O FANTASMA DE 2018
PEDRO TAQUES E O COMPLEXO DA DERROTA: O CANDIDATO A SENADOR QUE PREFERE SER DETETIVE A APRESENTAR UM PROJETO PARA MATO GROSSO
Oito anos depois de perder a reeleição no primeiro turno, ex-governador volta a confrontar Mauro Mendes; sua candidatura ao Senado reacende questionamentos sobre o legado administrativo de seu governo e a incapacidade de transformar o embate político em propostas para o futuro do Estado
Por Palmiro Pimenta | Folha de Mato Grosso
Pedro Taques já foi procurador da República, senador e governador de Mato Grosso. Agora, candidato novamente ao Senado, parece ter escolhido o papel de investigador de seu antigo adversário eleitoral.
O problema é que uma eleição para o Senado não é um concurso para delegado da Polícia Federal.
E muito menos uma oportunidade para reescrever o resultado das urnas de 2018.
Naquele ano, Taques ocupava o cargo de governador de Mato Grosso. Tinha a estrutura administrativa do Estado, visibilidade institucional e a oportunidade de apresentar ao eleitorado os resultados de quatro anos de gestão.
Mesmo assim, terminou derrotado ainda no primeiro turno.
Não foi Mauro Mendes quem impediu Pedro Taques de conquistar a reeleição. Foram os eleitores de Mato Grosso que decidiram não lhe conceder mais quatro anos de mandato.
Essa é uma realidade política que nenhuma denúncia contra adversários poderá modificar.
O COMPLEXO DA DERROTA
O que chamo de complexo da derrota é a insistência em transformar um revés eleitoral em um confronto permanente com o adversário que saiu vitorioso.
Pedro Taques teve a oportunidade de governar Mato Grosso.
Não foi impedido de exercer o mandato. Não foi afastado do Palácio Paiaguás antes de concluir sua gestão. Não deixou de disputar a reeleição.
Governou durante quatro anos e submeteu seu trabalho ao julgamento popular.
O resultado foi uma derrota no primeiro turno, apesar de ocupar a cadeira de governador.
A derrota de Taques não pode ser atribuída exclusivamente a Mauro Mendes sem ignorar o próprio governo que o eleitorado estava avaliando.
A disputa eleitoral de 2018 não começou no dia da votação. Foi construída ao longo dos quatro anos anteriores, com decisões administrativas, escolhas políticas, crises e dificuldades que marcaram aquela gestão.
É nesse histórico que devem ser procuradas as explicações para o resultado.
O GOVERNADOR QUE PRECISA RESPONDER PELO PRÓPRIO LEGADO
Pedro Taques chegou ao Palácio Paiaguás com a reputação de procurador da República e a promessa de aplicar sua experiência jurídica à administração pública.
Mas governar não é conduzir uma investigação.
Governar exige capacidade de gestão, articulação política, planejamento financeiro, execução orçamentária e sensibilidade diante das necessidades da população.
Seu mandato terminou marcado por dificuldades fiscais, atrasos de pagamentos e questionamentos sobre a condução administrativa do Estado e corrupção com secretarios presos.
O contraste entre a expectativa criada em torno de sua eleição e o resultado de sua tentativa de reeleição merece permanecer no centro de qualquer análise sobre sua trajetória.
Quem pretende voltar ao Senado tem o direito de questionar o governo dos outros, mas também precisa responder pelas decisões tomadas quando teve a responsabilidade de administrar Mato Grosso.
É muito mais simples apontar os erros de um adversário do que explicar os resultados do próprio mandato.
É muito mais confortável exercer o papel de acusador do que submeter novamente à avaliação pública a própria experiência administrativa.
E é muito mais fácil fazer uma campanha de denúncias do que apresentar um projeto consistente para os próximos oito anos.
MAURO MENDES NÃO TINHA OBRIGAÇÃO DE SUSTENTAR O PROJETO POLÍTICO DE TAQUES
Existe outro aspecto importante nessa história.
Nenhum político possui direito adquirido à fidelidade eterna de seus antigos aliados.
A política é construída por convergências, divergências, projetos e escolhas.
Mauro Mendes não tinha obrigação de sustentar indefinidamente o projeto político de Pedro Taques.
Tampouco estava impedido de disputar o governo de Mato Grosso em 2018.
A derrota de Taques não transforma a candidatura de Mauro Mendes em uma dívida política ou moral.
O eleitorado teve alternativas e fez sua escolha.
Transferir a responsabilidade pelo resultado exclusivamente ao adversário seria desconsiderar a avaliação feita pela população sobre o governo que estava terminando.
DE GOVERNADOR A DETETIVE ELEITORAL
O que chama atenção na atual disputa é o espaço ocupado pelo confronto com Mauro Mendes na atuação política de Taques.
