NACIONAL
MEC participa da 66ª Reunião de Ministros de Educação
O Ministério da Educação (MEC) participou nesta quarta-feira, 11 de junho, em Buenos Aires, na Argentina, da 66ª Reunião Ordinária de Ministros da Educação do Setor Educativo do Mercosul (SEM). As autoridades discutiram as ações realizadas e os resultados atingidos ao longo da Presidência Pro Tempore da Argentina e o MEC abordou as perspectivas para o turno brasileiro, que ocorrerá no segundo semestre.
Representando o ministro da Educação, Camilo Santana, o secretário-executivo, Leonardo Barchini destacou, em participação de forma virtual, a integração regional e o compromisso com uma educação inclusiva e transformadora. “Renovo nossa crença na educação integrada como pilar essencial para formar cidadãos críticos, solidários e preparados para os desafios de um mundo cada vez mais interconectado. Renovo também a visão de que a educação segue fundamental para o sucesso da integração socioeconômica em favor do desenvolvimento de nossas sociedades. Seguimos unidos na construção de uma educação mais justa, inclusiva e transformadora para todas e todos”, afirmou.
Ele detalhou as prioridades para a gestão brasileira, entre elas a realização do Parlamento Juvenil do Mercosul (PJM) e a reestruturação da Comissão de Área de Educação Básica. De acordo com ele, é motivo de orgulho para o Brasil sediar, pela primeira vez, o PJM, uma vez que o programa fortalece o protagonismo juvenil e aproxima as novas gerações da construção de políticas públicas educacionais mais inclusivas e participativas.
“Queremos ver o Setor Educacional cada vez mais eficiente e dinâmico, de modo que siga relevante para a integração entre nossos países. Acolheremos as propostas em debate para reestruturação da Comissão de Área de Educação Básica. A educação básica tem recebido particular prioridade e atenção do MEC neste mandato do presidente Lula, sob o comando do ministro Camilo Santana”, acrescentou.
O secretário-executivo também mencionou a importância do debate sobre educação nas faixas fronteiriças. “Há movimentos das nossas sociedades que nos impõem atenção. Temos cada vez mais estudantes de um país do Mercosul frequentando cursos em outros, particularmente em instituições próximas às fronteiras. Sem esquecer que o Mercosul envolve a totalidade dos nossos territórios, as faixas fronteiriças pedem de nós essa atenção especial, da educação básica até a superior.”
Barchini convidou ainda as autoridades para participar da Cúpula da Alimentação Escolar e para eventos relativos à educação ambiental no contexto da COP30.
A delegação brasileira contou com a secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt, e o assessor especial para Assuntos Internacionais do MEC, Francisco Figueiredo de Souza. Durante a reunião de ministros, Schweickardt abordou ações prioritárias do MEC, como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e o Pé-de-Meia.
“No ensino médio brasileiro, a evasão chegava a meio milhão de pessoas por ano. Construindo políticas de incentivo à permanência escolar, focalizadas nos estudantes mais vulnerabilizados, já estamos colhendo resultados no sentido de ampliação da frequência, permanência e conclusão escolar, bem como do aumento de estudantes da escola pública que buscam o ensino superior”, explicou a secretária ao se referir ao Pé-de-Meia.
Seminário de Alfabetização – O Brasil também esteve presente no Seminário de Alfabetização do Mercosul, realizado na segunda-feira, 10 de junho, na capital argentina. Representando o MEC, a secretária Kátia Schweickardt compartilhou as principais iniciativas brasileiras na garantia do direito à alfabetização, com foco no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, política lançada em 2023.
Durante sua participação, ela destacou a importância de iniciativas conjuntas na América do Sul para enfrentar desafios comuns. “Momentos como este são fundamentais, porque nos permitem estabelecer um diagnóstico compartilhado sobre os problemas e identificar soluções que podemos aprender uns com os outros”, afirmou.
