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Trilha Transmantiqueira: a jornada de 1.200 km pela ‘montanha que chora’

Na língua Tupi-Guarani, a expressão mohn-thy-kyiri trazia uma poética tradução da paisagem encontrada na trilha: “montanha que chora” ou “mãe das águas”. Aportuguesada ao longo dos séculos como Mantiqueira, a denominação batiza a cadeia montanhosa que dá vida e desenha a Trilha Transmantiqueira (TMTQ), uma rota que ultrapassa os 1.200 quilômetros de extensão e conecta três estados brasileiros.

Gravado no contorno de uma pegada de bota, o desenho estilizado de uma araucária e sua pinha anuncia ao viajante que ele está pisando no chão da trilha. Exclusiva para caminhadas, a rota cruza mais de 40 municípios entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, revelando um dos patrimônios naturais e culturais mais exuberantes do país.

Integrada à Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, a Transmantiqueira foi desenhada para conectar o homem à natureza de forma sustentável. A trilha atua como um imenso corredor ecológico e uma ferramenta de desenvolvimento socioeconômico, gerando emprego, renda e fortalecendo o turismo de base comunitária nas populações rurais e tradicionais da serra.

O traçado

O ponto de partida oficial fica na cidade de São Paulo, no antigo Horto Florestal, atual Parque Estadual Alberto Löfgren, a primeira área protegida implantada no Estado de São Paulo. A escolha do ponto inicial é estratégica e permite que milhões de moradores iniciem sua caminhada praticamente “na porta de casa”, além de facilitar o acesso de trilheiros internacionais pela proximidade com o Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Saindo do Horto, o trajeto cruza o Parque Estadual da Cantareira, passa pelo Monumento Natural da Pedra Grande e contorna as margens da Represa do Jaguari, o maior reservatório do Sistema Cantareira. Dali, o caminho atinge o pé da Serra do Lopo, onde a Mantiqueira revela toda a sua imponência.

A trilha segue em direção leste e nordeste, passando por serras e vales até atingir o município de Aiuruoca (MG), no Parque Estadual da Serra do Papagaio. Neste ponto, a rota se divide em dois grandes ramais:

  • Ramal Oeste: segue em direção ao Parque Estadual do Ibitipoca, no município de Santa Rita de Ibitipoca (MG), encerrando sua caminhada na Janela do Céu.

  • Ramal Norte: avança pela Chapada das Perdizes e pelas cachoeiras de Carrancas até alcançar a Serra da Estância, no município de Itumirim (MG).

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O ponto alto dessa travessia é a Pedra da Mina que, com seus 2.798 metros de altitude, se destaca como uma das montanhas mais altas do Brasil.

Para facilitar o planejamento dos caminhantes, os mais de 1.100 quilômetros do percurso principal estão estruturados em 7 regiões, que se subdividem em 21 setores adaptados para diferentes perfis e tempos de viagem:

  1. Cantareira: abrange os setores Serra da Cantareira e Pedra Grande, marcando a transição da região metropolitana para as primeiras elevações.

  2. Serras Verdes: compreende os setores Serra do Lopo, Joanópolis x São Francisco Xavier, Serra dos Poncianos e Pedra do Campestre.

  3. Campos do Jordão: reúne os setores de São Bento do Sapucaí, Campos do Jordão e o Parque Estadual Campos do Jordão.

  4. Altos da Mantiqueira: abriga os trechos mais técnicos e com mais altitude, como a Travessia do Carrasco, a Travessia Marins x Itaguaré e a Travessia da Serra Fina.

  5. Agulhas Negras: inclui a Pedra do Picu, o Parque Nacional do Itatiaia e o distrito de Visconde de Mauá.

  6. Papagaio x Ibitipoca: contempla o Parque Estadual da Serra do Papagaio, o Pico do Muquém e as Serras de Ibitipoca.

  7. Inconfidentes: engloba o trecho de Aiuruoca a Minduri, a Travessia da Chapada das Perdizes e a Travessia Z (ligando Carrancas a Itumirim).

Essa estrutura garante que o visitante possa escolher desde passeios curtos de um dia, até grandes expedições de semanas pernoitando em acampamentos, abrigos de montanha ou pousadas rurais.

Experiência do Viajante

Ao passar por comunidades rurais e vilarejos do interior, a Transmantiqueira impulsiona o turismo de base comunitária. A presença constante de caminhantes estimula a economia local através da oferta de hospedagem caseira, alimentação com a autêntica gastronomia da roça, guiamento e transporte, criando alternativas sustentáveis de renda.

Durante a caminhada, é possível desfrutar de:

  • Picos e Mirantes: contemplação de horizontes acima das nuvens nos pontos mais altos do sudeste brasileiro.

  • Cachoeiras e Banhos: poços cristalinos e quedas d’água para renovar as energias.

  • Observação de Fauna e Flora: oportunidade de observação de aves (birdwatching) e espécies raras de plantas e animais nativos.

  • Cultura e História: visita a grutas, museus locais, sítios históricos e contato direto com as tradições caipiras e mineiras.

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Como chegar

Por ser uma rota modular, o caminhante pode optar por começar pelo ponto zero ou acessar trechos específicos:

  • Ponto de Partida Oficial (São Paulo/SP): O marco inicial fica no Parque Estadual Alberto Löfgren (antigo Horto Florestal), na Zona Norte de São Paulo. Moradores da Grande São Paulo têm fácil acesso por transporte público, táxi ou veículo próprio.

    Para quem chega de outros estados ou do exterior, o desembarque mais estratégico é pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), devido à proximidade com a zona norte paulistana.

  • Acesso aos Trechos Intermediários: A rota é cortada por importantes rodovias que dão acesso direto aos seus diversos setores:

    – Via Rodovia Fernão Dias (BR-381): Conecta aos setores das Serras Verdes de Minas Gerais (como Extrema, Camanducaia e Monte Verde).

