AGRONEGÓCIO
Feira aberta ontem em Cuiabá vai focar em crédito e gargalos logísticos do agro
A abertura da GreenFarm 2026, realizada na noite desta quarta-feira (27.05), no Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, direcionou os debates do setor produtivo para a segurança jurídica, o endividamento do campo e as deficiências de infraestrutura logística que afetam o escoamento da safra regional.
Com a presença do governador Otaviano Pivetta, do presidente da Assembleia Legislativa (ALMT), Max Russi, além de políticos locais e regionais, o debate inaugural evidenciou as demandas por linhas de crédito estáveis e soluções de custeio, contextualizando as pressões financeiras de um setor que faturou mais de R$ 115 bilhões com exportações de carne em 2025 e que, no primeiro trimestre de 2026, movimentou mais de R$ 28,5 bilhões no mercado internacional. Pronunciamentos de lideranças locais e federais destacaram o esforço de reequilíbrio fiscal estadual para manter investimentos em infraestrutura sem dependência exclusiva de repasses da União.
Até o próximo sábado, 30, a feira concentra rodadas comerciais e vitrines tecnológicas com funcionamento das 14h às 22h. O Pavilhão de Negócios prioriza o acesso a insumos e maquinários de nova geração, enquanto espaços temáticos abordam a transição energética no campo (EnergyFarm), inovação digital (InovaFarm) e a participação feminina na gestão de propriedades (Fazenda Rosa). O foco comercial do evento visa mitigar os altos custos operacionais que atualmente reduzem as margens do produtor de grãos e carne em Mato Grosso.
O ponto central da programação técnica ocorre amanhã, sexta-feira (29.05), com a realização do Summit Pensar Agro, sob a curadoria do presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende. O encontro foi estruturado para conectar as decisões corporativas da porteira para fora à rotina administrativa do produtor rural. A agenda começa às 14h abordando a entrega de informação técnica contínua e a estruturação de ferramentas de comunicação direta com o campo para subsidiar decisões práticas diante de mudanças regulatórias.
Às 15h20, o painel “Oportunidades no mercado internacional para o agronegócio brasileiro”, moderado pelo advogado Marcel Daltro, discutirá as transformações regulatórias europeias, as barreiras ecológicas e os corredores bioceânicos pelo Peru rumo à Ásia-Pacífico. O debate terá a presença do embaixador da Indonésia no Brasil, Andhika Chrisnayudhanto, além de Alex Seiki Kawano (Frente Parlamentar Mista Brasil-ASEAN), Alejandro Gomes (Câmara Espanhola), Rafael Torres Molares (Câmara Brasil-Peru), Patricio Violini (Embaixada da Argentina) e Guilherme Franca Mota (Câmara Índia-Brasil), focando na exportação de algodão, gergelim e feijões especiais.
O painel “Jurídico no Agro”, agendado para as 17h10, tratará do aumento de litígios envolvendo contratos de arrendamento, governança patrimonial, regularização ambiental e recuperação judicial. Entre os debatedores estão o especialista em Direito Agrário, Dr. Marcelo Caetano, e a consultora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Daniele Coelho Marques. Logo após, às 18h20, o painel “Inteligência Financeira no Agro” abordará a proteção de margens de lucro, o uso de derivativos e ferramentas digitais para controle de caixa, com palestras de Marlei Danielli (WFlow Agro MT), Mauro Paglione (Grupo SAA Software) e Marco Antônio de Oliveira (FertiHedge).
O encerramento da programação técnica ocorre às 19h30 com o “Fórum Brasil Central”, dedicado à verticalização industrial e à integração logística regional para biocombustíveis e grãos no Centro-Oeste. O painel reunirá o subsecretário de Políticas Econômicas Agropecuárias do Distrito Federal, Antônio Queiroz Barreto, o diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, e a especialista Vanessa Gasch. Saiba mais clicando aqui
Serviço
Evento: GreenFarm 2026
Período: 27 a 30 de maio de 2026
Horário de Funcionamento: Das 14h às 22h
Local: Parque Novo Mato Grosso — Cuiabá (MT)
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro
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