O seminário reuniu autoridades e especialistas da área de educação dos países do bloco e foi promovido pelo Mercosul, pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e pelo governo argentino.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria Executiva (SE), Secretaria de Educação Básica (SEB) e da Assessoria para Assuntos Internacionais (AI)
Fonte: Ministério da Educação
NACIONAL
Educação como caminho para construir uma nova vida
Para chegar às aulas no Campus Laranjal do Jari, do Instituto Federal do Amapá (Ifap), Rosa Alves saía de casa às 6h30 da manhã. Moradora de Monte Dourado (PA), precisava atravessar o rio em pequenas embarcações, conhecidas como catraias, e seguir a pé até o local onde estudava. A rotina exigia disposição, mas a formação no Ifap representava uma oportunidade de construir a autonomia que buscava para si e para os filhos.
Anos antes, ela havia vivido uma situação que marcou seus planos para o futuro. No meio da noite, depois de ser expulsa da casa onde morava de favor, ficou sem ter para onde ir e se abrigou no banco de uma praça, com o filho nos braços. Ao recordar esse momento, ela lembra da decisão de buscar condições mais dignas para cuidar da própria família. “Eu ia ter meu emprego, eu ia ter a minha casa, eu ia ter o meu carro, eu ia cuidar dos meus filhos”, contou.
Criada pela mãe ao lado de três irmãos, Rosa construiu uma trajetória em que os estudos e o trabalho abriram novas possibilidades. Em 2008, foi aprovada em um concurso da prefeitura de Laranjal do Jari (AP) e começou a trabalhar no ano seguinte. A chegada do instituto federal trouxe outra perspectiva: a oportunidade de fazer um curso técnico. “Eu me animei e falei: ‘acho que aqui é o meu ponto de partida’”, recorda. Ela se inscreveu, passou e iniciou a formação.
Além do deslocamento diário entre a cidade em que morava e a que trabalhava, Rosa acompanhou os desafios do início das atividades no instituto federal. As aulas aconteciam em uma sala alugada, enquanto professores e estudantes construíam juntos a rotina de ensino.
A conclusão do curso técnico em secretariado executivo do Ifap marcou uma nova etapa. Rosa também havia sido aprovada em um concurso público do instituto e recebeu uma notícia especial no dia da formatura: seria nomeada para trabalhar na instituição em que estudava. “Exatamente no dia da formatura, o reitor informou que eu seria nomeada. Foi uma alegria imensa”, lembrou.
A formação técnica e o ingresso como servidora se somaram a outro projeto que ela já vinha preparando. Rosa pediu licença do trabalho na prefeitura, foi a Macapá (AP) e prestou vestibular para administração. Ao tomar posse no instituto, começou também a realizar o desejo de cursar a graduação, com o apoio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
O sonho de estudar administração – Rosa guarda na memória a emoção de entrar na sala de aula da faculdade. Sentada ao fundo, ela conta que chorou ao perceber que havia chegado a uma etapa pela qual tanto esperava. “Eu lembro que chorei porque eu estava realizando o meu maior sonho. O maior sonho da minha vida era fazer administração”, contou.
O acesso aos estudos passou a fazer parte também da trajetória de seu filho. Ele concluiu um curso técnico na área de redes, prestou concurso público junto com a mãe e se tornou seu colega de trabalho no Campus Macapá do Ifap.
Para Rosa, acompanhar essa conquista é uma das realizações proporcionadas pela educação. Sua história reúne o esforço para continuar estudando, a entrada no serviço público e a possibilidade de ver o filho construir o próprio caminho. “Sempre penso que a educação é o nosso passaporte do amanhã”, afirmou.
As mudanças também proporcionaram experiências novas para a família. Rosa conta com carinho sobre a primeira viagem que conseguiu fazer com os três filhos. Foram cerca de dez dias juntos, uma experiência que até então não haviam tido.
Ao olhar para o percurso, Rosa reconhece nos estudos uma contribuição para as condições de vida que construiu. Da travessia do rio para frequentar as aulas até a chegada à graduação, a educação esteve presente nas oportunidades que permitiram seguir seus planos e compartilhar novas experiências com os filhos. “A educação me proporcionou tudo o que eu tenho hoje”, pontuou.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Fonte: Ministério da Educação
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