DESESPERO
BOLSONARISMO: Pressionado para desistir, Galvan reage e diz que Medeiros é quem deveria renunciar à candidatura ao Senado
Candidato do Avante afirma que emissários ligados a Odílio Balbinotti o procuraram para pedir sua saída da disputa; Galvan rejeitou a proposta e disse que o adversário do PL deveria “demonstrar seu patriotismo” abrindo mão da eleição
A disputa pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso ganhou um novo capítulo nesta reta final da campanha. O produtor rural e candidato Antônio Galvan (Avante) afirmou que foi procurado por emissários que, segundo ele, teriam agido em nome do empresário Odílio Balbinotti Filho (PL), primeiro suplente de José Medeiros (PL), para convencê-lo a abandonar a corrida eleitoral. A declaração foi publicada nesta sexta-feira (2) pelo Folha Max e também repercutida por outros veículos.
Segundo Galvan, a proposta apresentada seria para que ele repetisse em Mato Grosso o movimento feito pelo ex-ministro Ricardo Salles em São Paulo e deixasse a disputa sob o argumento de realizar uma espécie de “ação patriótica”. A afirmação é de Galvan; as reportagens consultadas não apresentam documentação independente que comprove que Balbinotti tenha determinado a abordagem.
Galvan, porém, rejeitou a possibilidade e devolveu a pressão para o grupo de Medeiros. Na avaliação do candidato do Avante, se alguém deve abandonar a eleição em nome da união do eleitorado identificado com a direita, esse nome seria o próprio José Medeiros.
O candidato lembrou o desempenho que obteve nas urnas em 2022 e afirmou ter conquistado mais de 330 mil votos naquela eleição. “Então ele que deveria desistir e demonstrar o seu patriotismo”, declarou Galvan em entrevista reproduzida pelo Folha Max.
Odílio Balbinotti integra oficialmente a chapa de Medeiros como primeiro suplente ao Senado. A composição também é registrada em outras publicações sobre as candidaturas deste ano.
DISPUTA PELO ELEITORADO DE DIREITA
A manifestação ocorre em meio a uma disputa explícita entre candidaturas pelo eleitorado conservador e bolsonarista de Mato Grosso. Galvan tem se apresentado durante a campanha como representante da chamada “direita raiz” e já protagonizou embates com Medeiros sobre quem representa esse segmento político.
Na mesma entrevista, Galvan também fez críticas ao ex-governador e candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil). Ele alegou que Mendes buscaria um mandato para obter imunidade parlamentar e estendeu suas acusações à família e a aliados do ex-governador. As declarações são acusações políticas feitas por Galvan no contexto eleitoral e não constituem, por si só, comprovação dos fatos alegados.
Galvan ainda comparou o filho de Mauro Mendes a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao fazer questionamentos sobre patrimônio. Também nesse ponto, a comparação e as acusações são de responsabilidade do candidato do Avante, sem comprovação apresentada nas reportagens consultadas.
EMBATE COM MEDEIROS
O confronto entre Galvan e Medeiros também ganhou força após a circulação de um áudio atribuído ao candidato do PL. Segundo a reportagem do Folha Max, no material atribuído a Medeiros há comentários depreciativos sobre parte do eleitorado bolsonarista, com referências a pessoas que “oram para alienígenas e bebem detergente”. Galvan utilizou o episódio para questionar a identificação política do adversário com esse eleitorado.
Galvan afirmou que não pretende mudar seu discurso conforme o interlocutor e disse que jamais ridicularizaria eleitores que compartilham das pautas políticas que defende.
Com a eleição entrando nos últimos dias, a reação de Galvan evidencia a tensão dentro do próprio campo da direita em Mato Grosso. Enquanto seus adversários buscam concentrar votos, o candidato do Avante sinaliza que permanecerá na disputa e, diante do pedido para que renuncie, devolve a pressão diretamente para José Medeiros.
Com informações do Folha Max.
