DEPUTADO AMEAÇA BATER EM MULHER
Áudio atribuído a Chico Guarnieri registra ameaças e série de xingamentos contra empresária – veja o video
Em telefonema divulgado nas redes, deputado estadual e candidato à reeleição confirma estar ameaçando a mulher, anuncia que irá até a empresa dela e dispara ofensas
Um telefonema atribuído ao deputado estadual Chico Guarnieri (PSDB), candidato à reeleição em Mato Grosso, ganhou repercussão após a divulgação de uma gravação em que o parlamentar aparece em uma discussão com uma empresária. No diálogo reproduzido pelo FolhaMax, Guarnieri confirma que está fazendo uma ameaça e profere uma sequência de ofensas contra a mulher.
A reportagem original trata o material como um “suposto áudio atribuído” ao parlamentar. Por isso, embora o conteúdo reproduzido nas imagens seja contundente, a atribuição da gravação deve ser apresentada com essa ressalva enquanto não houver confirmação independente de sua autenticidade.
Segundo o conteúdo publicado, a discussão teria começado depois de Guarnieri acusar a empresária de falar mal dele para funcionários. Durante a ligação, ele manda a mulher tomar cuidado com o que diz e, quando ela pergunta se aquilo seria uma ameaça, responde afirmativamente.
“Estou ameaçando”, diz o interlocutor identificado na publicação como Chico Guarnieri, antes de continuar com xingamentos contra a empresária.
Na sequência, o homem afirma que pretende ir até a empresa da mulher para, segundo ele, provar suas acusações. A empresária reage e o desafia a comparecer ao estabelecimento, perguntando quando e em qual horário ele iria ao local.
O telefonema, conforme a transcrição publicada, então sobe de tom. A mulher afirma que estaria gravando a conversa e relata que as ligações teriam ocorrido a partir de números diferentes. O parlamentar, por sua vez, insiste que pretende encontrá-la pessoalmente.
A gravação reproduz uma sucessão de termos ofensivos dirigidos à empresária, entre eles “vagabunda”, “pilantra”, “safada”, “ladrona” e “mentirosa”. Em outro trecho, o interlocutor afirma que a mulher seria “um lixo” para ele.
A empresária questiona o motivo da ligação e reage às agressões verbais, cobrando que o deputado apresentasse provas sobre aquilo que dizia a seu respeito. Ela também pergunta se ele não teria vergonha de atacar e ameaçar uma mulher.
O nome completo de Guarnieri também aparece no diálogo reproduzido pela reportagem. Em determinado momento, o interlocutor se identifica como Francisco Guarnieri de Lima.
Documentos oficiais da Assembleia Legislativa confirmam que Francisco Guarnieri de Lima, o Chico Guarnieri, integra atualmente o Parlamento estadual. A composição oficial publicada pela ALMT em 2026 registra seu nome entre os deputados do bloco Parlamentares Unidos.
Guarnieri assumiu definitivamente o mandato a partir de janeiro de 2025, após a renúncia de Cláudio Ferreira de Souza ao cargo de deputado estadual. A convocação consta de ato oficial da Assembleia Legislativa.
As imagens encaminhadas não apresentam, porém, uma frase explícita em que Guarnieri diga literalmente que irá “bater” ou agredir fisicamente a empresária. O material mostra ameaça verbal, anúncio de que iria ao estabelecimento e diversos xingamentos. Por precisão jornalística, portanto, o chapéu “DEPUTADO AMEAÇA BATER EM MULHER” exige uma fonte adicional que registre especificamente a ameaça de agressão física; com as imagens disponíveis, a formulação factual mais segura seria “DEPUTADO AMEAÇA MULHER”.
O episódio ocorre em período eleitoral. Dados públicos consultados nesta terça-feira (16) apontam Chico Guarnieri como candidato a deputado estadual pelo PSDB nas eleições de 2026.
O espaço permanece aberto para manifestação do deputado Chico Guarnieri e de sua defesa sobre o conteúdo, o contexto e a autenticidade da gravação.
Veja o video
POLÍTICA MT
Feminicídio provoca novo confronto entre Buzetti e Galvan durante debate ao Senado
Candidatos divergiram sobre a diferenciação entre homicídio e feminicídio e sobre os efeitos do endurecimento das penas para crimes contra mulheres
A discussão sobre o feminicídio voltou a colocar os candidatos ao Senado Margareth Buzetti (PP) e Antônio Galvan (Avante) em lados opostos durante o debate entre os concorrentes à vaga por Mato Grosso. O confronto teve como principal ponto de divergência a legislação que transformou o feminicídio em crime autônomo e aumentou as penas para assassinatos de mulheres em determinadas circunstâncias.
Galvan questionou a diferenciação entre feminicídio e homicídio e defendeu que crimes contra homens e mulheres tenham a mesma punição. O candidato também colocou em dúvida a efetividade do chamado Pacote Antifeminicídio, sancionado em 2024, que elevou o feminicídio à condição de crime autônomo e estabeleceu pena de 20 a 40 anos de prisão.
Buzetti, que foi autora do projeto que deu origem à legislação, rebateu o posicionamento do adversário e afirmou que a diferença entre os crimes está relacionada às circunstâncias e à motivação da violência, e não somente ao sexo da vítima. A candidata também criticou Galvan por questionar a existência de uma classificação específica para crimes cometidos contra mulheres em contexto de violência de gênero.
Durante a discussão, Buzetti citou o assassinato de Emily Bispo, ocorrido em 2023, em Cuiabá, para defender a necessidade de punições mais rigorosas. Segundo a candidata, a pena aplicada ao responsável pelo crime foi de 18 anos e 9 meses. Ela também mencionou outro caso ocorrido em Minas Gerais, no qual uma condenação chegou a 42 anos, relacionando os episódios às mudanças promovidas pela nova legislação.
Galvan, por sua vez, manteve o argumento de que a legislação não deveria estabelecer punições diferentes com base no sexo da vítima. Durante o debate, citou ainda um caso de uma mulher que teria esfaqueado o marido em Rondonópolis após suspeitar de uma traição, utilizando o episódio para questionar a diferenciação prevista na legislação.
A discussão expôs uma diferença de posicionamento entre os dois candidatos sobre a forma de tratar juridicamente os assassinatos de mulheres. Enquanto Buzetti defende a manutenção do feminicídio como crime autônomo e o endurecimento das punições, Galvan sustenta que homicídios devem receber tratamento penal equivalente independentemente do sexo da vítima.
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