POLÍTICA NACIONAL
Presidente do Belford Roxo nega envolvimento com manipulação em CPI
O presidente da Sociedade Esportiva Belford Roxo, Reginaldo Gomes, prestou depoimento nesta quarta-feira (4) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e negou envolvimento do clube com o elevado volume de apostas em uma partida da equipe sub-20, em junho. Ele afirmou que o empresário Gilberto Lopes cuidava do time sub-20 à época da partida sob investigação, e disse acreditar que ainda haja fatos a esclarecer sobre o caso.
Em jogo da terceira divisão do Campeonato Carioca Sub-20, em 5 de junho, o Belford Roxo perdia para o Esporte Clube Nova Cidade por 3 a 1 ao fim do primeiro tempo, mas acabou vencendo de virada por 5 a 3. O volume atípico de apostas nesse resultado em jogos feitos na Ásia chamou atenção dos órgãos de controle e levou a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) a suspender temporariamente os dois clubes por suspeita de manipulação de resultado. O caso é investigado pela Operação VAR, da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Convidado para depoimento em 27 de novembro, Reginaldo Gomes não compareceu à CPI. Na mesma data, foi aprovado um requerimento transformando o convite em convocação (REQ 172/2024). Na ocasião foi ouvido o presidente do Nova Cidade, Jorge Luiz Pacheco Eloy, que também citou a gestão terceirizada da equipe sub-20 e negou envolvimento do clube em apostas suspeitas.
Pressão
Para Gomes, o Belford Roxo tem sido prejudicado por “desavenças políticas” no município, que, segundo ele, teriam levado à desapropriação de bens e a ameaças contra patrocinadores. Ele acusou diretamente a atual gestão de cidade.
— Era uma pressão muito grande contra todos que não estavam com o atual prefeito em sua caminhada. Isso acabou trazendo problemas para a gente de todos os tipos.
Gomes também relatou que o empresário Gilberto Lopes, que tem histórico de envolvimento com divisões de base no futebol, ofereceu seus serviços para custear e gerenciar a equipe sub-20 do Belford Roxo. Nesse período, a suspeita sobre o jogo com o Nova Cidade e o interesse de casas de aposta internacionais na partida contra o Nova Cidade teriam surpreendido a diretoria do clube.
— Ninguém do nosso clube acompanhou esses três jogos do Belford Roxo, porque a gente não tinha aquele time como um time nosso. Eles estavam apenas usando a bandeira do clube para poder ter uma disputa no Campeonato Carioca sub-20. Foi um erro nosso, essa cessão para que esse empresário pudesse comandar a equipe num momento de dificuldade.
O dirigente criticou os elevados custos do futebol, que expõem as equipes pequenas a propostas de terceirização, e disse esperar que a Ferj possa usar meios de baratear a realização de partidas. Gomes explicou que o Belford Roxo foi fundado em 2020 para que a cidade fluminense tivesse uma equipe profissional competitiva, e desde então tem registrado uma trajetória “ascendente”, com foco nas categorias de base.
Suspeitas de manipulação
O relator da CPI, senador Romário (PL-RJ), afirmou que a partida entre o Belford Roxo é um dos casos “mais emblemáticos” investigado pela Operação VAR. Ele quis saber se Reginaldo Gomes tinha qualquer relação com Ede Vicente, treinador do sub-20 do Nova Cidade, e se havia recebido ofertas para combinar o resultado do jogo.
Gomes negou relação com Vicente e afirmou que só conhece Gilberto Lopes “de campo” — a atuação do empresário teria sido encerrada quando o Belford Roxo foi suspenso e deixou de disputar o campeonato. Também negou que o clube tenha sido assediado por manipuladores de jogos e declarou não compactuar com esse procedimento, mas estranhou o movimento de apostas sob investigação.
— Quem em sã consciência teria interesse em apostar no sub-20 do Belford Roxo contra o Nova Cidade em Nilópolis, num estadiozinho acanhado que [onde] não dá 200 pessoas? Como se inclui uma equipe num site de apostas? Os clubes não ganham nada com isso legalmente.
O presidente da CPI, senador Jorge Kajuru (PSB-GO), quis saber de o presidente do Belford Roxo já havia testemunhado casos de manipulação de jogos.
— O senhor mostrou aqui um tempo enorme de futebol e de política. Portanto, o senhor tem experiência. Vivendo no futebol carioca, o senhor já teve conhecimento, com prova irrefutável, de manipulação de resultados de futebol em outras competições?