POLÍTICA MT
Emanuel desafia Abilio, minimiza força eleitoral do prefeito e ameaça voltar à disputa em 2028
Ex-prefeito de Cuiabá compara votação de Samantha Iris com resultado de Alessandra Ferreira em Rondonópolis e provoca adversário sobre possível revanche nas urnas
O ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PSD) voltou a confrontar publicamente o atual prefeito, Abilio Brunini (PL), após o resultado das eleições em Mato Grosso. Em vídeo publicado nas redes sociais, Emanuel questionou a influência eleitoral do adversário, analisou a votação da primeira-dama Samantha Iris (PL) e deixou aberta a possibilidade de disputar novamente a Prefeitura da Capital em 2028.
A manifestação ocorreu depois que Abilio comemorou a eleição da esposa para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e afirmou que o resultado representava o enfraquecimento de famílias tradicionais da política estadual, citando nomes como Riva, Campos, Fávaro, Botelho e Pinheiro.
Emanuel reagiu às declarações e contestou a avaliação do prefeito sobre a própria força política.
“Pronto, agora ele virou o Deus das urnas. Acorda filho, essas eleições mostraram que você não está lá essas coisas não, viu? Por exemplo, mesmo com toda onda favorável, milhões de seguidores nas redes sociais, você, prefeito de Cuiabá, sua candidata, primeira-dama e já vereadora, teve uma votação muito aquém aqui em Cuiabá, viu?”, afirmou.
Samantha Iris foi eleita deputada estadual com aproximadamente 57,9 mil votos, alcançando a quarta maior votação na disputa. Entretanto, Emanuel destacou que, somente em Cuiabá, a parlamentar recebeu 33.774 votos, equivalentes a 9,73% na comparação apresentada pelo ex-prefeito.
Ele também mencionou o desempenho do deputado estadual reeleito Lúdio Cabral (PT), que recebeu 43.586 votos na Capital, correspondentes a 12,56% na mesma comparação.
Para reforçar a crítica, Emanuel utilizou como exemplo a eleição de Alessandra Ferreira (Podemos), primeira-dama de Rondonópolis e esposa do prefeito Cláudio Ferreira (PL), aliado político de Abilio.
Alessandra conquistou 40.801 votos em Rondonópolis, percentual de 32,01% do eleitorado local, conforme os números apresentados pelo ex-prefeito.
“Aqui em Cuiabá, a primeira-dama, sua candidata que é vereadora não chegou nem a 10% dos votos da população cuiabana. E detalhe, a população de Rondonópolis é um terço da população de Cuiabá. E você, dizendo que a votação da sua candidata seria um teste da sua gestão. Então tá aí, toma o teste que você queria”, declarou.
A comparação foi utilizada por Emanuel para contestar a associação feita por Abilio entre a votação de Samantha e a aprovação de sua administração municipal.
Em entrevista após a eleição da esposa, Abilio havia afirmado que o desempenho eleitoral também poderia refletir o apoio recebido por sua gestão.
“Isso também representa a nossa aprovação, ou seja, uma boa parcela da população que apoia o prefeito, que gosta do trabalho que eu estou executando, poderá apoiar a Samanta afirmando essa aprovação”, disse o prefeito.
Possível revanche em 2028
O confronto entre os dois políticos ganhou um novo capítulo quando Emanuel relembrou a eleição municipal de 2020, na qual derrotou Abilio Brunini por uma diferença aproximada de seis mil votos.
Ao comentar o histórico da disputa, o ex-prefeito provocou o adversário e sugeriu que poderá voltar às urnas nas eleições municipais de 2028.
“Quando nos enfrentamos, eu venci você. Ficou tão desnorteado com a taca que levou, que até hoje fica remoendo. Deve ser por isso que não tira o meu nome da boca”, disparou.
Na sequência, Emanuel pediu cautela aos aliados do atual prefeito e deixou uma possível candidatura em aberto.
“Fica o recado pra você e os emocionados de plantão: dá uma segurada, fiquem calmos, daqui a praticamente um ano e meio, teremos eleições novamente. E vai que, dessa vez eu decido participar”, afirmou.
Apesar da provocação, Emanuel não confirmou que será candidato. A declaração, porém, reacende a rivalidade com Abilio, que poderá buscar a reeleição em 2028, abrindo espaço para um novo confronto entre os dois pelo comando do Palácio Alencastro.
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