TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Servidores do Tribunal de Justiça participam de Oficina de Inovação
Cerca de 30 servidores das mais diversas áreas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) participam, nesta segunda e terça-feira (9 e 10), da Oficina de Inovação, promovida pelo Laboratório de Inovação – InovaJusMT e pela Escola dos Servidores do Poder Judiciário, com o objetivo de refletir sobre o tema e aprimorar suas habilidades em metodologias ágeis para resolução de problemas complexos e, com isso, prestar melhores serviços às pessoas que buscam a Justiça. 
“A importância de usar essas metodologias é rever os serviços que são prestados e trazê-los de forma mais eficiente para o jurisdicionado. Por isso, essa oficina de inovação busca capacitar servidores e magistrados para as novas metodologias ágeis e técnicas de inovação para serem aplicadas no serviço público. A ideia é fazer com que a prestação jurisdicional fique mais alinhada aos interesses e aos objetivos do jurisdicionado”, afirma a juíza coordenadora do InovaJusMT, Joseane Quinto Antunes.
Na abertura do curso, a magistrada destacou a preocupação do InovaJusMT em disseminar a cultura de inovação no Tribunal por meio do conhecimento e agradeceu à atual gestão do TJMT e à Escola dos Servidores pela parceria nesse projeto. “Só temos a agradecer à Escola e à Administração, que nos permitem ter tantas formações e, com isso, já contarmos com 76 laboratoristas. E vocês serão novos inovadores”, disse aos participantes.
O consultor de Inovação e instrutor da oficina, André Tamura, informa que, durante a oficina, os participantes treinarão novas formas de trabalhar, incorporando novas tecnologias e refletindo ainda sobre as formas de se relacionar, tendo como norte as necessidades das pessoas que acessam os serviços judiciários. “A ideia é sair dessa lógica de ‘poder’ para ‘serviço’, porque a justiça é um serviço fundamental. Esperamos que os participantes consigam contribuir, tanto na dimensão de identificar uma situação-problema que podemos fazer diferente, quanto de se relacionar melhor no trabalho porque o aspecto humano é o que vai nos restar, num tempo em que cada vez mais os robôs executam as nossas tarefas”, disse.
A gestora do Núcleo de Sustentabilidade do TJMT, Jaqueline Schoffen disse que buscou fazer o curso devido às mudanças de direcionamento que têm surgido no seu campo de trabalho e que requerem soluções inovadoras para serem enfrentadas. “Nós tivemos em 2025 a Resolução nº 461 do CNJ, que trouxe um novo tema dentro do Plano de Logística Sustentável, que é justamente a inovação, a alteração das rotinas, a melhoria, a eficiência, mas também com a diminuição de custos, de modo a evitar desperdício através de meios tecnológicos. Então, hoje, aqui na oficina, nós queremos conhecer essa metodologia, como tem que ser o nosso olhar para as atividades do dia a dia para que possamos, então, trazer para 2026 essas alterações significativas”, afirmou.
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Autor: Celly Silva
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Execução Penal: equilíbrio entre punir e preservar humanidade é apontado como desafio
“Com diálogos bem estruturados, todos são chamados à responsabilização. Sem responsabilidade e sem consciência, não há caminho de transformação. O ser humano fica à deriva por muito mais tempo”. Foi com essa constatação que a desembargadora Clarice Claudino da Silva abriu o Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”, nesta quinta-feira (28), no auditório da Sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá.
Ela representou o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira, e ainda ressaltou o papel do encontro na promoção da integração institucional e no fortalecimento de ações voltadas à dignidade das pessoas privadas de liberdade. Ela também chamou atenção para os desafios estruturais do sistema e a necessidade de ampliar o diálogo e a construção de soluções conjuntas. Ao abordar caminhos para o aprimoramento da execução penal, enfatizou a relevância das práticas restaurativas, ao destacar o potencial dessa abordagem para promover mudanças efetivas.

