”, criticou.
A dirigente lembrou ainda que o Código de Defesa do Consumidor é a Bíblia do Consumidor e representa uma das maiores conquistas sociais do país e alertou para os riscos de flexibilizações que possam reduzir a capacidade de resposta do Estado diante de abusos econômicos. “Sempre defendi que o Código de Defesa do Consumidor é uma das legislações mais importantes da cidadania brasileira. Fragilizar a fiscalização e reduzir a efetividade das punições significa enfraquecer a proteção da própria população”, concluiu.
Ao longo dos 33 meses em que esteve na Câmara Federal, Gisela Simona manteve forte atuação na pauta consumerista, integrando a Comissão de Defesa do Consumidor e apresentando projetos relacionados a fraudes bancárias, crédito consignado, bets e proteção financeira de aposentados e pensionistas.
O projeto que estava previsto para entrar em votação nesta última terça, acabou sendo retirado de pauta, mas a matéria continua tramitando e rondando o plenário da Câmara, gerando debates intensos.
POLÍTICA MT
Paulo Araújo anuncia início da duplicação da MT-010 entre Cuiabá e Guia; investimento pode chegar a R$ 130 milhões
Deputado afirma que contratos com dois consórcios já foram publicados e que ordem de serviço para duplicação deve ser emitida nesta semana; obra discutida com Otaviano Pivetta e Mauro Mendes promete aumentar segurança e acompanhar expansão da região
A duplicação da MT-010, no trecho que liga Cuiabá ao distrito de Nossa Senhora da Guia, está prestes a sair do papel. O deputado estadual Paulo Araújo (Republicanos) anunciou que os contratos com os consórcios responsáveis pelas obras já foram publicados e que a ordem de serviço para a duplicação deve ser emitida até esta sexta-feira (28).
Segundo o parlamentar, uma das empresas contratadas já iniciou os preparativos para implantação do canteiro de obras e mobilização de equipamentos. A expectativa é que, nas próximas semanas, trabalhadores e máquinas comecem a ocupar o trecho.
A duplicação compreende aproximadamente 30 quilômetros e é considerada estratégica diante do aumento do fluxo de veículos e da expansão urbana entre Cuiabá e Nossa Senhora da Guia.
Paulo Araújo afirmou que a intervenção é uma das principais bandeiras de seu mandato e ressaltou, sobretudo, a necessidade de aumentar a segurança de motoristas e moradores que utilizam diariamente a rodovia.
“Talvez hoje este trecho de 30 quilômetros seja o trecho mais perigoso do Estado de Mato Grosso”, declarou o deputado.
Articulação com Pivetta e Mauro Mendes
De acordo com Paulo Araújo, a duplicação foi discutida em diversas reuniões com o governador Otaviano Pivetta e também com o ex-governador Mauro Mendes, dentro das tratativas para viabilizar a execução do projeto.
Além da segurança viária, o parlamentar destacou a transformação econômica e imobiliária observada ao longo da MT-010, com novos condomínios, empreendimentos e estabelecimentos comerciais.
Na avaliação do deputado, a duplicação deverá acelerar ainda mais esse processo de desenvolvimento e contribuir diretamente para a expansão urbana da Capital.
“Daqui a poucos anos, Cuiabá vai colar na Guia”, afirmou Paulo Araújo.
Segurança e infraestrutura
O crescimento do tráfego é apontado como uma das principais justificativas para a intervenção. A MT-010 também funciona como importante corredor para motoristas que deixam Cuiabá em direção a diferentes municípios e regiões do interior de Mato Grosso.
A previsão apresentada pelo parlamentar é que o novo trecho siga características semelhantes às adotadas na parte já duplicada nas proximidades do Rodoanel, incluindo melhorias de urbanização e iluminação.
O objetivo é transformar uma rodovia hoje marcada pelo intenso movimento e pelo risco de acidentes em um corredor com maior capacidade, segurança e estrutura para acompanhar o crescimento da região.
Investimento pode chegar a R$ 130 milhões
Paulo Araújo estima que o conjunto das intervenções represente investimento superior a R$ 100 milhões, podendo alcançar entre R$ 120 milhões e R$ 130 milhões.
O projeto não ficará restrito à duplicação da pista. Outro consórcio ficará responsável pela construção das pontes previstas no planejamento. Conforme o deputado, a ordem de serviço referente às pontes já havia sido autorizada no último dia 21.
Com os contratos formalizados, Paulo Araújo afirmou que pretende acompanhar de perto a execução e fiscalizar o andamento dos serviços para que o cronograma avance com rapidez.
“Vamos acompanhar enquanto deputado, fiscalizar para que a obra seja feita o mais rápido possível”, declarou.
O parlamentar classificou a publicação dos contratos como uma conquista para os moradores da região e afirmou ter recebido manifestações de moradores de Nossa Senhora da Guia após a confirmação da contratação.
“É realidade. Contrato firmado com os dois consórcios. Saiu publicado”, finalizou Paulo Araújo.
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