QUESTIONAMENTO NAS REDES
Internauta questiona se Medeiros tentou obter informação privilegiada ao procurar ministro do STF sobre suposta operação – veja o post
Publicação levanta dúvidas sobre eventual acesso antecipado a informações sigilosas; candidato confirmou que procurou Gilmar Mendes após ouvir rumores de que poderia ser alvo de uma operação, mas não há evidência pública de que o ministro tenha revelado dados protegidos
A revelação do deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) de que procurou pessoalmente o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois de tomar conhecimento de rumores sobre uma possível operação contra ele passou a provocar questionamentos também nas redes sociais.
Em mensagem encaminhada à reportagem, um internauta questiona se a iniciativa do parlamentar poderia representar uma tentativa de obter antecipadamente informações sobre eventual investigação ou operação.
“E isso não é tentar obter informações privilegiadas e ilegais acerca de eventual investigação ou operação?”, questiona o internauta na mensagem.
A indagação surgiu depois de o próprio Medeiros confirmar publicamente que procurou Gilmar Mendes. Segundo o candidato, ele recebeu informações de que poderia ser alvo de uma operação e decidiu buscar pessoalmente o ministro em Brasília para esclarecer a situação. O encontro foi confirmado pelo parlamentar à imprensa.
O ponto levantado pelo internauta é justamente sobre qual informação Medeiros pretendia obter ao procurar um integrante da mais alta Corte do país para tratar de uma eventual operação que, caso existisse e estivesse sob sigilo, não seria de conhecimento público.
O questionamento, contudo, não permite concluir que Medeiros tenha cometido crime. Também não há, nas informações públicas consultadas pela reportagem, demonstração de que Gilmar Mendes tenha repassado ao deputado informação sigilosa ou privilegiada.
Segundo reportagem do Isso É Notícia, fontes ligadas ao ministro confirmaram a tentativa de audiência, mas sustentaram que não houve vazamento nem fornecimento de informação privilegiada ao parlamentar.
MEDEIROS DIZ QUE QUERIA ESCLARECIMENTOS
Medeiros apresenta outra versão para o episódio. O parlamentar afirma que não procurou o ministro para pedir favor ou assumir compromisso, mas para esclarecer pessoalmente o rumor de que haveria uma operação envolvendo seu nome.
O candidato também afirmou posteriormente ter recebido a informação de que não existiria investigação em andamento envolvendo seu nome. Até agora, porém, Medeiros não apresentou publicamente documentos que comprovem a alegada articulação para realização de uma operação contra ele.
O episódio ganhou dimensão após o vazamento de conversas atribuídas a Medeiros com Chico Mendes, prefeito de Diamantino e irmão de Gilmar Mendes. Em uma delas, divulgada pelo Metrópoles, Medeiros afirma que evita atacar o STF e relata ter determinado à sua equipe de marketing que retirasse referências à Corte de seus conteúdos.
O que permanece no centro do questionamento feito pelo internauta é a razão pela qual um parlamentar, diante do rumor de uma eventual operação contra si, buscou diretamente um ministro do STF para saber o que estava acontecendo.
A discussão precisa, entretanto, separar questionamento político de imputação criminal: até o momento, as informações públicas encontradas não demonstram que Medeiros tenha obtido ilegalmente informação sigilosa, nem que Gilmar Mendes tenha violado sigilo funcional ou praticado obstrução de Justiça.
O caso também já produziu desdobramento eleitoral. Nesta quinta-feira (24), uma coligação adversária acionou o TRE-MT contra Medeiros por publicação na qual o candidato afirmou que estaria sendo articulada uma operação policial para prejudicá-lo. A representação ainda será analisada e, por si só, não comprova a acusação formulada contra o candidato.
A manifestação do internauta acrescenta, portanto, um novo questionamento ao episódio: não afirma a existência de crime comprovado, mas cobra esclarecimentos sobre o objetivo e o conteúdo da conversa mantida entre Medeiros e o ministro do Supremo após o candidato tomar conhecimento da suposta operação.
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POLÍTICA MT
Movimentação financeira da campanha de Fávaro acende alerta e fontes dizem que Justiça Eleitoral acompanha gastos na reta final
Prestação de contas mostra R$ 1,55 milhão em despesas contratadas diante de R$ 578,7 mil em receitas declaradas até meados de setembro; fontes ouvidas sob reserva falam em forte circulação de recursos, mas não apresentam, até o momento, prova pública de irregularidade
A reta final da campanha do senador Carlos Fávaro (PSD) à reeleição entrou em uma fase de atenção redobrada sobre a movimentação financeira e os gastos eleitorais. Fontes ouvidas pelo Folha de Mato Grosso, sob condição de anonimato, afirmam que o volume de dinheiro circulando na campanha e em ações políticas ligadas à disputa estaria chamando atenção e sendo acompanhado de perto.
O Folha de Mato Grosso não obteve, até a publicação desta reportagem, documento do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) que confirme a abertura de investigação específica contra Fávaro por suposto “derrame de dinheiro”. Por isso, a informação atribuída às fontes não deve ser confundida com uma constatação de irregularidade pela Justiça Eleitoral.
Há, entretanto, números públicos que colocam as finanças das campanhas ao Senado no radar. Levantamento publicado em 14 de setembro apontou que Fávaro havia declarado R$ 578,7 mil em receitas e R$ 1,55 milhão em despesas contratadas, diferença próxima de R$ 971 mil. O mesmo levantamento mostrou que outros candidatos ao Senado também apresentavam despesas contratadas superiores às receitas recebidas. Essa diferença, isoladamente, não caracteriza caixa dois nem irregularidade eleitoral, já que despesas podem ser contratadas antes do efetivo ingresso ou pagamento dos recursos.
O cenário ganha repercussão porque a campanha de Fávaro já foi objeto de decisões recentes da Justiça Eleitoral. Em setembro, o TRE-MT determinou a suspensão de peças de propaganda do candidato devido à forma de identificação dos suplentes.
Mais recentemente, em decisão divulgada no dia 22, a Justiça Eleitoral determinou que Fávaro e um aliado interrompessem o impulsionamento pago de um vídeo contra Janaína Riva, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. A decisão tratou de propaganda negativa impulsionada, e não de suposta irregularidade na arrecadação financeira da campanha.
Nos bastidores, porém, fontes procuradas pelo Folha de Mato Grosso afirmam que o sinal de alerta aumentou nesta reta final. Segundo esses relatos, haveria intensa movimentação financeira e política nos últimos dias da campanha, circunstância que, na avaliação dessas fontes, deverá colocar prestações de contas, fornecedores, pagamentos e origem dos recursos sob maior escrutínio.
É importante ressaltar que a expressão “derrame de dinheiro” reproduz a caracterização feita pelas fontes e não uma conclusão do TRE-MT. Até que existam documentos, decisões ou investigações formalmente divulgadas, não é possível afirmar que os recursos tenham origem irregular ou que tenha ocorrido qualquer crime eleitoral.
A prestação de contas será o instrumento objetivo para confrontar receitas, despesas, fornecedores e pagamentos declarados à Justiça Eleitoral. É nessa documentação e não apenas nas informações de bastidores que poderá ser verificado se existe alguma incompatibilidade que demande providências dos órgãos de fiscalização.
O espaço permanece aberto para manifestação da campanha de Carlos Fávaro sobre os relatos apresentados pelas fontes e sobre a movimentação financeira registrada nesta reta final da eleição.
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