O ex-governador possui experiência suficiente para discutir legislação, orçamento federal, segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Também conhece as dificuldades dos municípios mato-grossenses e as responsabilidades de quem ocupa o Executivo.
Poderia utilizar esse conhecimento para apresentar uma agenda legislativa detalhada.
Em vez disso, o enfrentamento com o antigo adversário ocupa lugar de destaque em sua campanha.
Denúncias fundamentadas devem ser apuradas, independentemente de quem esteja envolvido. Mas não substituem propostas de mandato.
O Senado não é uma delegacia. A campanha eleitoral não é um inquérito policial. E o eleitor mato-grossense não está obrigado a transformar uma disputa entre antigos adversários em sua principal preocupação política.
A DERROTA QUE NÃO PODE SER APAGADA
Pedro Taques pode questionar Mauro Mendes quantas vezes considerar necessário.
Pode apresentar denúncias, solicitar investigações e cobrar explicações.
Esses são direitos legítimos de qualquer cidadão.
Mas nenhuma dessas iniciativas altera o fato de que ele próprio teve a oportunidade de governar Mato Grosso e foi derrotado quando pediu ao eleitorado a renovação de seu mandato.
A eleição de 2018 pertence à história política do Estado.
Não existe investigação capaz de mudar aquele resultado.
A questão para 2026 é se Pedro Taques conseguirá apresentar uma candidatura que vá além do confronto com o homem que o derrotou oito anos antes.
Porque, enquanto a campanha permanecer concentrada nesse embate, continuará aberta uma pergunta que o eleitor tem todo o direito de fazer:
Afinal, Pedro Taques pretende voltar ao Senado para representar Mato Grosso ou para continuar disputando politicamente uma eleição que terminou em 2018?
O Estado precisa de representantes com propostas para o futuro. O passado eleitoral de Pedro Taques, por mais presente que esteja em seus confrontos políticos, não pode ocupar sozinho o lugar de um projeto para Mato Grosso.
Palmiro Pimenta
CEO do Folha de Mato Grosso
POLÍTICA MT
Bombeiros combatem 10 incêndios florestais simultaneamente em Mato Grosso
Ocorrências são registradas em nove municípios; Novo Santo Antônio concentra dois focos e equipes contam com apoio aéreo e de outros órgãos
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) atua, nesta quarta-feira (23), no combate a 10 incêndios florestais simultâneos em nove municípios do Estado. As ocorrências estão concentradas em Peixoto de Azevedo, Marcelândia, São Félix do Araguaia, Brasnorte, Paranatinga, Novo Santo Antônio, General Carneiro, Juruena e Poconé. Em Novo Santo Antônio, há dois incêndios em atendimento, enquanto os demais municípios registram uma ocorrência cada.
Segundo o CBMMT, as equipes trabalham para conter o avanço das chamas, realizar a extinção dos incêndios, monitorar as áreas atingidas e proteger vidas, propriedades rurais e o meio ambiente. As operações recebem, conforme a necessidade, reforço do Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM), da Defesa Civil Estadual, do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e da Polícia Militar.
O Corpo de Bombeiros também mantém o monitoramento do uso irregular do fogo por meio da Operação Infravermelho, coordenada a partir da Sala de Situação Central, instalada no Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), em Cuiabá. Com imagens de satélite e outras tecnologias, a operação busca identificar antecipadamente áreas com risco de incêndio ou locais onde o fogo tenha sido iniciado de maneira irregular.
Focos de calor
Na última checagem apresentada pelo CBMMT, realizada às 17h desta quarta-feira, Mato Grosso contabilizava 120 focos de calor nas 24 horas anteriores, conforme dados do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Do total, 118 estavam na Amazônia e dois no Cerrado.
Um dos focos foi identificado na Terra Indígena Aripuanã, em Aripuanã. O Corpo de Bombeiros ressalta, porém, que um foco de calor isolado não significa necessariamente a existência de um incêndio florestal, já que a detecção é feita por satélites a partir de áreas com temperatura elevada.
O Estado também apresenta, no acumulado de 2026, uma redução no número de focos de calor em relação à média histórica. Entre 1º de janeiro e 20 de setembro, foram registrados 8.604 focos, número 60% inferior à média dos últimos dez anos para o mesmo período, segundo dados do Inpe.
Proibição do uso do fogo
O CBMMT reforça que o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais está proibido nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal entre 1º de julho e 30 de novembro de 2026. Nas áreas urbanas, a proibição vale durante todo o ano.
O uso irregular do fogo pode configurar crime ambiental e está sujeito às penalidades previstas em lei. Denúncias podem ser feitas pelos números 193, do Corpo de Bombeiros, ou 190, da Polícia Militar.
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