Gomes negou ter testemunhado compras de resultados e avaliou o resultado da partida com o Nova Cidade como “normal”. Ele garantiu que nenhuma pessoa ligada ao clube apostou no resultado e salientou sua surpresa com o contato da Ferj, seis dias depois do ocorrido, informando a suspensão dos dois clubes.
— Quando [o jogo] terminou, ninguém [nos] passou nada disso. A Federação, acho, avaliou isso depois e nos informou.
Outros depoimentos
A CPI também ouviria nesta quarta o empresário Thiago Chambó Andrade, denunciado na Operação Penalidade Máxima, do Ministério Público de Goiás. Porém, ele informou na terça-feira (3) que havia decidido não comparecer à CPI. Como ele estava convocado, Kajuru disse ter tomado as medidas necessárias para a condução coercitiva do empresário.
Durante a abertura da reunião, Kajuru também anunciou que o depoimento do jogador Luiz Henrique, do Botafogo, foi adiado para fevereiro. Ele seria recebido em reunião agendada para 12 de dezembro, na condição de convocado, mas o Botafogo tem compromissos no Catar para a disputa da Copa Intercontinental. O jogador é suspeito de receber cartões amarelos para beneficiar apostadores quando jogava em um clube da Espanha.
— Ele se encontra em período de concentração, e o Botafogo é um dos representantes do nosso país — justificou Kajuru.
Já o empresário William Rogatto, que depôs à CPI por videoconferência em outubro, aguarda trâmites burocráticos para voltar ao Brasil e disponibilizar novas informações. Ele está preso em Dubai, nos Emirados Árabes. Segundo Kajuru, a Polícia Federal assegurou que, assim que chegar, Rogatto poderá entregar à CPI o computador onde diz ter provas de manipulação de resultados no futebol brasileiro.
— [Rogatto] chegou a usar a expressão “40 por cento, pelo menos, eu passarei a vocês do que vocês não sabem”. Portanto, estamos ansiosos para que Dubai libere o sr. William Rogatto o mais rápido possível.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Lei determina avaliação da qualidade de hospitais
A partir de agora, hospitais particulares deverão passar por avaliações da vigilância sanitária sobre a qualidade dos serviços de saúde, com divulgação periódica dos resultados.
É o que estabelece a Lei 15.524, que cria a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde prestada pela Iniciativa Privada. A nova norma foi sancionada pela Presidência da República e publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (29).
Os padrões de qualidade e atributos de qualificação deverão ser definidos pelo órgão nacional de vigilância sanitária, diz o texto. Os estabelecimentos que descumprirem as regras poderão receber multa diária entre R$ 5 mil e 500 mil. A penalidade será aplicada sem prejuízo da responsabilidade civil por danos à saúde do paciente ou por descumprimento de normas de proteção ao consumidor.
De acordo com a lei, os padrões de qualidade e os atributos de qualificação deverão observar no mínimo as seguintes diretrizes:
- garantia da segurança do paciente, por meio da adoção de tratamentos efetivos, conforme comprovação científica, e dos mecanismos necessários para prevenção e recuperação de sua saúde;
- disponibilização de recursos institucionais (corpo técnico, estruturas e processos de cuidado) em quantitativo suficiente para atendimento ágil dos pacientes, evitando-se longas esperas e atrasos potencialmente danosos à saúde;
- cuidado responsivo e centrado no paciente;
- equidade, sendo vedadas distinções de tratamento, especialmente em virtude de gênero, religião, etnia, localização geográfica e condição socioeconômica;
- cumprimento efetivo das normas expedidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Os padrões de qualidade previstos na nova lei aplicam-se também aos estabelecimentos públicos de saúde, que devem ser alvo de avaliação e divulgação dos resultados, na forma de regulamento.
Origem da lei
A norma jurídica teve origem no Projeto de Lei (PL) 287/2024, apresentado pelo então senador e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.
Com relatório favorável do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), o texto foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em 2025. Em seguida, a matéria foi encaminhada à Câmara dos Deputados, onde foi aprovada neste mês e encaminhada à sanção presidencial.
Em 2012, o ex-senador Flávio Dino perdeu o filho Marcelo, de 13 anos. O garoto havia sido internado em um hospital de Brasília após uma crise de asma. Dino e a mãe de Marcelo, Deane Fonseca, processaram o hospital e a equipe médica.
Na ação, eles argumentam que a médica responsável pelo atendimento abandonou o posto da UTI pediátrica, o que provocou demora no atendimento. Em outubro de 2025, o hospital foi condenado a pagar uma indenização aos pais.
Com Agência Câmara
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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