Já o supervisor do Núcleo de Cooperação Judiciária (NCJud), no ato também representando a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), desembargador Wesley Sanchez Lacerda, reforçou a necessidade de tratar a execução penal com racionalidade e estratégia, e alertou para o fortalecimento das organizações criminosas no ambiente prisional. Ele também defendeu a importância da atuação conjunta para garantir resultados mais eficazes na ressocialização.
“O sistema penal não pode existir apenas para punir, mas precisa oferecer caminhos reais para que a pessoa privada de liberdade possa reconstruir sua vida e retornar à sociedade de forma digna e produtiva. A ressocialização não beneficia apenas quem cumpre pena, ela beneficia toda a sociedade. Quando o Estado investe em educação, trabalho e apoio dentro do sistema prisional, reduz a reincidência e amplia as chances de um futuro mais seguro. Precisamos ter a coragem de construir um sistema que não apenas puna, mas que transforme, porque a verdadeira justiça não termina com a sentença, ela começa ali”, destacou.

Ainda na abertura, durante a fala, a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente questionou: “Que tipo de sociedade nós estamos ajudando a construir quando falamos sobre execução penal?”. Coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal, ela finalizou o pensamento: “Porque nenhuma instituição é medida apenas pela sua capacidade de punir. Ela também é medida pela sua capacidade de preservar humanidade mesmo diante dos ambientes mais difíceis”.
Para a procuradora de Justiça, o sistema prisional coloca diariamente seus operadores diante de situações extremas, com o risco de reduzir as pessoas privadas de liberdade apenas aos seus erros, números ou processos. “Quando isso acontece, todos nós perdemos um pouco. Perdemos como instituições, perdemos como sociedade e perdemos principalmente a capacidade de acreditar em transformação. Talvez o maior desafio da execução penal contemporânea seja exatamente este: encontrar equilíbrio entre firmeza e humanidade, entre segurança e dignidade, entre controle e reconstrução”, afirmou.

Nesse contexto, o coordenador do Centro de Segurança e Inteligência (CSI), promotor de Justiça Mauro Zaque de Jesus, destacou a relevância do encontro como espaço de integração institucional e de construção coletiva de soluções. “Nós temos uma obrigação com a sociedade: entregar justiça e garantir que o cidadão experimente verdadeiramente a sensação de segurança. Isso passa, necessariamente, pelo sistema prisional. Mas não tem como nós pensarmos em justiça sem dignidade, sem humanidade, sem respeito à pessoa humana. Tenho certeza de que sairemos daqui melhores do que chegamos, em um momento de sinergia para buscar soluções e aprimorar nossa atuação”, defendeu.

Representando o procurador-geral de Justiça, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, destacou o caráter coletivo e integrador do evento. Segundo ela, o principal propósito do encontro é fortalecer a atuação conjunta entre as instituições, baseada na cooperação e no compartilhamento de experiências, especialmente diante de desafios estruturais que não podem ser enfrentados de forma isolada.
De acordo com a subprocuradora, o tema exige a superação de modelos tradicionais e uma atuação mais qualificada e inovadora. “É onde cruza de forma bastante intensa e evidente tanto a segurança pública, a justiça, a dignidade humana e o desafio permanente da ressocialização. E é justamente nesse ponto que eu convido a todos nós a uma reflexão. Não há política de segurança pública verdadeiramente eficaz sem uma execução penal que funcione. E também não há uma execução penal que funcione sem oportunidade de ressocialização”, considerou.

O coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro, enfatizou a relevância da participação interinstitucional no debate. “Este evento já demonstra sua importância e indispensabilidade para todos nós, comprometidos com essa missão constitucional e com esse chamado humanitário de tratar o cumprimento de pena, buscando formas de alcançar os melhores resultados possíveis na reinserção social”, afirmou.
Aprimoramento técnico
Durante dois dias, o encontro promove reflexões sobre a gestão do sistema prisional e a efetividade da execução penal no Brasil, com foco no uso da inteligência institucional e no aprimoramento técnico. A programação também destaca a dimensão transformadora da pena, com ênfase em políticas de ressocialização. O público reúne membros do Ministério Público, magistrados, profissionais das forças de segurança e especialistas do Sistema de Justiça.
Também compuseram o dispositivo de honra a promotora de Justiça Alessandra Gonçalves da Silva Godoi, representando o corregedor-geral do MPMT, o desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, e o presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP), promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto.
O encontro é realizado pelo MPMT, por meio do CAO da Execução Penal, do CSI e do Ceaf, em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, via Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e o Núcleo de Cooperação Judiciária (NCJud), com apoio da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT).
Com informações de Ana Luíza Anache/MPMT
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