TECNOLOGIA

Serra no Médio Rio Doce abriga pelo menos 33 espécies únicas da Mata Atlântica

Há 11 anos, foi descoberto o potencial natural da Serra do Padre Ângelo, região abrigo de pelo menos 33 espécies únicas para a ciência, incluindo plantas, insetos e peixes. A diversidade do local montanhoso do leste de Minas Gerais (MG), entre os municípios de Conselheiro Pena e Alvarenga, virou tema de artigo publicado no Boletim do Museu de Biologia Mello Leitão — Série INMA. O documento foi elaborado por pesquisadores de diferentes instituições brasileiras, sob a liderança do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A descoberta do potencial científico da serra aconteceu de maneira inesperada: o então doutorando Paulo Gonella navegava pelas redes sociais quando se deparou com uma foto da região. À época, o pesquisador desenvolvia sua tese de doutorado e catalogava as espécies de plantas carnívoras conhecidas no Brasil. “Por acaso, um dia, eu vi a foto de uma planta carnívora totalmente diferente daquelas que eu tinha catalogado. Ela era uma planta grande, com folhas muito maiores e diferentes das que a gente já conhecia”, conta.

A espécie até então desconhecida pelo pesquisador era a Drosera magnifica, a planta-carnívora-gigante que viria a ser considerada a maior das Américas. Movido pela curiosidade, Gonella entrou em contato com o fotógrafo e localizou a região, que fica próximo à divisa de Minas Gerais e Espírito Santo (ES). “Nessa primeira expedição para identificar e descrever a Drosera magnifica, coletei amostras de outras plantas, que foram sendo identificadas como novidade”, continua o pesquisador.

Leia Também:  MCTI desembarca em Pernambuco para transformar Recife na Capital da Ciência

Após a primeira visita, outras expedições foram feitas de 2020 a 2025, quando foram documentados ecossistemas raros associados aos campos rupestres sobre quartzito, além de espécies altamente especializadas, restritas a micro-habitats de topo de montanha, cavernas, áreas úmidas e paredões rochosos.

Entre as descobertas da região estão a maior canela-de-ema do mundo (Vellozia gigantea) e a população mais ao norte conhecida de araucária no Brasil, todas ameaçadas de extinção.

Ainda assim, o agora pesquisador do INMA e autor do estudo, Paulo Gonella, explica que a região não é apenas única, mas também cheia de perigos para as espécies. “A serra tem muitas ameaças, incêndios, gramíneas invasoras, pecuária, desmatamento e turismo desordenado.”

Além de apresentar e descrever as novas espécies, a pesquisa também destaca a importância da serra para a conservação da água numa região marcada pela degradação ambiental, escassez hídrica e eventos extremos. Diversas nascentes que abastecem municípios vizinhos têm origem na serra, que funciona como área de recarga hídrica e refúgio climático no Médio Rio Doce. “Nosso trabalho mostrou que essa região deve ser tratada como estratégica, tanto para a proteção da biodiversidade, quanto para a manutenção dos recursos hídricos do Médio Rio Doce”, destaca Gonella.

Leia Também:  Debate no Recife discute desafios para formação de recursos humanos em ciência, tecnologia e inovação

Para proteger os ecossistemas locais, as nascentes e as espécies ameaçadas na região, o artigo sugere a criação de uma unidade de conservação. “Durante muito tempo, a Serra do Padre Ângelo permaneceu invisível nos mapas científicos e nas políticas de conservação. Hoje sabemos que ela abriga uma biodiversidade única e um patrimônio natural de importância nacional. O desafio agora é garantir que essa riqueza sobreviva”, conclui o pesquisador.

Além do INMA, cooperaram para a pesquisa a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade Federal de Goiás (UFG), a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Aiuká Consultoria.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Propaganda

TECNOLOGIA

Brasil e Suriname defendem Amazônia e ampliam cooperação em ciência, tecnologia e inovação

Biodiversidade amazônica, bioeconomia, segurança alimentar, tecnologias espaciais e transformação digital estão entre os temas centrais do memorando de entendimento assinado nesta quarta-feira (28) entre o Brasil e o Suriname para ampliar a cooperação bilateral em ciência, tecnologia e inovação. O acordo foi firmado durante a visita oficial da presidente da República do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, ao Brasil, em cerimônia no Palácio do Planalto com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.

A assinatura do documento estabelece uma base institucional para ações conjuntas entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério de Assuntos Econômicos, Empreendedorismo e Inovação Tecnológica do Suriname em áreas estratégicas para os dois países, especialmente no contexto da integração amazônica e do desenvolvimento sustentável.

A ministra Luciana Santos destacou o papel da cooperação científica e tecnológica para o fortalecimento das relações bilaterais e para o desenvolvimento sustentável da região amazônica. “Nosso memorando dará institucionalidade à colaboração em pesquisa e inovação em setores prioritários para os dois países, por meio de projetos conjuntos, mobilidade de pesquisadores, missões científicas e participação em redes de pesquisa”, afirmou a ministra.

Leia Também:  Debate no Recife discute desafios para formação de recursos humanos em ciência, tecnologia e inovação

A titular da pasta também ressaltou o potencial de cooperação em monitoramento ambiental e tecnologias espaciais, com o compartilhamento de dados gerados pelos satélites brasileiros CBERS-4, CBERS-4A e Amazonia-1, que já cobrem o território surinamês. “O bioma amazônico é de grande relevância para nossos países. Vamos aliar ciência, tecnologia e inovação aos conhecimentos tradicionais para desenvolver soluções que impactem positivamente comunidades locais, indígenas, quilombolas e ribeirinhas”, acrescentou.

Para o presidente Lula, Brasil e Suriname são parceiros diplomáticos naturais. “Os dois são países amazônicos, democracias que acreditam na cooperação, no multilateralismo. Nesta visita, assinamos 13 acordos em temas como infraestrutura, defesa, segurança, ciência e tecnologia, políticas sociais e desenvolvimento sustentável”, comemorou.

Segundo a presidente surinamesa, a parceria entre os países representa oportunidades de crescimento e avanço tecnológico para ambos os países. “Buscamos, em conjunto com o Brasil, soluções e cooperações que transformem nossas sociedades, que aumentem a nossa efetividade e que garantam um futuro melhor”, afirmou Jennifer Geerlings-Simons.

A assinatura do acordo reforça o compromisso brasileiro com a integração regional e com o fortalecimento da cooperação científica na Amazônia, incluindo iniciativas multilaterais desenvolvidas no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) e da Rede Bioamazônia.

Leia Também:  Ministra destaca papel estratégico do CETEM para a soberania nacional

O memorando tem caráter não vinculante e prevê que cada país seja responsável pelo custeio de suas próprias atividades e grupos de pesquisa. O documento terá vigência inicial de 5 anos, com renovação automática.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Continue lendo

política mt

mato grosso

policial

PICANTES

MAIS LIDAS DA SEMANA