    – Via Rodovia Presidente Dutra (BR-116): Dá acesso fácil aos trechos de São Bento do Sapucaí, Campos do Jordão, Serra Fina, Parque Nacional do Itatiaia e Visconde de Mauá.

  • Ramais de Chegada (Minas Gerais): Quem planeja fazer as seções finais encontra pontos de apoio consolidados. O Ramal Oeste encerra-se no Parque Estadual do Ibitipoca (acesso por Santa Rita de Ibitipoca e Juiz de Fora), enquanto o Ramal Norte termina em Itumirim, com fácil acesso pela região de Carrancas e Lavras.

Trilhas de Longo Curso

Atualmente, o Brasil conta com 246 trilhas, que passam por 327 Unidades de Conservação (UC). Juntas, as trilhas possuem mais de 25.000 km planejados, com cada trilha identificada por uma logomarca em formato de pegada, nas cores preta e amarela, que pode ser personalizada com sua logomarca inserindo, dentro do formato de pegada, um desenho próprio que a represente.

As atividades mais praticadas em uma trilha de longo curso são as caminhadas, mas não se limitando a essa prática. O visitante pode encontrar diversas outras atividades, como cicloturismo, canoagem, montanhismo, observação de aves, corridas, campismo, observação de fauna, flora ou formações geológicas, dentre outras.

Por Victor Mayrink
Assessoria de Comunicação Social do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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Clínica veterinária da Unir oferece atendimentos gratuitos

Desde o início do ano, a população de Rolim de Moura, em Rondônia (RO), passou a contar com um novo serviço de clínica veterinária, oferecido pela Universidade Federal de Rondônia (Unir). A unidade é voltada ao ensino prático dos estudantes e realiza atendimentos a animais dos mais variados portes, de cães e gatos a vacas e cavalos. O trabalho da clínica é dividido em três vertentes: formar profissionais capacitados e preparados para o mercado; fazer o controle populacional de animais e reduzir as zoonoses; e promover campanhas de conscientização da população para a posse responsável.

Encarregada do funcionamento da clínica, a professora Mayra Araguaia explicou como o espaço mudou a realidade do ensino e das atividades para estudantes e professores. Segundo ela, “a inauguração da unidade representou uma mudança para as atividades do campus, principalmente porque permitiu que todas as obrigações dos estudantes ficassem concentradas em um único lugar. Antes, eles precisavam se deslocar com os professores para clínicas parceiras para conseguir fazer exames, cirurgias e demais procedimentos. Agora, eles conseguem fazer tudo na faculdade, o que facilita a organização do trabalho e melhora o aprendizado”.

Para a aluna do 7° período de medicina veterinária, Giovana Holanda, a clínica permite colocar em prática os conhecimentos teóricos que recebe em sala de aula. “Nós temos uma rotina de atendimentos que nos permite realizar, em média, cerca de 25 atendimentos ambulatoriais e aproximadamente dez procedimentos cirúrgicos por semana, de animais domésticos e silvestres. A clínica possibilita que a gente aprenda sobre toda a rotina de um atendimento, desde o exame pré-operatório e a preparação do paciente até a anestesia, os cuidados de antissepsia e o pós-operatório”, completou. 

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Atendimento a ave silvestre na clínica veterinária da Unir. Foto: Divulgação/Unir
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Ela também ressaltou a importância da clínica no crescimento dos estudantes como pesquisadores. Como exemplo, ela destacou a iniciativa que utiliza a pele do peixe tambaqui no tratamento de feridas em cães e gatos. Esse tratamento é uma alternativa utilizada em feridas de difícil cicatrização e feridas extensas, principalmente aquelas em que não é possível fazer uma cirurgia reconstrutiva, já que a pele apresenta grande quantidade de colágeno e de fibras espessas. Por ser uma espécie nativa, o uso do tambaqui também é uma iniciativa sustentável, já que a pele é um subproduto pouco utilizado da indústria do pescado.

Serviços oferecidos – Neste primeiro momento, a clínica está funcionando com uma capacidade reduzida, mas já oferece serviços gratuitos nas seguintes áreas: clínicas médicas de cães e gatos, de animais silvestres e de grandes animais ou de produção; laboratórios de patologia clínica, de biologia molecular e parasitologia e de reprodução animal; bromatologia; atendimento domiciliar; internação; e cirurgia. Está prevista a ampliação da estrutura da unidade até o início do próximo ano.

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Além dos serviços descritos, os profissionais da clínica realizam diversos projetos de extensão no local, como a castração de animais com tutores de baixa renda; o atendimento a animais lotados no centro de zoonoses, no qual são feitos os serviços de check-up geral, exames médicos, castração e microchipagem, com a finalidade de deixar o animal pronto para ser adotado; e a parceria com os bombeiros, que oferece atendimento 24 horas para resgate de animais silvestres que sofreram algum tipo de acidente.

Clínicas Veterinárias – Assim como a Unir, diversas outras universidades federais de todo o país oferecem serviços de clínica veterinária. Na maioria dos casos, o serviço é 100% gratuito, mas, em outros, os tutores precisam arcar com alguns custos, como exames de sangue e remédios. Para ter mais informações sobre as formas de atendimento e os serviços prestados é preciso entrar em contato com as universidades.

Universidades Federais – Para enviar as iniciativas e atividades desenvolvidas em sua instituição, basta responder ao formulário da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC. Nele, as universidades devem incluir um texto explicativo sobre o projeto e sua relevância para o atendimento público, bem como fotos e vídeos que ajudem a ilustrar as atividades.

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Superior (Sesu)

Fonte: Ministério da Educação

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